Famílias chegaram a construir barracos, mas foram contidas. ‘Estamos batalhando um pedaço de terra’. diz invasor.

Genival MouraDo G1 AC

PM retirou famílias de área terra (Foto: Genival Moura/G1)
PM retirou famílias de área terra (Foto: Genival Moura/G1)

Ao menos 150 famílias sem moradia tentaram invadir uma área de terra de aproximadamente 37 hectares no Bairro da Cohab,  em Cruzeiro do Sul (AC) nesta quarta-feira (11). Os invasores ainda iniciaram a construção de alguns barracos que foi interrompida com a chegada da Polícia Militar.  

“Aqui se trata de esbulho possessório (invasão de propriedade alheia) o que dá direito ao proprietário legítimo requerer a presença da polícia. É uma invasão que está acontecendo, ainda não havia casas construídas, se tivessem já seria na esfera judicial. Apenas conversamos com os moradores e pacificamente eles entraram em acordo”, explica o major, Emílio Virgílio, comandante do 6° Batalhão da Polícia Militar de Cruzeiro do Sul.

Um dos invasores, Pedro da Silva Azevedo, de 58 anos, afirma que tem moradia, mas entrou no movimento para conseguir lotes para os filhos. “Eu tenho quatro filhos todos casados que moram dentro da minha casa, no total são 18 pessoas é uma situação muito complicada. Por isso estamos aqui batalhando por um pedaço de terra”, relata.

O ex-seringueiro Armando das Chagas Rodrigues, de 70 anos, afirma que mudou-se para a zona urbana há 18 anos e durante todo esse tempo mora de aluguel. “Eu não tenho como comprar um terreno, já tentei muitas vezes conseguir com o governo do estado e a Prefeitura, mas até hoje nada. Pensei em tirar um lote nessa área, mas quando vi a polícia chegar desisti, não quero saber de confusão”, comenta.

Segundo Gontran Neto, representante do Governo do Estado em Cruzeiro do Sul, a área onde houve a tentativa de invasão pertence ao Departamento de Pavimentação e Saneamento (Depasa) e será usada para a construção de uma estação de água e saneamento.

“Nós conversamos com essas pessoas junto com a Polícia Militar e elas aceitaram formar uma comissão para que a gente possa conversar com o governo. Sabemos que nesse meio tem pessoas que têm casas, mas existem outras que realmente necessitam e tudo será avaliado na reunião que teremos”, conclui Gontran Neto.