Barbearia é museu do Flamengo em, no interior do Acre

Proprietário herda estabelecimento do pai e há oito anos coleciona objetos. 

Getúlio Alves é um dos milhões de torcedores apaixonados pelo Flamengo (Foto: Duaine Rodrigues)
Getúlio Alves é um dos milhões de torcedores apaixonados pelo Flamengo (Foto: Duaine Rodrigues)

Getúlio Alves de Almeida Filho tem 44 anos de idade e há 16 herdou de pai a barbearia que administra no município acreano de Senador Guiomard, localizado a aproximadamente 30km de Rio Branco, capital do estado. O espaço, que já foi do avô, passa de geração em geração dentro da família e desde que está sob os cuidados de Getúlio Alves ganhou uma característica que chama a atenção de quem passa pela rua onde fica a propriedade. Rubro-negro desde que ‘saiu da maternidade’, como ele mesmo diz, transformou o ambiente em um minimuseu do Flamengo há oito anos: a ‘Barbearia Museu Pai & Filho’.

 Quando herdei, tinha uma decoração simples. Sou Flamengo praticamente de berço. Quando saí da maternidade, já saí com a camisa do Flamengo. De lá para cá fui tomando gosto pelo time e, de repente, resolvi radicalizar, digamos assim. Então, decidi fazer a barbearia com as cores do time. Fui modificando aos poucos – explicou o flamenguista.

Entre tantos objetos como miniaturas, cartões que contam a história de títulos conquistados pelo Flamengo, pôsteres, quadros, placa personalizada enviada do Rio de Janeiro, um se destaca mais e é considerado o mais valioso pelo barbeiro: a geladeira que mandou pintar com as cores do clube.

– Mandei personalizar com um amigo que pinta carros e teve a ideia de fazer o escudo do clube em alto relevo. Esse é o bem mais valioso que tenho aqui – destacou Getúlio, que também cita como relíquia uma cadeira de barbeiro fabricada em maio de 1878, que passou pelas três gerações da família.

Getúlio Alves está pensando em leiloar os objetos do museu (Foto: Duaine Rodrigues)
Getúlio Alves está pensando em leiloar os objetos do museu (Foto: Duaine Rodrigues)

Mas ele garante que sua barbearia não agrada somente aos flamenguistas. Para não ficar mal com os clientes torcedores de outros times, ele resolveu usar toalhas personalizadas de acordo com o gosto do cliente.

– Aqui não tem preconceito. Tenho toalhas de outros times, como Vasco, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Fluminense e vários. Antes só tinha coisas do Flamengo e o pessoal que torcia para outros times reclamava. Então, para agradar aos clientes, optei por ter as toalhas. Sou um torcedor colecionador. A minha intenção é deixar o ambiente mesclado com as cores rubro-negras e as cores do Brasil, por causa da Copa do Mundo de 2014 – avisou.

A transformação, segundo Getúlio Alves, fez o local ser visto como um ponto turístico em Senador Guiomard. Além disso, aumentou bastante o número de fregueses.

– Eles param, tiram fotos, filmam. Trazem os filhos para conhecer. Atrai os flamenguistas e também os críticos, no caso os torcedores de outros times. Tenho clientes de todas as torcidas.

Um desses clientes é o eletricista Márcio José, de 24 anos. Vascaíno, ele usa os serviços da barbearia há três anos. No início, estranhou, mas afirma que a rivalidade das torcidas fica em segundo plano diante da amizade.

– Achei diferente. Só aqui na cidade mesmo tem uma barbearia do Flamengo no Acre. Já rodei por várias cidades e não encontrei  em lugar nenhum. Não tive receio nenhum, a amizade vale mais. Sou vascaíno, ele flamenguista, mas a rivalidade é só dentro de campo.

Getúlio Flamengo Quinari (Foto: Duaine Rodrigues)

‘Flamengo até morrer’

Apesar da presença do arqueiro acreano Weverton no gol do Atlético-PR, adversário na final da Copa do Brasil, Getúlio Alves declarou que não teria como torcer para o rubro-negro paranaense.

– Ele (Weverton) que me desculpe, que é acreano. Sou flamenguista, não tem como torcer para outro time. É Flamengo até morrer. Flamenguista mesmo não torce contra. Ficamos orgulhosos por ter um acreano jogando contra o nosso time de coração. Agora, os outros times, todos torcem contra o Flamengo. O Flamengo só tem duas torcidas, aquela que o ama e aquela que o odeia.

Fim do museu?

Getúlio Alves diz que está pensando em abandonar a coleção. Evangélico, ele quer dedicar seu tempo à palavra de Deus, e por isso pode se desfazer dos objetos rubro-negros. Mas ressalta: deixar de ser flamenguista, jamais.

– Provavelmente, estou quase abandonando a coleção. Sou evangélico e agora quero levar a palavra do Rei. Não vou deixar de torcer para o Flamengo, mas não serei mais colecionador. Quero leiloar ou vender. Tenho um preço na geladeira, que vale R$ 2,5 mil. Quem comprá-la pode levar tudo que é do Flamengo  que tenho aqui na barbearia.

Por  Rio Branco,G1- AC