Time é formado por 12 atletas da região. Entre histórias de dor e recomeço, eles superam as dificuldades da vida e do esporte.

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Time de basquete em cadeira de rodas de Rio Branco (Foto: Reprodução/TV Acre)
Time de basquete em cadeira de rodas de Rio Branco (Foto: Reprodução/TV Acre)

Em Rio Branco, capital do Acre, um time de basquete chama a atenção. Com histórias fantásticas para contar, os atletas do único time de basquete em cadeira de rodas no estado superam as dificuldades da vida e do esporte, e sonham em disputar competições nacionais. Parece um time de basquete convencional, mas não é. Na equipe composta por 12 competidores, a modalidade é jogada sobre rodas.

O grupo se formou em 2007 e segue os treinos semanais até hoje na quadra de um colégio particular da capital acreana. Essa é a rotina que Raimundo Rocha escolheu para a vida dele há exatos sete anos. Ele ficou paraplégico após ser atingido por um tiro em um assalto. Para recomeçar a vida, escolheu o esporte.

– O esporte faz parte do meu dia a dia e da minha vida. Através do esporte pude melhorar fisicamente e psicologicamente. Também melhorou muito na questão familiar. No começo a gente cansa, mas aos poucos vai ganhando condicionamento físico – contou.

Muito além da diversão, esses jogadores aprenderam que a prática esportiva auxilia nas atividades do cotidiano. É o caso do ala Carlos Alberto, que com um ano e seis meses de idade descobriu que tinha paralisia infantil. Há quatro anos ele treina basquete e tem encontrado no esporte forças para driblar as barreiras do dia a dia.

– Nunca imaginei jogar basquete. É bom porque a gente faz exercício, se movimenta e é melhor do que ficar em casa.

Raça, habilidade e força, características do basquete convencional, aqui são elevadas ao quadrado. Para os atletas do time de cadeirantes, não há limitações, nem para correr atrás da bola nem para marcar pontos. Quem pensa que as regras do jogo são facilitadas, está enganado.

– A cesta é da mesma altura, 3m15cm, a quantidade de faltas também são as mesmas e tem falta técnica. Tudo é aplicado normalmente – explicou o técnico e armador do time, Márcio Cleide, um dos fundadores do projeto.

‘BRINCADEIRA’, SUPERAÇÃO E RIO 2016

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Cada um dos jogadores que compõe a equipe tem histórias únicas e de superação. Alguns nasceram assim, mas outros, como o pivô Gessiano Lago, começaram a viver a realidade depois de um incidente.

– Perdi minha perna com sete anos brincando com uma arma, um outro menino atirou. Morava na colônia na época. Conheci o basquete com cerca de 20 anos e fui aprendendo com eles. Fui para Porto Velho, fiz teste em Brasília e passei seis meses treinando em uma equipe de lá. A pessoa que tem deficiência acha que é excluída da sociedade. Realmente, se você acha, é excluído. Mas o esporte me fez abrir os olhos para muita coisa – destacou Lago.

Superar os obstáculos tem sido uma máxima na vida de Gessiano. Hoje ele é jogador profissional em um time de Rondônia e sonha com as Paralimpíadas do Rio, em 2016. O primeiro passo é a Seleção do Norte e quem sabe o próximo é a Seleção Brasileira.

Acho que vai dar tudo certo – concluiu.

CONHEÇA PARTE DO ELENCO

Gessiano Lago – pivô
José Ricardo – ala
Márcio Cleide – armador
Carlos Alberto – ala
Raimundo Rocha – pivô
José de Souza – ala

Colaborou Júnia Vasconcelos, da TV Acre.