Ex-estudantes do ensino integral de Pernambuco relatam experiência escolar

O modelo de educação em tempo integral propõe o desenvolvimento do currículo que vá além do desempenho escolar e envolva dimensões afetivas e emocionais, dialogando com o meio sociocultural e familiar em que o estudante está inserido.

 Por Rayele Oliveira 

Acolhimento

Acolhimento dos estudantes foi realizado por jovens protagonistas que vieram do ensino integral (Foto: Angela Peres)

No Acre, as aulas recentemente iniciadas sob novo conceito, tiveram a mediação de ex-estudantes de estados que avançaram no quesito ensino desde a implantação das aulas integrais, a exemplo de Pernambuco, o pioneiro, que atualmente possui mais de 300 escolas integrais num universo de cerca de mil colégios estaduais.

Intitulados de protagonistas, os jovens vieram ao Acre realizar o acolhimento dos alunos e tiveram contato diário por uma semana para propagar suas experiências, para que a partir dessa vivência elas se multipliquem.

No Instituto Lourenço Filho, por exemplo, um total de 12 protagonistas, que no momento ou cursam ou já concluíram o nível superior, foram enviados pelo Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE), responsável pela prestação de consultoria às escolas que adotam esse modelo no Brasil.

“O retorno que tivemos aqui foi algo muito recompensador

“O retorno que tivemos aqui foi algo muito recompensador e impressionante”, disse Gilberto Romeiro (Foto: Angela Peres)

O aprendizado que também se pode ensinar

“A estratégia do acolhimento não tem como falhar, por se tratar de jovem falando diretamente para jovem, sobre sonhos, sobre possibilidades, sobre quão transformadora pode ser a experiência de traçar as próprias metas e de ser o principal autor da própria história. E o retorno que tivemos aqui foi algo muito recompensador e impressionante”, pontuou o jovem pernambucano Gilberto Romeiro, 23 anos, acadêmico de Ciências Sociais.

Também protagonistas pelo ICE de Pernambuco, Akyla Tavares e Catharina Florêncio, de 18 e 20 anos, respectivamente, atribuem conquistas pessoais como a escolha do curso superior à boa formação adquirida no ensino integral. Akyla também é acadêmico de Ciências Sociais e Catharina optou por Engenharia de Minas.

Catharina

Catharina escolheu o curso Engenharia de Minas (Foto: Angela Peres)

“Graças à equipe escolar que tive eu cheguei à decisão por qual área atuar. O modelo de gestão do ensino integral é determinante pra ajudar os jovens nesse processo da autodescoberta e, principalmente, de ter segurança sobre as próprias decisões que nortearão seu futuro”, declara Catharina.

Para Akyla, o maior ganho que os jovens podem ter com esse padrão de ensino é o olhar humanista que cada um deve ter acerca de si mesmo.

“Isso vai além de apenas ter conhecimento ou de ter uma profissão. A gente aprende a analisar em qual área se dá melhor, o que realmente fascina, pra que em cima disso se possa construir um projeto de vida. Então, com base nessas questões que envolvem o lado humanista e o do conhecimento é que se trabalha o conceito de educação, ou seja, a junção de tudo isso”, observou.

Akyla

Akyla destacou a importância do olhar humanista proposto pelo modelo de ensino (Foto: Angela Peres)

Escola Jovem no Acre

Sete escolas públicas do estado tiveram a implantação do ensino integral. No programa Escola Jovem, o governo está investindo R$ 28 milhões. Desses, R$ 7 milhões são provenientes de verba federal, os outros R$ 21 milhões são recursos próprios do Estado.

Nesta primeira etapa em que apenas o ensino médio terá a metodologia, o objetivo é beneficiar cerca de 4.000 alunos. Já a meta para 2018 é que o modelo se estenda para o ensino fundamental e também para a zona rural.

O programa tem como base de metodologia quatro princípios educativos. Um deles é protagonismo juvenil, que coloca o aluno como agente principal de todo o processo. Também a pedagogia da presença, que trabalha a formação mais ampla do aluno, desde as emoções até as competências.

É importante, ainda, observar os pilares da educação, o que se resume em estimular o aluno a conhecer, aprender a fazer, a conviver e a ser, e, por fim, a educação interdimensional, que torna o professor um orientador para ajudar o aluno a desenvolver suas habilidades, estabelecendo a relação sinérgica entre escola, família e sociedade.

