Depoimento do delator da Odebrecht joga a construtora da família Cameli no centro da rapinagem

Amparada pela Procuradoria Geral do Estado do Amazonas e pelo Tribunal de Contas daquele Estado, a Etam conseguiu um aditivo em torno de R$ 300 milhões ao Consórcio Rio Negro.

Isso pode, Cumplido

O depoimento do delator e executivo da Odebrecht Arnaldo Cumplido escancarou, no âmbito da Lava Jato, o pagamento de propina aos ex-governadores do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB) e Omar Aziz (PSD), jogando a construtora da família Cameli no centro da rapinagem.

Negócios do papai

Em meio à comemoração, no último feriado, entre os familiares do senador Gladson – em decorrência de seu nome não constar na lista dos envolvidos com o escândalo da Petrobras –, veio a estupefação: à frente do esquema que dragou Braga e Aziz estaria o pai do acreano, o empresário Eládio Cameli.

Plataforma

Tudo giraria em torno da obra da ponte que liga Manaus ao município de Iranduba, no Amazonas, também conhecida como a “Ponte do Bilhão”. A plataforma da ilicitude era um contrato fictício formalizado pelo consórcio que ganhou a licitação da obra.

Meio bilhão

Como demonstra matéria publicada na segunda-feira, 17, no site pagina.net, o contrato original para a construção da ponte foi assinado entre a Secretaria de Estado de Infraestrutura e o Consórcio Rio Negro, em 2007, por R$ R$ 574.826.098,12. Parte desse valor (R$ 68.254.917,53) era destinada às obras das vias de acesso à ponte, nas duas margens do Rio Negro, em Manaus e Iranduba.

Mágica política

É nesse momento em que surge a Construtora Etam. Sem participar de licitação, a empresa foi contemplada com um contrato de R$ 68,2 milhões por um termo de cessão assinado com o consórcio Rio Negro. Até a conclusão dos serviços, a Etam recebeu um aditivo de R$ 17 milhões.

Aditivos

Logo os representantes da Etam trataram de subir o preço dos serviços sob a sua responsabilidade em quase 60%.

Jogadas

Amparada pela Procuradoria Geral do Estado do Amazonas e pelo Tribunal de Contas daquele Estado, a Etam conseguiu um aditivo em torno de R$ 300 milhões ao Consórcio Rio Negro.

Bolada

Orçada em pouco mais de R$ 506 milhões, a ponte afinal foi concluída por mais de R$ 1,1 bilhão.

Nada a declarar

Instado a falar sobre o assunto, o senador Gladson Cameli (PP), por meio de sua assessoria, preferiu calar-se. Alegou desconhecer o teor da delação de Arnaldo Cumplido e argumentou não responder pela Etam.

Desdobramentos

Ainda ontem, 18, a imprensa amazonense, durante todo o dia, já especulava sobre a iminência da prisão de Eládio por sua participação na gatunagem.

Mais um delator?

Concretizado o encarceramento, suspeitam os jornalistas manauaras, a racionalidade indica que o próximo passo a ser dado pelo executivo da Etam seria a delação premiada do patriarca da família Cameli.

Adesão ao benefício

Nesse terreno, como demonstram as delações do herdeiro e do patriarca do clã Odebrecht – a frente o príncipe Marcelo e o patriarca Emilio –, para que haja o relaxamento da pena, verdades até então escondidas terão de aflorar, sob pena de inviabilizar uma redução de tempo de cadeia e até mesmo o livramento.

Fala, que te escutamos

É nesse contexto que se aguarda, pois, que Eládio Cameli esclareça onde estão os recursos que, segundo Gladson, foram desviados da construção da BR-364, uma vez que as empresas do clã foram responsáveis por grande parte da construção da obra.

Estamos no aguardo!

Pelo visto, as cobranças do senador pepista, que há bem pouco tempo flamejavam no noticiário local, estão próximas de um desfecho e resultarão numa possível delação do pai, com a consequente revelação dos desvios, que ele, Gladson, afirma existirem na pavimentação da rodovia.

Gladson Cameli

Coluna Poronga / pagina 20

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