Paratleta Micaeli dos Santos, durante o treino para a 1ª Olimpíada Especial da Apae (Foto: Quésia Melo)

Micaeli dos Santos passou a praticar o atletismo há dois anos para fugir das aulas de educação física. Apesar da deficiência, ela enfrenta o preconceito e vence obstáculos.

Por Quésia Melo Rio Branco, AC

Paratleta Micaeli dos Santos, durante o treino para a 1ª Olimpíada Especial da Apae (Foto: Quésia Melo)
Paratleta Micaeli dos Santos, durante o treino para a 1ª Olimpíada Especial da Apae (Foto: Quésia Melo)

Paratleta Micaeli dos Santos, 18 anos (Foto: Quésia Melo)

micaeli3_1A paratleta Micaeli dos Santos, 18, prática o atletismos há dois anos. Ela, que tem paralisia cerebral, procurou a corrida para fugir das aulas de educação física na escola, onde a maioria dos jogos eram realizados com bola, o que lhe causava dificuldade. Hoje, o esporte é a forma que Micaeli encontrou para superar os obstáculos diários e também o preconceito. Na 1ª Olimpíada Especial da Apae, que será realizada a partir desta segunda-feira (25) até a sexta (29), ela competirá nas provas de corrida de 400m e 100m, além do arremesso de peso.

– Fugia das aulas com bola, não gostava. Praticando o esporte fora da escola, eu levava uma declaração para o professor e fazia apenas a prova escrita, sem prática – conta.

Micaeli participou dos Jogos Paralímpicos do Acre, conquistando o 1º lugar na disputa de 200m, o segundo nos 100m e a medalha de ouro no arremesso de peso. Ela ainda disputou as Paralimpíadas Escolares, no ano de 2012, ficando em primeiro lugar nas três provas que disputou nos 400m, 100m e arremesso de peso até 4kg. No ano passado, ficou com a segunda colocação nos 400m e nos 100m, e com a medalha de bronze no arremesso. 

Micaeli conta que nunca foi atacada de frente por alguém que demonstrasse preconceito com sua paralisia cerebral e ainda assim praticar esportes, mas diz sentir o deboche das pessoas.

– As pessoas falarem para mim, na minha cara, nunca disseram. Mas, a gente sente o deboche. Muitas questionam sobre como posso correr, algumas riem, mas outras se surpreendem e apoiam. Em hipótese alguma, só porque as pessoas riem de mim, vou desistir do que amo – relata.

Com a chegada da 1ª Olimpíada Especial da Apae no Acre, onde 80 paratletas irão competir, Micaeli intensificou os treinos para a disputa. Segundo ela, a expectativa é mostrar durante a competição que, independente das deficiências, todos são capazes de praticar esportes e competir de igual para igual.

– Estou me preparando para  competição que será realizada pela primeira vez e a expectativa é muito boa. Temos muitos atletas e acredito que isso mostrará o quando somos capazes de competir de igual para igual – conclui.