Um líder DO SINDICATO RURAL DE BRASILÉIA

Chicão, um Líder Sindical acreano
Chicão, um Líder Sindical acreano

Francisco Alves Pereira,Chicão, um Líder Sindical acreano que nasceu no dia 30 de maio de 1948 para fazer parte da história de pessoas que o admiram e nunca esquecem.

Homem de família grande e simples Chicão podia contar ainda com muitos amigos especialmente do movimento social.

Sua grandeza

Além da estatura de 1,78 razão por qual ganhou o apelido de CHICÃO, tinha um espírito solidário e defendia o direito de igualdade social.

Sua maneira calma e inteligente de trabalhar impressionava as pessoas pois não teve oportunidade de estudar por muito tempo.

Sua história tem início com a fundação do Sind. dos Trabalhadores rurais de Brasileia e Epitaciolandia  em 1975.

Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em 1980, diretor do STR/BE 1988 e eleito duas vezes a presidente cumprindo mandatos seguidos  fazendo um brilhante trabalho no período de 1994 a 2000.

Chicão foi um dos líderes que representa muito para o movimento social em Brasiléia, um exemplo de ser humano que lutou em defesa de seus representados.

Tinha o dom de fazer o bem e  um sonho de ver o mundo mudar para melhor.

balinha que costumava levar para distribuir nas comunidades.
balinha que costumava levar para distribuir nas comunidades.

Artista

Chicão tinha capacidade de criar músicas, poemas e um raciocínio  de improvisar rimas. Criou vários versos a maioria deles dedicados aos seringueiros.

Contava a história do Sindicato desde sua fundação, lembrando de nome e sobrenome dos companheiros e com detalhes de dia mês e ano,  histórias de visitas como por exemplo à reserva extrativistas Chico Mendes

que fazia a maior parte do tempo a pé, e ficava feliz quando via  o sorriso de uma criança ao receber uma balinha que costumava levar para distribuir nas comunidades.

A saúde

Ao longo da vida Chicão teve muitos problemas de saúde, foram muitos anos de luta pela vida e foi submetido a três cirurgias.

Pedia que quando partisse ninguém chorasse, pois ele estaria descansando.

Um homem de fé que passava horas lendo para esquecer dos problemas e seu rosto sempre manifestava alegria.

Sua partida

Chicão faleceu em 10 de outubro de 2011, pouco tempo depois do implante de um marca-passos, lutou para estar no nosso meio e foi guerreiro ate o fim.

Partiu para a eternidade, pois tinha cumprido uma missão na terra e entregado sua vida a Deus.

Chicão somente passou para o outro lado do Caminho. O que era para nós, continuará sendo e lhe daremos o nome que sempre mereceu. Nos estamos no mundo das criaturas, ele agora vive no mundo do Criador. Não utilize tom solene ou triste, podemos rir daquilo que sempre nos fazia rir juntos. Por exemplo falar frases combinadas. Que seu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo, sem nenhum traço de sombra ou tristeza.

A vida significa tudo o que ela sempre significou o fio não foi cortado. Chicão estará dentro do nosso coração e nos pensamentos de muitos, aos que acreditam rezem, orem ou somente riam e pensem nele. Atos 7:56 Estêvão, antes de adormecer, viu o céu aberto e o Filho do homem à direita de Deus Pai. Mateus 5:8 Jesus diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”.

Versos de sua autoria

‘O seringueiro trabalha tanto, mais nunca tem nada, começa a trabalhar bem sedo de madrugada, levanta enfrenta o frio, oh que dura parada, mais para o patrão ele não vale nada.”

‘Faz o fogo e o café, e esquenta o feijão, coloca farinha dentro e faz o farofão, começa a pensar o que é alimentação como é triste a minha situação, tanto que eu trabalho mais só dar pro patrão, desde criança que vivo na escravidão”.

“Joga o marico nas costas, faca de seringa na mão, espingarda na bandoleira, terçado no cinturão, poronga na cabeça, rasgando a escuridão, chegando ao pé da seringa a ela pede perdão. Perdoa-me seringueira por que eu vou te cortar pra tirar o teu leite pra minha família criar, depois que perde perdão que comecei a cortar, embutino a tigela para o leite aparar, saindo do pé da seringa comecei a caminhar, andando bem de pressa para na outra chegar”.

“Seringueiro homem de coragem que enfrenta toda parada acorda gogó-de-sola, espanta onça pintada, acorda pico de jaca bem sedo da madruga, enfrenta todo perigo e não tem medo de nada”.

“Sai 1 hora da madrugada 5 da tarde que vem chegando, com o corpo cansado e a barriga roncando, coloca o leite na bacia e pra casa vai andando, pra comer o feijão e no leite esta pensando, pega logo a refeição e pra trás vai andando, bota fogo na fornalha e o leite vai defumando”.

‘‘A vida do seringueiro e sempre na floresta, trabalhando no amanhecer do dia ouve a passarada cantar, a onça pintada esturrar, é tão temoroso que até os pássaros começa a voar, até o irapuru começa a cantar e assim é a vida do homem que na floresta vive a trabalhar”.

“Obrigado seringueira de uma boa produção, por que com o teu leite e que eu tenho alimentação, o teu sangue é apreciado faz veiculo rodar no chão faz pneu de carro e pneu de avião, por isso que nos queremos a tua punição da seringueira e da castanheira desta grande nação”.

‘Eu também sou seringueiro desta grande nação, quero terminar meu verso deixando a minha saudação, é triste ser seringueiro por que vive na escravidão, o produto que a gente faz três partes é do patrão, ele tira na balança rouba na conta com as duas mãos, mais para o seringueiro nunca teve punição”.

Uma homenagem da Diretoria do STR/Brasiléia, família, amigos e companheiros do companheiro CHICÃO.
Uma homenagem da Diretoria do STR/Brasiléia, família, amigos e companheiros do companheiro CHICÃO.

Escrito por Ligia Gomes e João de Lima Pereira Informações: família e amigos Imagens: STR/Brasiléia