O legado de Chico Mendes: um brasileiro do bem que há 25 anos nos deixou

Chico Mendes
Chico Mendes

O Brasil e o mundo relembram, agora em 2013, os 25 anos da morte de , um brasileiro que se tornou símbolo mundial de resistência à invasão e exploração da floresta amazônica por interesses meramente econômicos que queriam transformar a mata em pasto, com a destruição, particularmente no Acre, dos seringais, fonte de vida para milhares de habitantes da floresta.

Chico Mendes era líder dos seringueiros e tem uma história de vida comum a milhões de brasileiros. Começou a trabalhar com 11 anos de idade, nos seringais, recolhendo o látex das árvores – a seringueira – para a fabricação da borracha. À noite, o menino Chico se entregava à leitura dos livros que caíam em suas mãos, além de ter um interesse sempre crescente por notícias da cidade que chegavam na floresta com semanas de atraso.

Aos 12 anos, conheceu Euclides Távora, que havia participado de lutas políticas no Rio Grande do Norte e, perseguido pela polícia, havia se refugiado na floresta amazônica e foi bater nos seringais onde Chico Mendes trabalhava. Foi também nas infindáveis conversas com Euclides que o adolescente foi entendendo o significado e a importância da luta em defesa da terra e do meio ambiente.

Lendo, estudando, conversando, se atualizando, Chico se tornou uma liderança natural na região e foi organizando as famílias para defender suas terras diante do avanço do desmatamento e da pecuária. Para impedir este avanço, os seringueiros, suas mulheres, seus filhos ficavam de mãos dadas na frente das máquinas e das motosserras que, para evitar uma tragédia maior, paravam de funcionar. Através destes movimentos, os seringueiros, índios e ribeirinhos – que haviam se juntado à luta – conseguiam atrasar os projetos de ocupação e, ao mesmo tempo, exerciam um forte poder de conscientização entre o que eles chamavam de “povos da floresta”.

É evidente que, do outro lado, também crescia a pressão pela ocupação, criando um constante clima de confronto. Em 1977 começavam a surgir as primeiras ameaças de morte a Chico Mendes. Em 22 de dezembro de 1988 um tiro de espingarda, desferido quase a queima roupa, matava o líder seringueiro e ambiental, na porta da sua casa, em Xapuri, no Acre.

Como um rastilho de pólvora que atravessa trilhas e caminhos, a morte de Chico Mendes repercutiu no mundo inteiro e a própria imprensa pressionou para a punição dos culpados que foram localizados, julgados e condenados, graças ao depoimento de um rapaz de 15 anos, Genésio Ferreira, que, apesar de ameaçado, apontou, corajosamente, os autores do crime.

No Brasil, nem tanto, o que é uma pena, mas, principalmente, na Europa, Chico Mendes é visto e tratado como um exemplo de coragem e destemor em defesa da Amazônia e do meio ambiente. É colocado, inclusive, ao lado de grandes personalidades pacifistas da história, como Martin Luther King, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi. Em diferentes cidades do mundo se multiplicam homenagens e reconhecimentos ao trabalho que ele realizou, como em Milão, na Itália, onde foi plantada, numa linda praça, uma árvore para reverenciar a sua memória e a sua luta.

Assim como, no início de cada ano, se restauram as esperanças, a lembrança de um brasileiro como Chico Mendes pode sempre nos servir de exemplo, pois a luta em defesa do meio ambiente e da sustentabilidade do Planeta é longa e árdua.

Fonte-sena 24 horas