Garotas de 17 e 14 anos, viajaram ilegalmente até o acampamento. 

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Irmãs esperam por mãe para poder seguir viagem (Foto: Veriana Ribeiro/G1)
Irmãs esperam por mãe para poder seguir viagem (Foto: Veriana Ribeiro/G1)

‘Nenhum menor sai do acampamento se não for com os país’, diz Damião.

Entre as 1.200 pessoas que estão vivendo no abrigo de imigrantes em Brasiléia é possível encontrar casos complicados como, por exemplo, o de duas irmãs haitianas, uma de 17 anos e outra de 14,  que há cerca de três dias chegaram ao acampamento. 

Elas falam apenas a língua crioulo, mas com a ajuda de outros haitianos, contam que a mãe vive no Brasil há três anos e irá pegá-las no acampamento. A mais velha explica que no Haiti morava com o pai e a madrasta. Segundo as duas menores, a mãe mandou dinheiro para pagar a viagem delas até o Brasil e que enfrentaram muitos perigos no caminho.

“Em determinado momento, eles levaram a gente para um banheiro e disseram que teríamos que entrar embaixo do carro”, contou a mais velha através de um tradutor. O professor de inglês haitiano Wilfred Charenfant explica que esconder imigrantes ilegais em fundos falsos de carros é comum no momento de atravessar de um país para o outro.

A mais velha das irmãs conta ainda que, apesar dos riscos, nada de ruim aconteceu durante o trajeto e elas chegaram ao Brasil em segurança. A mais nova mostra várias fotos da mãe e diz que ela deve chegar em alguns dias.

Jovem de 14 anos, que está em abrigi de Brasiléia, mostra a foto da mãe (Foto: Veriana Ribeiro/G1)
Jovem de 14 anos, que está em abrigi de Brasiléia, mostra a foto da mãe (Foto: Veriana Ribeiro/G1)

O coordenador do abrigo, Damião Borges, explica que é comum os haitianos deixarem os filhos com parentes no país de origem e viajar para o Brasil ou outros países. Quando estabilizados, eles pagam alguém para viajar com os filhos pela rota ilegal. “Nós retemos essas pessoas e entramos em contato com a família. Fazemos um relatório do Conselho Tutelar e aguardamos a mãe ou o pai vir buscar no acampamento. Nenhum menor sai do acampamento se não for com os país”, afirma.

Ele conta que, entre os dez menores que existem no acampamento, quatro estão à espera dos pais. Damião acredita que o caso das irmãs é o mais simples. “Já entramos em contato com ela, na segunda (20) a mãe estará aqui para pegar as meninas. Ela está mantendo contato comigo constantemente”, diz.

Ele explica ainda que as duas chegaram acompanhadas por uma amiga da mãe. Para o coordenador do abrigo, o caso mais complicado é de uma outra garota, de 14 anos, que a mãe mora na Guiana Francesa e pagou U$ 4 mil para que um haitiano levasse a jovem até lá. Porém, ao chegar no Brasil, não conseguiram continuar a viagem. “O cara chegou e viu que não ia conseguir levar ela até a Guiana Francesa. Nós retemos a garota e entramos em contato com a mãe, que explicou o caso. A mãe terá que juntar dinheiro para vir pegar a menina”, afirma.

Damião ressalta que todos os casos de menores são levados ao Conselho Tutelar através de relatórios. “Já temos uma certa experiência. Muitos chegaram acompanhados de pessoas que sabemos que estão sendo pagas pra levar eles, então, eu retenho o passaporte do responsável até aparecer a verdadeira história e mando o relatório para o Conselho Tutelar. Antes tinham mais casos assim, mas como não é tão fácil como eles pensavam, está diminuindo”, fala

Veriana Ribeiro Do G1 AC