Petecão cresce o olho, Gladson afrouxa e Edmar desiste de suplência ao Senado

Por Tião Vitor

olho gordo

Um nome que certamente enriquece qualquer disputa política é o do procurador de Justiça Edmar Monteiro. Ele foi um dos que mais lutaram no Acre contra o crime organizado, contra a corrupção e pelo respeito aos direitos humanos. Tudo isso o credenciou a dirigir o Ministério Público do Acre por três mandatos, dois deles seguidos. Traduzindo tudo isso, Edmar Monteiro é um homem com uma conduta mais do que ilibada, com uma carreira profissional ética e com uma experiência que poucos operadores do direito no Estado possuem.

Apesar desse currículo, o procurador parecer não ser qualificado para ser suplente de Gladson Cameli (PP) para o Senado. Pelo menos é o que acham o próprio Gladson e o seu aliado político, o senador Sérgio Petecão (PSD).

Gladson, há meses, havia anunciado que gostaria que Edmar Monteiro fosse seu suplente na disputa eleitoral de outubro. E assim foi divulgado por todos os cantos do Acre até a semana passada. Até então, Monteiro acreditava na promessa do amigo parlamentar. Ele só não contava que Petecão crescesse o olho no cargo.

Petecão, que sequer conseguiu eleger a irmã vereadora nas eleições passadas, decidiu que quer fazer crescer o seu poderio político e reivindicou a vaga de suplente para uma aliada próxima, Mailza Gomes, esposa do prefeito de Senador Guiomard, James Gomes (PSDB).

Ao invés de manter o acordo anterior, Gladson Cameli se fez de morto e constrangeu Edmar Monteiro perante a opinião pública.

Nesta quarta-feira, 18, o procurador botou um ponto final na questão. De acordo com um site local, ele teria enviado uma mensagem de texto à Cameli em que comunicava sua decisão de retirar o seu nome da disputa.

“Comunico ao nobre deputado que por questões de foro íntimo, estou retirando o meu nome da lista de pretensos pré-candidatos a sua suplência de senador da república”, teria dito Edmar Monteiro.

O caso envolvendo o ex-procurador-geral do Ministério Público é apenas mais um dos tantos que se sucedem na disputas internas da oposição, ou melhor, apenas mais uma quebra de acordo que se tem conhecimento. No popular, mais uma “trairagem”.

Para relembrar algumas que se tem conhecimento, é bom citar o caso recente do coronel Deodato França, que foi vítima de acordo quebrado pelo deputado Major Rocha. Outro caso de muita repercussão foi o do ex-tucano Tião Bocalom (DEM), eterno candidato, que tem visto sua candidatura ser minada pelo ex-aliado Marcio Bittar (PSDB) ao governo do Acre. Bittar teria, inclusive, procurado a direção nacional do DEM para barrar financiamentos para a campanha de Bocalom.