Haitianos e senegaleses que estão no abrigo em Rio Branco, capital do Acre, mostram admiração pelo futebol canarinho e apostam em hexacampeonato em 2014

Por João Paulo MaiaRio Branco, AC

Fãs do futebol canarinho, imigrantes vão torcer pelo Brasil na Copa (Foto: João Paulo Maia)
Fãs do futebol canarinho, imigrantes vão torcer pelo Brasil na Copa (Foto: João Paulo Maia)

A Copa do Mundo reúne as melhores seleções do planeta. São 32 times representando nações. Os países que ficaram de fora, porém, também têm torcedores. Entre eles, o senegalês Pakala Sow e o haitiano Beanvil Thevené. São alguns dos milhares de imigrantes que usam o Acre como rota para chegar às grandes metrópoles brasileiras. Distantes da família, dos amigos e da terra natal, eles já têm uma seleção para torcer no Mundial: o Brasil.

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A tríplice fronteira entre o Brasil, o Peru e a Bolívia, no Acre, é, há três anos e seis meses, a principal porta de entrada dos haitianos, que começaram a chegar em dezembro de 2010, depois do terremoto que matou mais de 200 mil pessoas no país caribenho. A partir deste ano, imigrantes de outros países, como Senegal e República Dominicana, também passaram a desembarcar em terras brasileiras. Segundo o Governo do Acre, cerca de 20 mil deles já passaram pelo estado.

Pakala Sow está há uma semana no abrigo em Rio Branco

haitiano_copa_-_foto_jp_8Entre os 400 imigrantes no abrigo na capital do estado, eles se divertem fazendo o que o brasileiro mais gosta: jogar futebol. O passatempo que todos buscam para esquecer os problemas da vida. Numa quadra de cimento e a esperança de um novo recomeço, o esporte se torna uma saída para o cotidiano incerto.

Pakala Sow, 31 anos, chegou em Rio Branco há uma semana. Do Senegal, passou por Espanha, Equador e Peru, até chegar em Assis Brasil, município acreano que faz fronteira com o Peru. A receptividade dos brasileiros levou ele a torcer pela Seleção de Luiz Felipe Scolari na Copa do Mundo.

– Os brasileiros me receberam como uma família. Gosto de ver um bom futebol e por isso vou torcer pelo Brasil. Gosto de ver Daniel Alves, do Barcelona, jogando. Ele é excelente, é qualificado – comentou o senegalês.

A opinião de Pakala é a mesma de Beanvil Thevené, 29 anos. O estudante haitiano ainda não sabe onde vai assistir os jogos do Mundial, porque chegou no Brasil para trabalhar. Fã de Romário, Cafu e Rivaldo, Thevené vê Neymar e Oscar como os diferenciais da Seleção Brasileira de hoje.

– Quando era pequeno assistia aos jogos pela televisão, via Romário, Cafu e Rivaldo. Vou torcer pelo Brasil, é um time animador. Os brasileiros são competentes. Se o Brasil não chegar ao título, acredito que a segunda opção é a Alemanha, por ter jogadores como Özil, Schweinsteiger, Götze e Podolski – completou.

abrigo haitianos futebol copa do mundo Rio Branco Acre (Foto: João Paulo Maia)Futebol é passatempo no abrigo (Foto: João Paulo Maia)

Imigrantes, brasileiros e estrangeiros começam a fazer a festa para o Mundial 2014. A abertura tem data e hora marcada: 12 junho, 17h (de Brasília), na Arena Corinthians, Brasil e Croácia abrem a Copa do Mundo da Fifa.