Injustiça contra deputado não devia ser preso nem ser cassado

Outro caso é o de Sérgio Petecão que foi acusado, com fartas provas, de sonegação fiscal ao esconder patrimônios como fazendas
Outro caso é o de Sérgio Petecão que foi acusado, com fartas provas, de sonegação fiscal ao esconder patrimônios como fazendas

O caso do deputado Natan Donadon, de Rondônia, é exemplo claro de que o problema no Brasil não é os políticos e sim os eleitores. Esse deputado foi eleito em 2010 mesmo respondendo a diversos processos por crimes variados. Em alguns teria, inclusive, sido condenado.

Seus eleitores sabiam dessas denúncias e também das condenações. Mesmo assim votaram nele. Não tenho dúvida de que grande parte desses eleitores foi para as ruas, em junho e julho, participar das manifestações que levaram milhares às ruas em todo o Pais.

No Acre, muita gente também foi às ruas durante os protestos daquela época. Da mesma forma, grande parte votou em políticos notadamente não-merecedores de confiança. Querem exemplos? Flaviano Melo é um deles. Esse político é conhecido de todos pelas falcatruas da famigerada “Conta Flávio Nogueira”. Agora vão querer dizer que essa pessoas não sabiam desses detalhes?

Outro caso é o de Sérgio Petecão que foi acusado, com fartas provas, de sonegação fiscal ao esconder patrimônios como fazendas, lotéricas e mansões em Rio Branco. Mesmo tudo isso vindo a público, ele foi eleito e representa o Acre no Congresso Nacional. Dizem que ninguém conta piadas melhor do que ele nos corredores do Senado.

Diante disso tudo, quem são os errados: eles, os políticos corruptos, ou nós, os eleitores despreparados? Não tenho dúvidas de que somos nós.

O Congresso é uma representação do povo brasileiro e, portanto, retrata a vontade popular. Lá estão todos aqueles que escolhemos para deputados, senadores e demais autoridades. É bom que se repita, grife e negrite em caixa-alta: ESCOLHEMOS!.

Outro dia eu escrevi algo assim no Facebook e algumas pessoas vieram contestar, afirmando que “ninguém tem estrela na testa dizendo que é corrupto”. Pura desculpa de amarelo. Não tem estrela, mas tem antecedentes, tem passado, tem atuação e tem referências, coisa que devíamos levar em conta na hora de votar.

Mas, convenhamos, quantos eleitores levam em conta os critérios acima? Poucos, eu diria. O eleitor sabe quem é bom e quem não é. Sabe, sim, pois lhes é dito e redito, seja pelo próprio político que mostra suas unhas ao longo de sua vida pública, seja pelas denúncias que são apresentadas contra eles na mídia. O eleitor sabe, mas vota! Vota porque, nós, os eleitores, também temos nossa parcela de corrupção impregnada no nosso cerne. Nos vendemos por pouco. Também queremos levar vantagem sempre em alguma coisa e o voto é a nossa moeda de troca. Com ele podemos negociar alguns cobres no dia das eleições – as vezes uns R$ 50 ou R$ 100, quando muito -, ou uma telha para a cobertura da casa, quem sabe uma dentadura para um sorriso amarelo mais bonito. Mas, na maioria das vezes, nos contentamos com as falsas promessas de um emprego depois que o político for eleito.

Fazemos tudo isso e não nos apercebemos que estamos dando autorização para que o político nos represente corrupto em Brasília. Daí, quando vemos que o que eles fazem é prejudicial para a nossa vida de cidadão, para a dos nossos filhos e dos entes próximos, para nossa cidade e para tudo mais que nos rodeia, nos revoltamos e dizemos que eles não nos representam, quebramos tudo e exigimos ética na política. Isso é hipocrisia da mais pura possível.

Vamos adiante para falar um pouco mais da nossa culpa como agentes promotores do que de pior existe na nação. Todos nós, de uma forma ou de outra, damos nossa farta parcela de contribuição para azedar a moral da política nacional. O famoso “jeitinho brasileiro” é o suprassumo do nosso ego-corrupto. Nos orgulhamos dele, mas nele está a justificativa para os nosso erros e para a feia educação que damos aos nossos jovens.

Reclamamos da saúde, do péssimo atendimento e das falcatruas que frequentemente são alardeadas nessa área, mas não nos importamos quando temos um amigo “lá dentro” que, por “baixo dos panos”, nos adianta uma consulta ou um exame, passando à frente de muita gente que há meses espera pelo serviço que nunca chega.

Na segurança, nos calamos quando somos extorquidos por um policial que exigem uma propina para investigar aquele caso do roubo do seu carro ou da sua casa e batemos palmas quando esses mesmos policiais quebram um bandidinho pé-de-chinelo de porrada e estampa a cara dele no telejornal, mas protege o corrupto deputado/autoridade dos infernais repórteres. No interior da delegacia, enquanto o policial aplica tabefes para o bandidinho confessar o roubo da galinha, chama de excelência o bandidão que roubou milhões do erário.

E os jovens, esse mesmos que saíram às ruas exigindo mudanças e dizendo que não são representados por ninguém? A maioria desses também não está isenta. Desde cedo acha bonito passar colando na escola. Na faculdade, do mesmo jeito. Muitos, ao se formar, gabam-se do 10 na monografia ou TCC que pagou para um “profissional” fazer. Pois é… já tem até gente especializada em fazer monografia, TCC e teses diversas, inclusive de doutorado.

Formados, outro tanto de ex-alunos dá sempre um jeitinho de conseguir aquela “carteirinha” de estudante que lhe garante o direito de pagar meias no cinema, teatro e shows.

Para finalizar, quero agora reafirma o título desse texto: Natan Donadon não devia estar preso e muito menos deve ser cassado, pois, se ele é bandido, seus eleitores tinham conhecimento e, mesmo assim, o quiseram deputado. Defendo sua soltura imediata e sua recondução ao cargo que exerce representando seu povo.

Da mesma forma, defendo que Flaviano seja eleito novamente governador do Acre, bem como que Petecão seja reeleito senador por mais um, dois ou três mandatos para que possa continuar contando suas piadas e fazendo suas gracinhas lá em Brasília. Se o povo acreano assim quiser, assim será!

Escrito por Tião Vitor