São resultado de ações do governo que reconhece e valoriza o potencial que o estado possui.

Por Valéria Santana

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Desde que o governo do Estado deu início às políticas voltadas para o setor turístico, em 2003, os municípios acreanos identificados pelo Mapa do Turismo subiram de dez para dezesseis. A avaliação integra o Programa de Regionalização do Turismo e é atualizada a cada quatro anos, uma forma de o governo federal identificar áreas como produto turístico.

No Vale do Acre, o Programa abrange Porto Acre, Epitaciolândia, Rio Branco, Xapuri, Brasileia, Assis Brasil, Capixaba e Senador Guiomard. Além desses municípios, também fazem parte os do Vale do Juruá – Marechal Thaumaturgo, Feijó, Tarauacá, Rodrigo Alves, Jordão, Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira.

De acordo com publicação divulgada pelo Mapa em dezembro de 2013, a quantidade de municípios participantes do Programa de Regionalização do Turismo no país caiu de 3.635 para 3.345. Porém, a realidade do estado acreano se destaca diante dos dados recolhidos.

“Esses avanços são resultado de ações do governo que reconhece e valoriza o potencial que o estado possui. O Acre deixou de ter uma imagem clandestina, ignorada pelas demais regiões do país. Temos produtos turísticos com destinos preparados para receber os visitantes, o que também representa geração de renda local”, explica Leonildo Rosas, secretário de Turismo e Lazer.

O resultado reconhecido com premiação nacional

No ano passado, o Acre foi eleito destaque por ter o melhor desempenho na categoria Cooperação Regional, com o destino indutor Rio Branco, por ser a capital, um município procurado por visitantes como ponto de partida, se tornando porta para apresentar outros locais dentro do estado.

O relatório “Turismo em Números”, da Secretaria de Turismo e Lazer (Setul), mostra que o fluxo turístico aéreo, que estava em 322.114 passageiros no ano de 2009, saltou para 382.469 em 2012. Animados pelo crescimento nessa movimentação, quatro novos hotéis, franquias de redes nacionais e internacionais, estão sendo construídos na capital.

Francisco Telles Neto, sócio-majoritário de uma rede hoteleira internacional, justifica a escolha de estabelecer franquia no Acre pelo potencial que o estado demonstra. “A escolha de investir em Rio Branco foi feita por meio de pesquisa de mercado. Ainda não tinha nenhum meio de hospedagem com bandeira internacional aqui. O hotel vem atender a todo tipo de turista, mas o fator que motivou a construção foi do crescente número de turistas que vêm a negócios”, afirma.

Para melhorar a oferta de mão de obra qualificada, por intermédio de formações específicas que atendam ao mercado, o governo do Estado tem disponibilizado cursos técnicos pelo Pronatec, formação viabilizada por meio do Instituto Dom Moacir (IDM), em parceria com a Setul.

Ronei de Alencar está no curso de Camareiro em Meios de Hospedagem e enfatiza a importância dessa qualificação para atingir o seu objetivo. “Após o término desse curso, que tem a duração de dois meses, vou me preparar para conseguir um emprego no ramo do turismo e, assim, conseguirei também meu sustento”, disse.

Geração de Renda

O mesmo relatório apresenta, ainda, informações sobre empregos diretos e indiretos gerados pela cadeia de turismo no Acre. Em quatro anos, 71.380 pessoas foram incorporadas ao mercado de trabalho.

O crescimento econômico que proporciona autonomia às empresas do setor e comunidades gerando receita, é fruto também de parcerias do governo com instituições como o Sebrae. Nesse trabalho conjunto, os artesãos locais aprimoraram técnicas, definiram identidade de design às peças produzidas por eles. Essas forças somadas renderam para o artesanato o faturamento que superou a casa dos R$ 3 milhões.

José Rodrigues de Araújo, o “doutor da Borracha”, artesão que trabalha com o látex colhido em sua propriedade, conta com orgulho sobre o que já alcançou com o fruto do seu trabalho. “O artesanato representa tudo na minha vida. Faz sete anos que a renda dos produtos que eu comercializo sustentam eu e minha família. Por causa de feiras como a do Projeto Comprador [parceria Setul e Sebrae], tenho contato de lojistas de São Paulo, do Rio de Janeiro, que fazem encomenda direto comigo”.