Dia mais crítico foi sexta-feira, 16, registrou 140 microgramas/m3 de fumaça

Como gealmente ocorre nos meses de estiagem, está de volta a fumaça das queimadas que às vezes fica quase insuportável respirar nas cidades do Acre. A poluição sazonal já causou surtos de diarreia e interrupções de pousos e decolagens em aeroportos.

Em Rio Branco, o monitoramento do acúmulo de fumaça na atmosfera, realizado pelo grupo de estudos e serviços ambientais da Universidade Federal do Acre (Ufac), aponta que no mês de agosto deste ano o índice de concentração de fumaça no ar na capital varia entre 20 e 60 microgramas por metro cúbico (microgramas/m3) por dia. O máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 50 microgramas/m3.

No dia mais crítico, dia 16, chegou a 140 microgramas/m3. Um índice considerado preocupante, segundo o climatologista e coordenador do grupo de estudos da Ufac Alejandro Fonseca. “Foi bastante alto. Houve muitos focos de queimada urbana nesta data. Posso afirmar que provavelmente aumentou a incidência de crianças ou idosos nos hospitais e postos de saúde, afetados pela fumaça, porque tem uma relação direta”, explica.

Em Cruzeiiro do Sul, segundo maior município do estado, não há registro do nível de poluição, mas à noite, quando a temperatura diminui, a fumaça desce a ponto de irritar os olhos e tornar difícil a visibilidade para os motoristas.

O tempo seco e o aumento dos registros de queimadas urbanas são apontadas pelo pesquisador como as principais causas da concentração de fumaça no ar. As chamadas para contenção de incêndio chegam a mais de 40 por dia. “É um número que está acima da média, que é de no máximo 30″, diz.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no período que vai do dia 1º de agosto até esta terça-feira (20), o Acre é o 14º estado com maior incidência de focos de queimadas do país, com 397 focos registrados. Ficou na frente de estados como o Rio de Janeiro, com 153, e Espírito Santo, com 171 focos.

Mesmo com números preocupantes, 2013 ainda não supera o ano anterior, quando o índice de acúmulo de fumaça chegou a 250 microgramas/m3 na última semana de agosto. “Temos que levar em consideração que agosto ainda não terminou. Mas em 2012 o mês de agosto foi muito mais preocupante. Tanto em termos de focos de incêndio como em concentração de fumaça na atmosfera”, afirma Fonseca.

 

Rio Branco Acre
Rio Branco Acre
 Fonte-Voz do Acre