Adriana JustiDo G1 PR

 

Centenas de manifestantes saíram às ruas de Curitiba para participar da Marcha das Vadias na manhã deste sábado (13). foto-1Apesar do ar gelado de 15ºC, o sol favoreceu para que várias mulheres tirassem as blusas para marchar contra o machismo, a homofobia, a transfobia, racismo e outras formas de opressão na capital.

O movimento, que luta pelo fim da violência contra a mulher e pela igualdade de gênero, começou em frente à Praça 19 de Dezembro às 11h, no Centro da capital.

“Se uma mulher não pode andar sem blusa na rua, imagine o que mais ela não pode fazer?”, indaga a professora Jussara Cardoso de Souza Mellho. “Na verdade isso não ofende a ninguém. Eu tirei a minha blusa para mostrar que nós temos que ter os mesmos direitos que homens”, declara.

O grupo deve seguir em passeata por diversos pontos do Centro de Curitiba, entre eles a Avenida Cândido de Abreu, a Rua Barão do Serro Azul, Paço Municipal e Boca Maldita. Em 2012, o evento reuniu entre mil e 1,5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar (PM). O protesto é realizado sob escoltada pela Polícia Militar e pelo Secretaria Municipal de Trânsito (Setran).

Manifestantes vão seguir para a Boca Maldita, no Centro (Foto: Adriana Justi / G1)Manifestantes vão seguir para a Boca Maldita, no Centro                                                                  (Foto: Adriana Justi / G1)

Organizado pelas redes sociais, o evento em Curitiba tinha mais de 3 mil presenças confirmadas no Facebook até o início da manhã deste sábado. Uma das organizadoras, Máira de Souza Nunes, explicou que o movimento já trouxe alguns pontos positivos na capital, como a divulgação de cartazes nos ônibus e terminais do transporte coletivo.

Vitor é homossexual e também participa da marcha (Foto: Adriana Justi / G1)Vitor é homossexual e também participa da marcha
(Foto: Adriana Justi / G1)

“Este ano nós vamos marchar e protestar forte contra uma denúncia da omissão do poder público com relação à violência contra a mulher em Curitiba e em todo o estado do Paraná. Nós precisamos de medidas concretas”, declara.

O estudante Vitor Duarte, de 25 anos, disse que o machismo também afeta os homossexuais.

“Isso me atinge diretamente, assim como muitas pessoas. Eu fiz questão de vir aqui para demonstrar o meu apoio e lutar contra isso. Essa é a primeira vez que eu aderi ao movimento e estou adorando”, argumentou.

Mulheres lutam pelo fim da violência contra a mulher e pela igualdade de gênero (Foto: Adriana Justi/G1)Elas lutam pelo fim da violência contra a mulher e pela igualdade de gênero                                       (Foto: Adriana Justi/G1)

Como surgiu
A Marcha surgiu no Canadá, em 2011. Após uma onda de estupros ocorridos na Universidade de Toronto, um policial, convidado para orientar sobre segurança, disse que as mulheres poderiam evitar o estupro se “não se vestissem como vadias”.

Essa fala gerou indignação e diversos protestos que culminaram na primeira Marcha das Vadias. O movimento, que se espalhou pelo mundo, questiona a cultura de responsabilizar as mulheres em casos de agressão sexual.

Marcha das Vadias reúne centenas de pessoas em Curitiba (Foto: Adriana Justi / G1)Marcha das Vadias reúne centenas de pessoas em Curitiba                                             (Foto: Adriana Justi / G1)