Corregedoria do Detran recebeu várias reclamações de alunos.

Rayssa NataniDo G1 AC

Foto Ilustrativa
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Procedimentos administrativos abertos envolvem quebra de contrato.

Alunos estão esperando para tirar carteira de habilitação no Acre

(Foto: G1)

cnhA corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AC) abriu ao menos cinco processos administrativos para apurar várias reclamações de alunos matriculados na Autoescola Farol, que funciona em Rio Branco. As atividades da empresa foram suspensas por 30 dias. A atual proprietária da autoescola, Sônia Freitas, alega que ainda não foi notificada.

Segundo o corregedor do Detran-AC, Fábio Eduardo Ferreira, a maioria dos processos são referentes ao descumprimento de contratos. “Um deles é o acúmulo de pedidos. Então, deve ter ao menos 30 reclamações só em um processo administrativo”, afirma.

A autoescola deve ser notificada nos próximos dias. “Essa portaria de suspensão já foi publicada e a gente deve notificar para que a autoescola possa cumprir esses 30 dias. A empresa cometeu uma infração administrativa, e aí têm alguns outros processos que demandarão outras medidas”, explica Ferreira.

Pablo Cordeiro, de 18 anos, é um dos alunos que se diz prejudicado pela autoescola. Ele afirma que seu contrato é de dezembro do ano passado. De lá para cá, a autoescola apresentou uma série de deficiências envolvendo falta de recursos humanos e materiais que impossibilitaram a retirada da habilitação de carro e moto dele e de outros colegas.

“O primeiro problema foi que a autoescola aceitava novos alunos sem ter professores para dar aulas. Da entrada do meu processo até o meu primeiro dia de aula teórica houve uma demora de uma semana. Houve atraso também nas aulas práticas, porque não haviam veículos disponíveis. Até hoje não consigui marcar minhas aulas”, afirma.

Pablo conta que procurou se informar sobre a possibilidade de transferência para outra autoescola, mas acabou desistindo. “Eu já paguei R$ 1,3 mil para a Farol. Para transferir o processo para outra autoescola eu teria que pagar uma taxa e eu não tenho como fazer isso.
Além disso, a Farol tem enrolado os alunos e segurado a documentação o máximo possível para que ninguém trasfira e o contrato vença”, afirma.

Ferreira, da corregedoria do Detran, diz que muitos clientes da Farol estão enfrentando o mesmo dilema de Pablo. “O que tem causado grandes transtornos é que muitos candidatos já pagaram pelo serviço. Para transferir para outra autoescola ,ele vai ter que pagar novamente o processo e ir atrás do reembolso desse valor que ele perdeu, judicialmente. O que, com certeza, é demorado. Por isso, muitos preferem tentar uma negociação”, explica.

Proprietária desconhece processos
Ao G1, a atual proprietária da Farol, Sônia Freitas, afirmou que adquiriu a concessão da autoescola há 45 dias e que os eventuais problemas são derivados da má administração anterior e que ainda não tem conhecimento dos processos que correm no Detran. “Ainda não fui informada. Estou precisando trabalhar. Investi aqui e não tive nenhum retorno ainda, somente prejuízos. Mas creio que tudo vai dar certo”, disse.

Ela explica que a autoescola ficou sem o sistema necessário para operar desde o primeiro dia em que assumiu a gerência. “O que está prejudicando a autoescola é que a gente está sem o sistema, por conta da administração passada que não credenciou junto ao Detran no tempo hábil, não entregou a documentação necessária. Mas a gente está correndo atrás de tudo direitinho para que a gente possa trabalhar. Não acho justo. Aqui a gente tem uns 500 alunos e eles não podem ficar prejudicados”, finaliza.