O alvo é fazer com que os estudantes tenham a capacidade de se visualizar em um projeto de vida estabelecido por eles mesmos e que a escola seja apenas corresponsável pela evolução desse processo.

Creches e escolas infantil recebem suplementação, em Brasileia

O Nutrisus é um programa do governo federal, onde alunos de creches e escolas de ensino infantil recebem suplementação alimentar composta por minerais e vitaminas que são adicionadas a alimentação escolar dos alunos.

Nutrisus é lançado em Brasiléia

O programa, que teve início no ano de 2009, foi implantado na creche Roma Emilse em 2016, com a intenção de complementar a alimentação e prevenir certas doenças que atinge o público infantil como a anemia, por exemplo.

A composição, ministrada em crianças de 06 meses a 04 anos de idade, substitui também as vitaminas por vezes aplicadas através de vacina, por isso seu acompanhamento é tão rigoroso e vistoriado de perto pelos órgãos competentes no município e pelo ministério da saúde.

Para participar do Nutrisus, as escolas e creches devem estar inscritas no programa saúde na escola, do governo federal. No município de Brasiléia a única creche que participa do programa é a Roma Emilse, onde nesta quinta-feira, 20, recebeu pais e responsáveis de seus alunos para uma ampla explanação sobre os benefícios da suplementação.

Caso concordem, os pais devem assinar um termo de permissão para que seus filhos possam receber as porções do suplemento, que é feita de forma diária, dura um ciclo de 36 dias e terá inicio na próxima segunda-feira, 24.

Nutrisus é lançado em Brasiléia 2

Nutrisus é lançado em Brasiléia 1

IDM certifica alunos de comunidades ribeirinhas em 11 cursos

Os cursos de Formação Inicial e Continuada (FICs),  na Unidade de Gestão Ambiental Integrada (UGAI), Rio Liberdade, foram encerrados com a entrega dos certificados nesta quarta-feira, 19, para 224 educandos de 11 turmas.

 Por Lúcia do Vale 

As qualificações foram ofertadas na Regional do Rio Liberdade, pelo governo do Estado, no Centro de Formação e Tecnologia da Floresta (Ceflora), por meio do Instituto Dom Moacyr em parceria com o ICMBio e Associação Real, mediante o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Foram oferecidos os cursos de Agente de Desenvolvimento Socioambiental, Açaicultor, Agricultor Orgânico, Horticultor Orgânico, Agricultor Familiar, Fruticultor, Agente de Desenvolvimento Cooperativista, Produtor de Olerícolas, Viveicultor, Auxiliar de Fiscalização Ambiental e Preparador de Doces e Conservas.

Maria da Graças de Oliveira, formanda no curso de Fruticultor, estava muito feliz, pois, segundo ela, aos 67 anos nunca teve a oportunidade de estudar. “Esse curso na comunidade é a realização do sonho de frequentar a escola que na época da minha mocidade não consegui realizar”.

A presidente da Associação da Reserva Extrativista do Rio Liberdade, Maria Renilda Santana Costa, salientou a importância de cursos como esses na comunidade. “Nunca tivemos investimentos como esses que o governador Tião Viana tem dado para nossa comunidade. Essas ações governamentais deixam o povo muito feliz”, disse ela.

A gestora chefe da Reserva Extrativista do Rio Liberdade pelo ICMBio, Sabina Dessartre Mendonça, destacou a importância das aulas. “O conhecimento técnico adquirido pelos formandos nos cursos, tem efeito benéfico na saúde, na família e na qualidade de vida de forma geral, podendo ainda gerar renda”, ressaltou.

O coordenador-geral do Ceflora, Raimundo Evilásio Lima dos Santos, falou sobre as parcerias para a realização desses cursos, já que os mesmos foram demandas das comunidades e de acordo com a necessidade local. “Por estes cursos estarem ligados às áreas de trabalho dos produtores, o Ceflora e o Pronatec atingiram o objetivo de oferecer capacitação às comunidades ribeirinhas e da zona rural para ajudar, de alguma forma, na convivência comunitária”.

comunidades ribeirinhas

Prêmio eficiência é destaque na escola Clicia Gadelha, em Rio Branco

A escola Clícia Gadelha está planejando realizar uma festa para entrega de Premiação dos “Destaques de Eficiência” de 2016, dia 01 de maio, com participação de professores, funcionários e alunos.

