Usando a criatividade para fugir da crise, a dona de casa de 52 anos Maria Lúcia oferece seus serviços de costureira em calçada no centro de Rio Branco.

Dora Monteiro/Fotos: Manoela Mesquita

Usando a criatividade-Fotos: Manoela Mesquita
Usando a criatividade-Fotos: Manoela Mesquita

Não há idade para começar a pagar penitência quando o assunto é lutar para garantir o sustento da família. Mergulhados numa crise financeira sem precedentes, brasileiros e andinos se instalam no coração da cidade em busca de alternativas capazes de suprir as necessidades da família sem esboçar a menor preocupação com a fiscalização da prefeitura.
Usando a criatividade para fugir da crise, a dona de casa de 52 anos Maria Lúcia oferece seus serviços de costureira em calçada no centro de Rio Branco.
Usando a criatividade para fugir da crise, a dona de casa de 52 anos Maria Lúcia oferece seus serviços de costureira em calçada no centro de Rio Branco.
Ao lado da antiga Caixa Econômica Federal no centro de Rio Branco, uma pequena barraca onde antes dona Maria Lúcia, 52 anos vendia bombons, chocolates, chicletes, bugigangas e até cafezinho para os clientes da agência, transformou-se em uma espécie de ateliê de costura instalado no meio da rua, causando surpresa aos olhares curiosos de quem passa pelo local
Crise na informalidade
De posse de sua velha máquina de costura de marca Singer instalada na frente da barraca coberta por uma lona quente e luminárias amarradas por barbantes prontos para despencar, a dona de casa diz sem perder o bom humor, que o improviso veio com o medo de passar fome junto com os três filhos.
Os problemas de dona Lúcia aumentaram, segundo ela, com a mudança de endereço da Caixa Econômica Federal para a Avenida Brasil no ano passado. “Antes, eu vendia para os clientes do banco o suficiente pelo menos para comprar o pão de cada dia na minha casa, agora nem isso mais eu consigo”, reclamou.
Dona Maria relatou os momentos difíceis que vem passando e disse que o maior deles é quando chove. “O pior de tudo é quando vem a chuva que eu preciso colocar essa máquina debaixo da lona”, relata a dona de casa acrescentando que os consertos de roupas que faz em sua velha ferramenta lhe rende um valor acima de quinze reais por dia.
Esperança no poder público

Ela confidenciou com um sorriso no rosto que na semana passada, recebeu a visita de dois fiscais da prefeitura que garantiram que o prefeito Marcus Alexandre quer ajudá-la. “Tomara que seja rápido minha filha, porque não está sendo nada fácil suportar o calor e a chuva todos os dias”, lamenta.
A costureira reclama das dificuldades financeiras que vem passando nos últimos dias junto com os três filhos e o marido aposentado que tem garantido um salário mínimo por mês, valor que segundo ela é insuficiente para o sustento da família. “A esperança agora é que o prefeito apareça por aqui e nos ajude”, almeja a dona de casa.