“O Acre é um grande exemplo para o Brasil”, afirma vice-governador de Mato Grosso sobre desenvolvimento socioambiental

A política ambiental acreana prevê o desenvolvimento econômico e social dos moradores do campo. As duas equipes trocaram experiências sobre ações de serviços ambientais e economia rural.

  Por Arison Jardim 

política ambiental

Com uma redução de desmatamento de 62% em 10 anos, investimentos de mais de R$ 500 milhões na agricultura familiar e com grande poder de investimentos por serviços ambientais, o Acre se tornou um exemplo a ser seguido por outros estados da Amazônia.

Nesta terça-feira, 13, uma comitiva do Mato Grosso, liderada por seu vice-governador e secretário de Meio Ambiente, Carlos Fávaro, esteve reunida com a governadora em exercício do Acre Nazareth Araújo e equipe de governo, na Casa Civil, para aprendizado das ações ambientais.

Mesmo com um grande potencial econômico rural, baseado na produção de commodities em alta escala, o estado de Mato Grosso busca agora desenvolver também uma economia de baixo impacto ambiental. Por exemplo, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aquela região produzirá 90,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2016/2017.

“O Acre está muito avançado no pagamento de serviços ambientais e tem programas muito interessantes nessa área. O Mato Grosso, que tem também um grande programa de redução do desmatamento, vê o estado acreano como um exemplo”, afirmou Fávaro.

A comitiva mato-grossense está desde a segunda-feira, 12, e segue até a quarta-feira, 14 conhecendo iniciativas acreanas que comprovam o avanço da economia e da qualidade de vida da população, além de realizar uma troca de experiências em diversos setores.

“O Acre faz um trabalho de valorar a questão do desmatamento para que nossa população tenha na ponta os investimentos por serviços ambientais. Por exemplo, 90% dos recursos arrecadados por um desses programas é destinado para melhoria de qualidade de vida dos beneficiários e avanço nas tecnologias de produção”, explicou a governadora em exercício Nazareth Araújo.

Política de Desenvolvimento Socioambiental

“O governo Tião Viana acredita que recuperar as áreas degradadas, sem desmatar novas áreas, é mais produtivo. Esta é uma política socioambiental, realiza a inclusão social da população pelo trabalho”, afirmou Nazareth, ao introduzir o conceito da política econômica que o Acre realiza durante a reunião.

Com 40 mil produtores rurais, extrativistas, ribeirinhos e moradores das florestas, o Acre tem o desafio de levar a eles ofertas de desenvolvimento, garantindo a preservação de uma das maiores biodiversidades do planeta, que é a Floresta Amazônica. Após estruturação do planejamento do Estado, a partir de 1999 e depois com o construção do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) em seguida, foi possível construir políticas públicas neste sentido.

A partir de 2011 começou a nova fase de investimentos por serviços ambientais, sendo o primeiro no mundo a executar o programa global REM (REDD+ Early Movers – pioneiros na conservação). “Por isso estamos aqui”, fez questão de reafirmar Fávaro, ao serem apresentados alguns dos resultados deste pioneirismo, que é responsável pela diminuição das emissões de gases de efeito estufa resultantes do desmatamento e da degradação florestal.

Este programa é financiado pelo banco alemão KfW, com um aporte financeiro de R$ 85 milhões na consolidação desse modelo de desenvolvimento sustentável, e devido aos resultados obtidos, o governo acreano já negocia sua segunda fase.“Estamos realizando um modelo econômico para a Amazônia”, afirma a chefe da Casa Civil, Márcia Regina.

Os resultados começam a surgir nos indicadores sócio-economicos. O que o Acre investe na agricultura está transformando a economia. O Produto Interno Bruto (PIB) do estado está entre os que mais cresceram nos últimos anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e hoje alcança R$ 13,4 bilhões. Isto, mesmo mantendo uma redução do desmatamento em 62% nos últimos dez anos.

“Fizemos, governo e povo acreano, uma opção por um desenvolvimento sustentável. Isso, ocupando áreas degradadas e fazendo uso inteligente das áreas de floresta”, explicou Edegard de Deus, secretário de Meio Ambiente.

Com o Mato Grosso habilitado para realizar ações semelhantes, o vice-governador Carlos Fávaro afirmou: “nós precisamos aprender, e o Acre é um grande exemplo para o Brasil. Já executou a primeira fase do REM com brilhantismo”.

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