 Por brasileia100.blogspot.com 

Cleilton Amaral

A escola que fica na periferia de Rio Branco, no bairro vitória, resolveu adotar em 2016 um plano estratégico para estimular a produtividades dos alunos, professores e funcionários do quadro. Com isso foi lançado dia 29 de março do ano passado os prêmios: Professor 10 e “Funcionário Eficiente”, ambos avaliados pela equipe gestora. Porém, o mais aguardado é o Prêmio “Aluno Global”, que define o vencedor pela média mínima de 7,00 (sete) em todas as disciplinas.

O diretor da escola, Cleilton Amaral, avaliou como positivo a experiência e pretende ampliar com o lançamento dos Prêmios: Melhores da Língua Portuguesa e também da matemática. “Acredito no bom desempenho de todos quando há motivação para isso.

Meu objetivo é tornar a escola um local agradável para estudar e que os resultados sejam satisfatórios, pois os alunos e as famílias serão os principais beneficiados. Não há diferença entre escola ‘central e de periferia’ quando todos trabalham para o bem comum. Aqui é uma família e isso é orgulho para todos nós,” declarou Amaral.

Segundo o que foi apurado, há uma grande expectativa em saber quem serão os vencedores da competição que prevê aos agraciados uma estadia em hotel ecológico em Brasiléia ou Plácido de Castro, com apoio do empresário Francisco Moreira e outros prêmios em parceria com a Casa do Estudante.

Professora 2De acordo com a Coordenadora, Trindade Vasconcelos, esse prêmio trouxe uma dinâmica maior para a escola.

“É uma forma de valorizar quem realmente merece e se empenha pela instituição.

Ao mesmo tempo em que mantém uma constante avaliação até mesmo própria de cada um para se doar mais.

É claro que tudo no começo trás divergências, dúvidas, mas com certeza em 2017 a maioria vai se despertar para cumprir suas obrigações sem precisar algumas vezes a cobrança ostensiva, avalia Vasconcelos.

ProfessoraDe acordo com a coordenadora pedagógica Viviane Câmara, com a proposta do premio voltada para os estudantes, mudou muita coisa na escola, principalmente o modo de pensar quanto à importância de valorizar os estudos. “Os alunos se sentiram mais motivados. “Aqueles que tiravam notas vermelhas tiveram mudança de postura. Eles não queriam ficar fora do quadro dos melhores da escola. Havia uma disputa que até o final do ano manteve os alunos motivados em sala de aula,” afirmou Câmara.

UFAC abre processo seletivo para estágio remunerado, em Rio Branco

Os estudantes interessados podem preencher a ficha de inscrição contida no edital e entregar no período de 18 a 24 de abril de 2017.

A Universidade Federal do Acre, por meio da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, publicou nesta segunda-feira (17) o edital que disciplina o processo seletivo para vagas de estágios de nível superior e formação cadastro de reserva de estudantes em Rio Branco.

O estágio terá duração de 01 (um) ano, podendo ser renovado por igual período. Estudantes portadores de deficiência, regularmente matriculados, terão o contrato vinculado com o término de seus estudos. O regime de estágio será de 4 (quatro) horas diárias, em um total 20 (vinte) horas semanais, obedecendo o horário de funcionamento do setor para o qual for direcionado, sem prejuízo às atividades discentes.

Os estagiários terão direito a receber bolsa-auxílio no valor de R$ 364,00 (trezentos e sessenta e quatro reais), e auxílio-transporte de R$ 132,00 (cento e trinta e dois reais) mensal e terão garantia de seguro contra acidentes pessoais. Os estudantes interessados podem preencher a ficha de inscrição contida no edital e entregar na Diretoria de Desempenho e Desenvolvimento (DDD) da Ufac no período de 18 a 24 de abril de 2017.

Ao todo serão 13 vagas imediatas mais cadastro de reserva, que serão escolhidas por meio de processo seletivo composto por duas etapas organizadas da seguinte forma: redação realizada em caráter eliminatório e classificatório e entrevista de caráter eliminatório e classificatório, com pontuação máxima de 10 pontos.

