Ameaçada de extinção, pacarana gestante faz ultrassom no AC

Pacarana nascida em cativeiro espera o primeiro filhote. Filhote tem previsão para nascer até janeiro de 2015.

Do G1 AC

Ultrassom é feita em pacarana do Parque Chico Mendes (Foto: Gilberto Sampaio/Arquivo pessoal)
Ultrassom é feita em pacarana do Parque Chico Mendes (Foto: Gilberto Sampaio/Arquivo pessoal)

essaPesquisadores do zoológico do Parque Ambiental Chico Mendes, em Rio Branco, e alunos da Universidade Federal do Acre (Ufac) realizaram, nesta sexta-feira (18), a primeira ultrassonografia em uma pacarana, ou paca-de-rabo, de nome científico Dinomys branickii.  Ameaçado de extinção, o animal nasceu no dia 1º de setembro de 2012, no próprio parque, e completa três meses de uma gestação de nove. A previsão para o nascimento do filhote é entre os meses de dezembro de 2014 a janeiro de 2015.

A pesquisa faz parte do projeto de extensão “Determinação do ciclo estral por meio de citologia vaginal e comportamento reprodutivo de dinomys branickii (pacarana) em cativeiro em Rio Branco – Acre”. O animal nascido em cativeiro é acompanhado pelos pesquisadores desde o nascimento.

“Estamos fazendo um trabalho de acompanhamento do ciclo menstrual dela, desde quando era pré-púbere, quando não estava amadurecida sexualmente, até entrar no primeiro ciclo”, explica Ana Rita Souza, acadêmica de medicina veterinária da Ufac.

A pacarana, segundo ela, está incluída no livro vermelho de fauna brasileira ameaçada de extinção. “Uma peculiaridade é que ela não é caçada para consumo, como outros animais silvestres. Ela sofre perigo de extinção porque ataca lavouras e os agricultores matam e oferecem para os cães de caça”, completa.

A professora doutora e orientadora do projeto, Vânia Maria Ribeiro, explica que conhecer o ciclo reprodutivo da espécie é de extrema importância para os planos de manejo e, apesar de existirem muitos estudos em pacas, a espécie pacarana quase não é estudada pela ciência. “A extinção da espécie é causada pela caça predatória e destruição do habitat natural. Através do trabalho de pesquisa, precisamos conhecer nossas espécies para protegê-las”, afirma.

Espécie está ameaçada de extinção (Foto: Denis Henrique/G1)
Espécie está ameaçada de extinção (Foto: Denis Henrique/G1)

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De acordo com ela, o animal é considerado o terceiro maior roedor do mundo e tem uma distribuição geográfica restrita,  encontrado somente nas florestas tropicais da Amazônia Ocidental, Venezuela, Colômbia, Brasil (somente na Amazônia), Equador, Peru e oeste da Bolívia. Pouquíssimas espécies estão em cativeiro, como no caso do Acre, Pará e Goiás.

Segundo a bióloga e administradora do parque, Joseline Guimarães, a espécie possui uma estrutura morfológica diferente dos demais roedores, com um crânio desenvolvido e habilidades de escalar. Além disso, é o único roedor que consegue comer com uma mão só. “Para o pessoal do Acre, este animal é comum, mas é pouquíssimo estudado. Realizamos duas reproduções da espécie aqui no parque, esta será a terceira”, afirma.

Na ultrassom não foi possível identificar o sexo do filhote. “A importância do estudo para o parque é saber que nosso trabalho está sendo bem feito, que nós estamos contribuindo para a conservação, que é um dos papéis fundamentais de um zoológico. Além de fazer a educação ambiental, de ser uma área de lazer, estamos contribuindo com a conservação de uma espécie importante, além da formação acadêmica dos alunos, e com a ciência”, explica Joselina.

Exame não identificou sexo do filhote (Foto: Denis Henrique/G1)
Exame não identificou sexo do filhote (Foto: Denis Henrique/G1)