Com poder diminuído, ex-coordenador criticou duramente a ex-senadora. Candidata do PSB disse que houve mal-entendido.

Fonte: IG 

Carlos Siqueira, que era coordenar da campanha da chapa presidencial do PSB, Eduardo Campos e Marina Silva/Foto: Alan Sampaio / iG Brasília
Carlos Siqueira, que era coordenar da campanha da chapa presidencial do PSB, Eduardo Campos e Marina Silva/Foto: Alan Sampaio / iG Brasília

Menos de 24 horas depois de ser lançada oficialmente, a candidatura de Marina Silva à Presidência da República pelo PSB já vive uma enorme crise. No início da tarde desta quinta-feira (21), Carlos Siqueira oficializou a sua saída da coordenação da campanha socialista, depois de ter seu poder diminuído por ordem de Marina, que indicou o ex-deputado Walter Feldman para o comando. Ao deixar a sede do partido em Brasília, Siqueira foi categórico ao dizer que não há menor possibilidade de acordo com a candidata.

“Não há acordo com a senhora Marina Silva. Quando uma pessoa é acolhida numa instituição, ela se torna uma hospedeira. É isso que ela é. Então, ela tem de respeitar esta instituição”, disse Siqueira. O ex-coordenador apontou como principal motivo de sua revolta a atitude de Marina nomear homens de sua confiança para a coordenação geral e financeira da campanha sem ouvir o PSB.

“Quem ela pensa que é? Ela manda na Rede dela, não no PSB”, criticou Siqueira, citando o Rede Sustentabilidade, partido fundado por Marina, que ainda não teve o seu funcionamento oficializado. A ex-senadora se filiou aos socialistas neste ano com o compromisso de migrar para a própria agremiação em 2015.

Siqueira apontou a incoerência de Marina ter colocado um nome da Rede, Bazileu Margarido, para comandar a chapa encabeçada pelo PSB. “Como ela indica uma pessoa [de fora] para coordenar as finanças, quando a responsabilidade pela prestação de contas é do partido.”

Bastidores: Sem Campos, PSB teme que divergências com Marina voltem à tona

Bazileu assumiu na última quarta o comitê financeiro da campanha de Marina, escanteando Henrique Costa, que disse mais cedo ao iG não ter certeza se permanecerá trabalhando com as finanças da candidatura.

“Renata Campos não deve saber”

“Ela está muito longe de representar o legado de Eduardo Campos”, prosseguiu Siqueira em suas críticas, dizendo ainda que a viúva do ex-governador, Renata Campos, não deve estar a par do que está acontecendo. “Ela não deve saber o que está se passando. Não podemos oferecer um partido a uma pessoa que nos trata assim”, completou ele.