Clique aqui e confira o edital para mais detalhes.

Universidade Federal do Acre

Secretaria de Educação de Brasiléia realiza semana literária

A Secretaria Municipal de Educação de Brasiléia – SEME – vem realizando em várias escolas do município atividades em comemoração ao dia do livro e a semana literária.

 Da Assessoria PMB 

Secretaria de Educação realiza semana literária

Nesta segunda-feira, 17, as coordenadoras, Vânia Rodrigues,Kely Guedes e Adriana Moura, estavam na escola de ensino fundamental Ruy Lino, onde realizaram com as crianças da escola a atividade intitulada pelos próprios alunos de “As Emílias”, onde as professoras se caracterizam de boneca Emília, personagem bem conhecido da obra de Monteiro Lobato, Sitio do pica-pau amarelo, e envolvem as crianças em uma serie de brincadeiras e apresentações, desde contar histórias até a dança e a música.

Esta atividade em especifico, contemplará 3 escolas da zona urbana do município a Escola Ruy Lino, onde se deu inicio as atividades nesta segunda-feira, na terça-feira será realizado na Escola Socorro Frota e na quarta-feira estarão na Escola Elson Dias Dantas.

O trio de professoras está realizando estas atividades em todas as datas comemorativas do calendário escolar, por entender que estas atividades lúdicas chamam a atenção dos alunos e quebra um pouco a rotina da sala de aula.

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Educação entrega equipamentos em escolas rurais

Levar o ensino de qualidade para as escolas no interior do Acre não é tarefa fácil. Mas essa tem sido uma das prioridades da Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE).

 Por Mágila Campos 

Durante todo o ano, as equipes da coordenação de ensino rural trabalham para acompanhar as instituições mais afastadas da região.

Na semana passada, um grupo se deslocou até as escolas ribeirinhas Floresta e Ena de Oliveira, para entregar kits pedagógicos aos professores do projeto Asas da Florestania e coletes salva-vidas aos alunos que utilizam transporte fluvial.

“Nossa equipe se desdobra para atender todas as comunidades, por mais isoladas que sejam, porque nossa missão é garantir aos alunos acesso e permanência a um ensino que possibilite crescimento social, econômico e cultural, mesmo diante dos limites impostos pelo denso território amazônico”, explica Ricardo Gelete, coordenador do Ensino Rural.

As duas instituições ficam às margens do Rio Acre, no Projeto de Assentamento Moreno Maia, distante cerca de 60 quilômetros de Rio Branco. No trajeto, a primeira escola é a Ena de Oliveira, onde foram entregues os coletes.

Welligntom Nascimento, aluno da localidade, usa o barco como principal meio de transporte. De casa até a escola, gasta cerca de 1h20. “Sou acostumado com o rio, porque nasci e cresci nas suas margens, e andar de canoa para mim é algo normal. Não tenho medo, mas o colete é útil. Caso aconteça algum acidente, como alagação, por exemplo, vou ter uma proteção”, conta.

A diretora da escola, Rosa Cruz, explica a importância dos equipamentos: “Temos 175 alunos, e 30 deles vêm para aula de barco. Os coletes são fundamentais, porque o transporte e a segurança são nossas maiores preocupações. Na zona rural, o cuidado começa muito antes de os estudantes entrarem nos portões da escola, quando eles ainda estão em casa”, conta.

Rural Floresta

Já na Escola Floresta, os profissionais fizeram o acompanhamento pedagógico e a entrega de kits didáticos. O diretor do estabelecimento, José Rufino, explica que a visita dos representantes da SEE à comunidade ajuda a gestão no processo escolar e mostra o compromisso do Estado com a educação dos ribeirinhos.

“Aqui as equipes têm a oportunidade de conhecer de perto a realidade da escola e fazer as interferências necessárias, no âmbito administrativo e educacional”, diz.

Escola na zona ruala de Rio Branco

Educação prepara mais uma etapa do Programa Quero Ler

Profissionais da Educação se mobilizam para mais uma etapa do Programa Quero Ler. 

