Vítimas de crime virtual registraram queixa em delegacia na capital.

Vídeo foi retirado de um blog erótico na web (Foto: Reprodução)
Vídeo foi retirado de um blog erótico na web (Foto: Reprodução)

‘Juntaram minha foto com o vídeo e começaram a espalhar’, diz vítima.

O biomédico Elton Vasconcelos, de 32 anos, e Jessé Ubiratã, de 33 anos, foram surpreendidos na última quinta-feira (23) quando amigos e familiares lhes alertaram sobre um vídeo que estaria sendo compartilhado no aplicativo para celular ‘WhatsApp’. O conteúdo das imagens mostra dois homens mantendo relações sexuais e os autores do compartilhamento apontam os jovens, que moram em Rio Branco, como supostos protagonistas da cena.

“Juntaram minha foto com o vídeo e começaram a espalhar dizendo que era eu e que o vídeo teria sido gravado em uma academia de Rio Branco, onde inclusive, eu nem malho. Começou a repercussão. Primeiro uma moça me alertou, depois um primo e um amigo”, comenta Elton, que nega participação no vídeo. 

Ele diz que a mentira amplamente compartilhada tem trazido constrangimento e prejuízos. “Não quero provar para ninguém que sou hétero. Nem tenho preconceito. Respeito a opção sexual de cada um, mas claro que fica chato as pessoas me perguntando se sou eu. Trabalho em ambiente de hospital atendendo ao público e esse tipo de exposição prejudica”, afirma.

A primeira providência que tomou foi pesquisar o site oficial de onde possivelmente as imagens teriam sido retiradas. “Descobri que esse vídeo é de dois atores americanos, são pornôs mesmo. Tem um site com foto deles que diz que o filme foi gravado em 2006”, diz a vítima do crime virtual. “Logo mais, comecei a recolher imagens das conversas nos grupos do WhatsApp das pessoas que compartilharam e fui na polícia”, conta.

Procurado pelo G1, Jessé Ubiratã não foi encontrado para falar sobre o assunto. A esposa da vítima, Ana Laura Araújo disse por telefone que o marido está muito abalado e que a repercussão tem trazido muitos transtornos à família. “Ele está com o emocional muito afetado e está entrando em depressão. Tem sofrido muitos constrangimentos com essa mentira”, comenta.

Ainda segundo Ana, os dois homens não se conheciam antes do ocorrido, mas juntaram forças para  tomar as devidas providências. “Eles nunca tinham se visto antes. Me passaram o perfil do Elton na internet e eu procurei e entrei em contato. Agora essas pessoas devem pagar pelo que fizeram”, diz.

Polícia investiga

Elton Vasconcelos prestou queixa na delegacia (Foto: Elton Vasconcelos/Arquivo Pessoal
Elton Vasconcelos prestou queixa na delegacia (Foto: Elton Vasconcelos/Arquivo Pessoal

De acordo com a delegada Maria Lúcia, da 5ª Regional de Rio Branco, onde o caso está sendo apurado, a identificação dos autores do crime de difamação é difícil no âmbito da internet, mas não é impossível.

​”Hoje pela perícia nós já temos meios de identificar de qual equipamento saiu. Uma vez identificados, serão autuados. Quem compartilhou também participa da divulgação de uma matéria de vida pessoal da pessoa. Mas isso vai ficar a critério do judiciário. As vítimas também têm direito a recorrer na esfera civil a uma indenização por danos morais”, explica a delegada.

Rayssa Natani Do G1 AC