Novas evidências reforçam hipótese da existência do Planeta 9

Estudo realizado por astrônomos de universidade espanhola identifica perturbação onde possível planeta estaria.

A hipótese do Planeta 9 vem intrigando astrônomos do mundo inteiro ao longo dos últimos anos. Com uma nova técnica, cientistas da Universidade Complutense de Madri, na Espanha, identificaram o que podem ser um novo corpo, a uma distância de 300 e 400 vezes o trajeto entre a Terra e o Sol. Até então, as teorias em torno do novo planeta se baseavam em observações, que foram questionadas com o passar do tempo. 

Em estudo publicado no periódico MNRAS: Letters, os astrônomos espanhois explicam que a técnica foi desenvolvida para estudar os "objetos extremos" (ETNOs, em inglês), um tipo específico de objeto transnetuniano, ou seja, corpo do Sistema Solar que fica a uma distância maior que a entre o Sol e Netuno.

Cada um desses objetos possui dois pontos nos quais suas órbitas atravessam a de outro corpo do Sistema Solar. Nesses locais, a chance de os corpos interagirem com outros, passando por mudanças de órbita ou colisões, são maiores. 

Por meio de cálculos e análises de dados, a equipe de Madri descobriu que os pontos dos 28 objetos transnetunianos extremos estão agrupados. Além disso, há uma correlação, que não deveria haver, entre as posições dos pontos e as inclinações, um dos parâmetros que define a orientação das órbitas desses objetos no espaço. "Se não há nada para perturbá-los, os pontos desses objetos transnetunianos extremos deveriam estar distribuidos de maneira uniforme, como se não houvesse nada que eles precisassem evitar", explica o astrônomo Carlos de La Fuente, no anúcio da pesquisa.

Segundo ele, se há perturbações, existem duas possibilidades: na primeira, o objeto extremo estaria estável e seus pontos estariam longe do caminho de possíveis perturbações; já na segunda, se os pontos estivessem instáveis, eles se comportariam como os cometas que interagem com Júpiter, cujos pontos ficam mais próximos da órbita do que os perturba.

"Partindo do pressuposto que os objetos transnetunianos extremos são dinamicamente parecidos com os cometas que interagem com Júpiter, interpretamos esses resultados como sinais da presença de um planeta que está interagindo ativamente com esses corpos a distâncias de 300 a 400 unidades astronômicas", disse La Fuente.

É a primeira vez que os objetos extremos são usados como pontos de referência para um estudo desse tipo. De acordo com o pesquisador, a descoberta de mais deles pode contribuir para a confirmação da existência do Planeta 9 e, no futuro, talvez até mesmo a definição da órbita dele. 

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Com informações de revistagalileu.globo.com

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