 Por Stalin Melo 

O auditório do Hotel Loureiro, em Rio Branco, foi o local escolhido por coordenadores de núcleo, gestores de escolas e demais profissionais do Baixo Acre para iniciar a programação de mais uma fase do Programa Quero Ler.

Representantes de Capixaba, Acrelândia, Plácido de Castro, Senador Guiomard, Rio Branco, Porto Acre, Bujari, Manoel Urbano, Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Valter estão definindo a etapa do Programa que irá se iniciar no mês de junho.

De acordo com o subsecretário de Alfabetização e diretor de Gestão da Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE), professor Evaldo Viana, serão abertas outras 1.042 turmas, contemplando mais 12,7 mil jovens e adultos que terão a oportunidade de conhecer o mundo das letras.

No ano passado, foram alfabetizados 6,8 mil pessoas em municípios do Juruá e também na capital, Rio Branco. “Com essa nova etapa do Programa que irá se iniciar, vamos chegar a 28 mil jovens e adultos sendo alfabetizados”, afirmou.

Além da etapa de abril iniciada, e com a etapa de junho em planejamento e mobilização, o governo do Acre, por meio da SEE, irá abrir novas turmas do Programa Quero Ler também nos meses de setembro e dezembro. “Com isso, vamos chegar até o fim de 2018 com 60 mil pessoas alfabetizadas”, explicou o subsecretário.

Para viabilizar a abertura dessas novas turmas, o governador Tião Viana deverá anunciar edital para a concessão de 1.042 bolsas para alfabetizadores, além de 52 bolsas para coordenadores de turmas.

O coordenador do núcleo de Capixaba, professor Ocimar Pereira, faz questão de dizer que o Programa Quero Ler em Capixaba está chegando na hora certa. “Nossa meta é alfabetizar, somente neste momento, 860 pessoas”, disse.

Alunos quero ler

Escola integral: por que mudar a dinâmica entre professor e aluno?

No programa, o governo do Acre está investindo R$ 28 milhões. Para assimilar esse formato, professores, coordenadores e gestores passaram por um planejamento estratégico.

 Por Rayele Oliveira 

Escola integral

Salas temáticas dão toque especial à qualidade do acolhimento feito aos alunos (Foto: Alexandre Noronha)

Salas temáticas para cada disciplina, contrato de convivência, clubes de música e cultura e muitos aspectos que devem ir além da grade curricular de adolescentes e jovens estudantes.  Mais que transmitir conhecimento. Incorporar elementos à didática aplicada por docentes na arte de ensinar. Eis o desafio das sete escolas públicas que tiveram a implantação do ensino em tempo integral no Acre.

O programa Escola Jovem tem como base de metodologia quatro princípios educativos. Um deles é protagonismo juvenil, que coloca o aluno como agente principal de todo o processo. Também a pedagogia da presença, que trabalha a formação mais ampla do aluno, desde as emoções até as competências. É, importante, ainda, observar os pilares da educação, o que se resume em estimular o aluno a conhecer, aprender a fazer, a conviver e a ser, e, por fim, a educação interdimensional, que torna o professor um orientador para ajudar o aluno a desenvolver suas habilidades, estabelecendo a relação sinérgica entre escola, família e sociedade.

O alvo é fazer com que os estudantes tenham a capacidade de se visualizar em um projeto de vida estabelecido por eles mesmos e que a escola seja apenas corresponsável pela evolução desse processo. Para assimilar esse formato, professores, coordenadores e gestores passaram por um planejamento estratégico que vai nortear os rumos da educação no estado.

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Silvânia (D) frisa a importância das mudanças que o programa traz, sobretudo para a classe (Foto: Alexandre Noronha)

Quebra de paradigmas

“O currículo escolar é o mesmo. O método é o que o diferencia”, afirma a coordenadora pedagógica geral do Instituto de Educação Lourenço Filho (Ielf), Silvânia Silva.

O Ielf possui, no momento, 14 turmas que iniciaram esta semana as aulas em tempo integral. Uma das mudanças propostas pelo programa Escola Jovem é a extinção das salas fixas por série, o que implica em espaços temáticos e estudo orientado para cada disciplina.

Assim, o modelo que coloca o aluno no centro de sua formação, inclusive dando-lhe autonomia sobre o âmbito das decisões que interferem direta e indiretamente no ambiente escolar, reflete-se sobretudo na dinâmica de como mediar o acesso ao conteúdo.

