Não há pontos de controle, como quer o PSDB de Bitar e o talibã judicial e a grande mídia. 

Possidônio Correia de Alcântara – Historiador

Marcio Bitar (PSDB)
Marcio Bitar (PSDB)

Causou espanto e risos entre internautas a declaração de Bitar, dando conta de ele sofre bullying digital de ativistas petistas. A declaração é equivocada, para dizer o mínimo, afinal, nas redesEdigitais “ninguém é dono de ninguém”, e este é o recorte principal da internet. Na falta de necessidade de mediadores e despachantes, o usuário é protagonista, autor e difusor das informações em rede, por isso, nem é preciso ser filiado a partidos para isto.

Não há, num mundo em rede, mais o editor/censor filtrando matérias, selecionando o que publicar. Não existe nem centro e nem periferia na web, e tampouco se trata de “ativistas do PT”. Bitar errou feio, qualquer um tecla, formula e emite opinião, nem é preciso mais a figura do “ideólogo” como o candidato sonha ser.

O outro aspecto que chama atenção na enfadonha declaração do candidato tucano, foi sua risível intenção de ser a “vitima do destino”, e de novo ele veio com a surrada cantilena de sempre sobre quem faz postagens na rede, que ele é vitima, etc. Ora senhor, há celulares quase gratuitos disponíveis, redes sem fio públicas,qualquer um,em qualquer lugar pode postar quando e o que quiser. Não precisa nem usar as redes e os computadores do trabalho, para que?. Tecla ali mesmo do smartfone pessoal, e lá se vai ela, a postagem, difusa, sem dono, circulante, carregando mensagens, a maioria discordante do senhor candidato Bitar.

A informação é descentralizada, mas também é desprovida de materialidade (como nos tempos do jornal impresso), o fluxo corre por todas as vias, e veias. Da web para o “zap zap”,destes para o site de fotos, e de lá para…Não há pontos de controle, como quer o PSDB de Bitar e o talibã judicial e a grande mídia. O usuário não precisa do grande irmão para tirar suas conclusões, livre da censura ou da imposição ideológica como desejaria o neoblogueiro, pensar nunca foi tão excitante.

Em tempos velozes o candidato tucano encontra-se emparedado por uma nova realidade: O “real real” e o “virtual existente”, ambos lhe são hostis. Desenharei:

No real existente, Bitar tenta definir certas regras de seus discurso (público-alvo, focos, etc..), manejando sua campanha dentro de algumas chaves convencionais (significados, tempo, duração,etc.)., e buscando desconstruir o governo, e assim, se esforça para interferir na opinião das pessoas a seu favor, lógico.

Já no “virtual existente”, as coordenadas do século XX já não se aplicam, ou seja, o próprio Bitar, com suas noções de hierarquia e valores conservadores, tornou-se uma anomalia, seu discurso perdeu a validade.

Mas não fica por aí, o problema de Bitar é que ele é inadequado politicamente para nós, a ausência de conteúdo, ideias e legitimidade, são os seus reais problemas, não a internet. Neste caso, é o real existente que está ditando as regras, o seu desconforto no “virtual” é apenas sintoma da doença terminal de seu projeto.

E onde fica o “terrorismo digital”? Simples, com a internet ninguém é mais abestado, para usar uma ótima definição do poder da autonomia e da apropriação da informação. Ou seja, Bitar não é novidade e nem é notícia para esta nossa realidade, a nossa escolha é livre, e também é outra, logicamente isso causa uma tremenda ressaca em qualquer candidato.

Dá para virar o jogo? Não, ele já foi decidido antes que o candidato reclamasse do “terrorismo digital”. Ele deveria ter prestado mais atenção nas aulas de Sociologia e Ética lá em Moscou, saberia que o tecido social é movente, é fluxo, obter seu apreço requer prática, longos anos de esforço sério e honesto. O diabo é que ele se esqueceu dos detalhes da realidade.

Sendo hegeliano, o real é dialético: Legitimidade e apoios do tecido social é resultado da realidade, do que fazemos nela, da intervenção humana, não pode ser uma invenção publicitária. E a opinião majoritária já percebeu que Bitar é um “fake”, isto é, ele não tem substância para dirigir o Estado, e sua conduta performática vem tornando isso uma triste caricatura.

E daí, com toda essa teoria? Exatamente isso, Bitar acredita em sua “versão” da realidade, e esta esta, não concorda com ele, pior para a versão dele. O queixume de Bitar é apenas o sintoma do mal estar de sua candidatura, para sermos brandos.

De novo: Em terra de cego quem tem um olho não é rei, todos estamos plugados, portanto, as condições de possibilidade para que os “abestados” sejamos ludibriados com conversa fiada e rabissacas de marketing já eram, explodimos a caverna, há luz em toda parte.

O candidato também foi desonesto em afirmar que sua pessoa é atacada no horário de expediente, por gente remunerada pelo Estado. Sua declaração permite supor que, quem posta nas redes não tem opinião própria, logo são uns robozinhos. E mais! Por fazerem isso “no expediente”, como afirmou, somos desocupados, largando nossos afazeres para passar o dia “no face”. O soneto ficou pior que a emenda.

O que torna Bitar um alvo imóvel nas redes sociais é exatamente essas suas imposturas, jogos de palavras, esse vazio que povoa sua existência politica,sua concepção de mundo, valores, suas alianças e aliados. Bitar ainda não percebeu, mas ele é o próprio vírus instalado no sistema operacional de sua campanha.

Pra piorar, as soluções “tecnológicas” que o candidato, e a oposição em geral, adotou também são catastróficas: Escalaram nas redes sociais uma “categoria” de gente sem postura, passam o dia vandalizando perfis e biografias alheias, produzindo memes e vídeos de baixíssima legitimidade, contra todos e tudo. Sem falar nas “figuras” que assumem as autorias dessas peças: De procurados pela justiça de país vizinho, a sites manjados, delinquentes ideológicos e toda uma pirangagem politica reunida. Não há respeito, nem respeitabilidade,apenas um bando de zumbis carniceiros formam “ a rede do candidato”.

Bitar não tem mais tempo, este recurso já escorreu por seus dedos, suas queixas não serão ouvidas, o tempo é veloz. Brigar nas redes sócias é bobagem, mas o pior mesmo, é brigar com a realidade, pois nesta, as pessoas tem rumo e seguem pra frente.