A mulher do político, Blanca Inez Pinto, duas filhas e quatro netos menores de idade estão morando em uma casa alugada em Epitaciolândia

Denise Pinto, filha do Senador Boliviano Roger Pinto (destaque), está preocupada com a segurança do pai que chegou ao Brasil no último sábado (24)/ imagem El Diario Bolivia
Denise Pinto, filha do Senador Boliviano Roger Pinto (destaque), está preocupada com a segurança do pai que chegou ao Brasil no último sábado (24)/ imagem El Diario Bolivia

Em Epitaciolândia (AC), Denise Pinto, filha do senador boliviano Roger Pinto Molina, teme pela segurança do pai. Ela afirmou nesta segunda-feira (26)  que o pai não pode ver a família, que desde 2012 está refugiada no interior do Acre, porque a cidade fica próxima à fronteira com a Bolívia.

“Já vimos a possibilidade de irmos a Brasília, mas para nós é difícil, porque minha família é muito numerosa. Estamos preocupados com a segurança do meu pai, nós não queremos que ele venha nos encontrar, pois estamos em uma cidade que faz fronteira com a Bolívia”, afirma Denise.

O senador, opositor do governo do presidente da Bolívia Evo Morales, chegou ao país no último sábado (24) após uma viagem de 22 horas de La Paz até Corumbá (MS), com uma operação que contou com a participação do encarregado de negócios do Brasil em La Paz, Eduardo Saboia, e do senador brasileiro Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Denise acredita que a condição de seu pai não mudou devido a viagem. “Ele veio para o Brasil acompanhado de um diplomata brasileiro, escoltado por uma força militar brasileira, em um carro diplomático e simplesmente entrou pela fronteira, então entendemos que seu status de refugiado não se modificou”, disse.

A mulher do político, Blanca Inez Pinto, duas filhas e quatro netos menores de idade estão morando em uma casa alugada em Epitaciolândia na condição de refugiados desde junho de 2012. Denise era a única que não havia se refugiado no Brasil. “Fiquei em La Paz para cuidar de meu pai, era a única que tinha contato”, disse. Ela soube da operação para retirar Roger do país na última quarta-feira (21), por intermédio de seu pai, que pediu que ela deixasse La Paz e fosse para o interior do Acre.

Segundo Denise, a saúde de Roger Molina está debilitada, já que o político teve um quadro de depressão por não poder ver a família. ”Ele passou 15 meses sem poder sair, tendo que fazer as mesmas atividades todos os dias, separado de sua família. Ele tem 35 anos de matrimônio e não podia ver sua esposa e seus netos. Isso afetou muito a sua saúde. As pessoas que o conhecem vão ver a diferença entre antes e depois de entrar na embaixada”, afirma.

Denise espera que o pedido de asilo seja aceito. “Estamos esperando que a condição de exilado seja mantida, se não, que se respeite a condição que o Brasil já demonstrou ter dado”, disse. A filha do senador boliviano afirma que este é um momento de recomeçar.

“Se pudéssemos, teríamos permanecido na Bolívia. Agora é hora de começar uma nova vida, buscar um novo lugar, aprender um novo idioma. Temos a esperança de que o governo boliviano deixe de perseguir meu pai, para encerrar esse capítulo e que a vida dele possa ser reconstruída, para termos um futuro juntos no Brasil”, disse Denise Pinto.

Entenda o caso
O senador boliviano Roger Pinto, de 53 anos, chegou ao Brasil depois de viver mais de um ano asilado na embaixada brasileira em La Paz. Ele foi trazido pelo diplomata brasileiro Eduardo Saboia mesmo com a vinda dele ao país não tendo sido autorizada nem pelo governo boliviano nem pelo brasileiro.

Pinto foi condenado no mês de junho a um ano de prisão por “abandono do dever” e por “dano econômico ao Estado”. Segundo a denúncia, ele foi responsável por prejuízo de mais de 1,6 milhão de dólares aos cofres públicos em 2000, acusado de conceder recursos de maneira irregular à Universidade Amazônica de Pando. Ele responde ainda a cerca de 20 processos por desacato, venda de bens do Estado e corrupção.

Todavia, o parlamentar alega que está sofrendo perseguição política e afirma que os processos foram instaurados depois que ele fez denúncias de corrupção contra o governador de Pando e entregou informes reservados ao presidente Evo Morales sobre supostas ligações de autoridades com o narcotráfico.

Da Redação-com veriana Ribeiro do G1