Apesar de o protesto dos caminhoneiros continuar em cinco estados do Brasil, a categoria no Acre decidiu deixar as manifestações de lado e ajudar as famílias que estão sofrendo com a cheia histórica do principal manancial da Capital.

Bruna Lopes

Categoria dos caminhoneiros decidiu ajudar na maior tragédia natural do Acre. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Categoria dos caminhoneiros decidiu ajudar na maior tragédia natural do Acre. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

De acordo com o presidente do Sindicato de Transportes e Máquinas Pesadas (Sintraba), Júlio Farias, toda a categoria está ajudando na mudança das famílias atingidas pela cheia.

“Esse é o momento de sermos solidários com nosso povo. Os protestos estão ocorrendo em outras regiões sim, devido o grande fluxo de transportes associado com os aumentos da gasolina e o congelamento do valor do frete impulsionaram os protestos. Mas, essa não é nossa prioridade hoje”, confirmou o presidente.

Caminhões pipas também ajudam no abastecimento de água potável aos desabrigados. De acordo com Julio Farias, mais de 200 caminhoneiros estão ajudando na maior tragédia natural já enfrentada pelos moradores de Rio Branco.

Os pontos de protesto estão localizados na BR-364, no estado do Mato Grosso, porém, a Polícia Rodoviária Federal no Acre afirma que não há problemas no tráfego de cargas com destino ao Estado.
A categoria reclama do diesel caro, frete barato e das estradas em péssimas condições.

O movimento fechou rodovias de três estados do Sul. São 24 no Rio Grande do Sul, 14 em Santa Catarina e oito no Paraná. No Mato Grosso são dez pontos de interdição. De acordo com o inspetor da PRF no Acre, Nélis Newton, o movimento está sendo acompanhado de perto.

“Acreditamos que o Estado não sofra com desabastecimento causado pelas interdições, já que apesar da BR-364 em Mato Grosso estar interditada, existem outras rodovias estaduais e outros caminhos que podem ser utilizados para as cargas com destino a Rondônia e Acre”, confirma.

Por outro lado, o presidente da Associação Comercial do Acre (Acisa), Jurilande Aragão, afirma que em alguns setores como o de hortifrutigranjeiro e para construção civil já sofrem as consequências do protesto.

“A situação pode ficar muito ruim se as interdições das rodovias se prolongarem. O material de construção, que é uma carga de alto custo e que os empresários não fazem um estoque muito grande, já está em falta em alguns lugares. O que preocupa são os  hortifrutigranjeiros, como ovos, verduras e frutas. Está diminuindo. Alguns conseguem chegar ao Estado, mas já está afetando o mercado”, explicou o presidente.

A Justiça determinou a liberação das rodovias federais em 11 estados, até sexta-feira, 27, mas ainda sim, caminhoneiros mantinham bloqueios no Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O movimento teve início no último dia 18.

Após invasão de água do Rio Acre, calçadão da  Benjamim Constant tem energia elétrica suspensa

MARCELA JANSEN

Comércio da Rua Benjamim Constant ficou alagado. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Comércio da Rua Benjamim Constant ficou alagado. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

Entre as novas medidas emergenciais adotadas pelo Poder Executivo na terça-feira, 3, consta a interrupção de energia elétrica no calçadão da Rua Benjamin Constant e mediações, devido à invasão das águas nessas localidades. Com a medida, mais de duzentos comerciantes, entre lojistas e camelôs, tiveram a energia de suas lojas desligadas.

A decisão foi adotada pelo prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT), após vistoriar o local, juntamente com o presidente do Sindicato dos Camelôs, Luiz Carlos Juruna e do coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel George Santos.

“Temos que zelar pela integridade física de nossa população. Aquela região do mercado Aziz Abucater e das pensões Raimundo Benício de Melo, próximas ao Terminal Urbano, já foram tomadas pelas águas do Rio Acre. Por isso, solicitamos o desligamento da energia daquela região”, disse Marcus Alexandre.

Com a medida, mais de duzentos comerciantes, entre lojistas e camelôs, tiveram a energia de suas lojas desligadas.

ATMC Model realiza desfile solidário nesta quinta-feira, 5

BRUNA LOPES

Desfile será realizado hoje no Teatrão, às 19h30. (Foto: Cedida)
Desfile será realizado hoje no Teatrão, às 19h30. (Foto: Cedida)

Para arrecadar leite em pó, massa para mingau e fraldas descartáveis para as crianças vítimas da cheia do Rio Acre que desabriga milhares de pessoas em Rio Branco, o colunista Alex Thomas realiza um Desfile Beneficente, nesta quinta-feira, 5, a partir das 19h30, no Teatro Plácido de Castro (Teatrão). O evento conta com o apoio do Governo do Estado, Gol Linhas Aéreas e Prefeitura Municipal de Rio Branco.

Participam do evento os quase 100 modelos da ATMC Model, os finalistas do Concurso de Modelos “The Model”, o grupo de dança Elythe, além dos DJ´s Daniel Lucas e Dree Calixto. “Convidamos a todos a participar de um evento de moda e ajudar a quem nesse momento está precisando”, convida Alex Thomas.

As doações devem ser levadas antes do evento. A cheia do Rio Acre teve início no último dia 20 de fevereiro, atingiu os municípios de Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia e Xapuri. Desde o último dia 22, a população ribeirinha de Rio Branco sofre com o avanço das águas que superou todos os números já registrados na história da Capital.

PM ampliará postos de serviço durante enchente na Capital

Devido à constante cheia do Rio Acre, o subcomandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário César, realizou reunião na manhã desta terça-feira, 3, com todos os comandantes de unidades operacionais para requisitar mais militares na operação. O objetivo é disponibilizar o máximo de policiais para atender a população afetada pela enchente.

Na ocasião, foi anunciado que o coronel da PM, Mário Cesar, juntamente com os comandantes de batalhões, aumentou os postos de serviço nas regiões afetadas. “Além dos 200 policiais empregados diariamente nas áreas inundadas, iremos dispor de mais policiais, ainda esta semana, para suprir as demandas ocasionadas pela enchente”, frisou Mário Cesar.

A Polícia Militar dispõe de seu efetivo nos abrigos desenvolvendo trabalho comunitário nas regiões alagadas e imediações, realizando patrulhamento fluvial e terrestre. 

(Saulo Negreiros / Agência Acre)