A arte de ser professor: “Mestre não é quem ensina, mas quem de repente aprende”- Guimarães Rosa

Por Mário Roberto Machado Torres

Muios já ouviram falar de Sócrates e de sua célebre frase: “só sei que nada sei”. Filho de um escultor e de uma parteira foi muito mais que um filósofo, na época em que a Grécia era o centro do Universo. Nas ruas de Atenas, dedicava-se a ensinar a virtude e a sabedoria.

Revolucionário, rejeitava o modelo vigente, segundo o qual o conhecimento devia ser transmitido “de cima para baixo”. Seu método era dialogar com pequenos grupos em praças e mercados. Acreditava que é preciso levar em conta o que a criança já sabe para ajudá-la a crescer intelectualmente. Considerado uma ameaça, pois aproximava o mestre do discípulo e acusado de corromper a juventude, Sócrates foi levado a julgamento e condenado à morte bebendo veneno.

Passaram-se vários séculos até que suas idéias fossem colocadas em seu devido lugar, o de primeiro professor da civilização ocidental. Professor, palavra de origem latina, é aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. È o mestre. Como tal, deve dar o exemplo, ser respeitado e imitado. Infelizmente essa imagem nem sempre correspondeu à realidade. 

A nossa imagem como professor sofreu ao longo dos tempos modificações. Houve épocas que tínhamos o mesmo prestígio de outros profissionais como médicos, advogados, etc. Tínhamos o reconhecimento da sociedade quanto da importância de nossa profissão para o mundo. Hoje a identidade do professor ainda é respeitadíssima, a sua projeção é que é distorcida.

A sociedade ignora a essência do trabalho docente, o cotidiano da sala de aula e o desenvolvimento lento e gradativo do aluno, ou seja, não é divulgado justamente o que nos dá satisfação. Nossos governantes também se encarregam de distorcer a imagem do professor, quando não tratam adequadamente da educação, culpando-nos pelos insucessos e fracassos.

Na educação existem dois tipos de educadores: o que são de fato e os que estão ocupando espaço (estes também contribuem para a distorção da imagem do professor). O primeiro grupo é identificado pela competência, criatividade e dedicação. Gente que busca acertar e melhorar o quadro geral da educação. Já no segundo existem resquícios de acomodação e preguiça de se envolver com o ensino.

O vínculo desse grupo com a educação é apenas o do emprego. Sem compromisso social, tende-se a expressar negativamente as condições de trabalho (que são necessárias à realização da ação educativa) e a realidade da função, deixando assim de ressaltar os verdadeiros valores da profissão.

Qual a nossa importância para a sociedade atual? Qual nosso papel social? Somos imprescindíveis para a humanidade. O ser se torna humano através da educação e esse processo que é de formação para o melhor viver é mediado pelo professor. Não devemos nos apresentar como os detentores do saber.

Nossa missão consiste em mediar à aprendizagem, criando situações e desafios, problematizando a realidade. Na relação com o discípulo, somos o mais experiente, o mais preparado, porém isso não nos torna melhor ou superior ao aluno e nem nos dar o direito de impor nossos saberes ou conhecimentos. Como diz o provérbio chinês: “o professor deve levar o aluno até a porta, mas quem deve abri-la é ele”. Somos artesãos do futuro.

Nossa profissão é a mais bela de todas, pois ajudamos a potencializar as futuras gerações e temos o dever de construir um mundo mais alegre, mais justo, mais igualitário e como diz Paulo Freire “um mundo menos feio”.

As condições hoje são favoráveis para resgatar o velho prestígio de fomentador do conhecimento e condutor da formação pessoal e social dos alunos. Tomar conhecimento dessa situação é o primeiro passo para revelar à sociedade a verdadeira imagem e reconstruir a nossa identidade, com a humildade que Sócrates nos ensinou: “só sei que nada sei”.

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