Chelton Mota diz que o preconceito existe, mas que em nenhum momento pensou em desistir do esporte por causa de deficiência: “Sempre pensei que era capaz”, completa

Fonte: G1 Acre

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Chelton Mota, de 24 anos, se interessou pelo esporte aos 12. O atleta, diagnosticado com retinose pigmentar, doença que causa a degeneração da retina, miopia e estigmatismo, pratica hoje três modalidades esportivas: taekwondo, judô e futsal, além de ministrar aulas em um centro de informática para crianças a partir de três anos em Rio Branco, capital do Acre.

Chelton Mota nunca pensou em desistir do esporte (Foto: Quésia Melo)

cheltonfaceA paixão pelo esporte começou ainda na infância quando em busca de mais estrutura foi sugerido que procurasse o Colégio Para Pessoa com Deficiência Visual (CEADV), em Rio Branco. Ao chegar, procurou o responsável pelo setor de esportes e começou então a praticar o atletismo. Entretanto, para abraçar a paixão, Chelton precisou vencer a preocupação da mãe e o preconceito.

– No início minha mãe não queria deixar muito, pois tinha medo que me machucasse. Comecei no atletismo quando o professor me chamou para correr e fiquei cinco anos nessa modalidade. Participei de vários jogos, entre eles os Jogos Escolares e o Circuito Caixa Econômica – lembra.

Ainda no atletismo, Chelton decidiu jogar futsal e procurou um professor responsável pela modalidade, que o levou a um treino. No primeiro contato com a modalidade o atleta gostou tanto que decidiu se dedicar somente ao futsal e abandonar as pistas.

– Comentei com o professor “deficiente visual joga bola? Porque eu não sabia”, então ele falou que sim, que haviam pessoas que jogavam. Fui a um treino no final de semana e gostei. Só que quando comecei a jogar era muito ruim, não conseguia ficar com a bola no pé. De pouquinho em pouquinho fui aperfeiçoando e percebi que minha alma realmente era o futsal e saí do atletismo – conta.

REALIZANDO SONHOS

Chelton durante o treino de taekwondo (Foto: Quésia Melo)

cheltonChelton lembra que desde criança tinha o sonho de jogar bola, fazer atletismo, musculação e praticar arte marcial. Foi assim que começou a treinar taekwondo e judô com o mestre Itassi Camargo, que é presidente da Federação Acreana de Taekwondo (Feteac).

– Fui realizando meus sonhos de 2002 para cá, o taekwondo surgiu quando o mestre Itassi Camargo ficou sabendo sobre a CEADV e marcou uma reunião onde propôs ministrar as aulas de taekwondo para os deficientes visuais. Algumas pessoas questionam, dizendo, onde já se viu cego batendo, pulando, chutando? Mas respondo que se consigo por que eles não podem conseguir? – questiona.

O esportista ressalta ainda que em nenhum momento achou que por causa da deficiência visual fosse incapaz de praticar esportes, mas diz que existe preconceito por parte da própria pessoa com deficiência.

– Até hoje acredito que posso fazer praticamente tudo. Já chegaram e me falaram que eu na condição de deficiente visual não poderia praticar esportes, mas não dei ouvidos. Minha família não me apoia 100% porque tem receio que acabe me machucando. Muitas pessoas deficientes não acreditam que podem fazer arte marcial, mas sempre pensei que era capaz. Meu maior sonho é participar das paralimpíadas.

Nas modalidades de taekwondo e judô, Chelton ainda não participou de nenhuma competição, mas já tem planos para 2020, quando o taekwondo deve ser reconhecido nas paralimpíadas.