Há 25 anos na área da educação, Silvânia reconhece que o programa radicaliza o método convencional de ensino, limitado a apenas transferir o que está escrito nos livros.

“A mudança radical é, antes de tudo, no próprio professor. Pois entendemos que de nada adianta ser um mero repassador de informações se a internet também está aí para ser isso. De nada adianta também transcrever o capítulo de um livro se esse capítulo já está lá no próprio livro. Nosso maior exercício é identificar novas formas de trabalhar o conhecimento disponível sem fragmentá-lo, para que o aluno seja bom em todas as áreas, mas que saiba para onde deseja caminhar”, salienta.

É investindo que se transforma

No programa, o governo do Acre está investindo R$ 28 milhões. Desses, R$ 7 milhões são provenientes de verba federal, os outros R$ 21 milhões são recursos próprios do Estado.

Nesta primeira etapa em que apenas o ensino médio terá a metodologia, o Escola Jovem visa beneficiar cerca de 4.000 alunos. Já a meta para 2018 é que o modelo se estenda para o ensino fundamental e também para a zona rural.

“Todo sonho precisa ser diariamente avivado. Por isso, temos a importante missão de identificarmos os sonhos desses jovens para que eles tenham efetivamente todas as oportunidades que precisam”, finaliza Silvânia.

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Quero Ler vai alfabetizar mais de 6 mil jovens e adultos em Tarauacá

O programa representa a conquista da cidadania para muitos. O programa é também oportunidade de trabalho para os jovens.

 Por Stalin Melo e Onides Bonaccorsi Queiroz 

Quero Ler vai alfabetizar mais de 6 mil

Em 2015, o governador Tião Viana assumiu o desafio de alfabetizar, até o fim de 2018, nada menos do que 60 mil jovens e adultos em todo o estado. Somente em Tarauacá, esse público corresponde a mais de seis mil pessoas.

Atendendo a tal compromisso, o secretário de Estado de Educação e Esporte (SEE), Marco Brandão, com o apoio da coordenadora do Núcleo da SEE em Tarauacá, Francisca Aragão, encontrou-se, esta semana, com uma equipe competente e comprometida naquela cidade.

“Aqui em Tarauacá, a equipe fez uma adesão pra valer do Quero Ler, graças ao professor Francisco das Chagas Souza [mais conhecido como “Moço”] e à professora Francisca, que já foi vereadora, secretária municipal de Educação e é uma referência no estado”, afirmou.

Marco Brandão fez questão de mencionar que, quando a professora foi secretária municipal, o analfabetismo caiu bastante – ao assumir a pasta, em 1997, o analfabetismo adulto atingia 68,8% da população e, quando entregou o cargo, em 2002, o índice estava reduzido para 22,9%.

Uma das principais entusiastas do Quero Ler, ao ouvir o convite do governador Tião Viana e do secretário Marco Brandão para coordenar o programa no município, Francisca fez questão dizer que estava “recebendo um presente”.

Ela já trabalhou com diversos programas de alfabetização, em parceria com instituições públicas e privadas. E procura transmitir entusiasmo e comprometimento à sua equipe: “Quando o governador anunciou o programa, de imediato me coloquei à disposição para ajudar: “O que mais me incomoda é quando vou ao banco e vejo aquelas pessoas idosas pedindo a um e a outro para ver o saldo, para fazer um saque. Isso acontece diariamente. Então esse despertar para a cidadania representa a liberdade das pessoas”.

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“Desafiador”

Já para o professor Francisco, o programa é desafiador, mas também gratificante para quem participa diretamente, ensinando as pessoas. “É uma oportunidade para os jovens que estão começando a trabalhar [em Educação]. Então, esperamos que eles gostem, que se empolguem e dediquem todo o carinho a esse trabalho”, disse.

E continuou: “Se você tem uma equipe pedagógica boa e se você tem material didático, isso faz uma diferença muito grande. A nossa equipe é excelente e acreditamos que vai dar conta. Temos uma dívida com as pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar na idade certa”, disse. De origem rural e tendo sido alfabetizado apenas após os 12 anos de idade, o professor sabe do que está falando.

O grande desafio agora, segundo Brandão, é atingir a zona rural. E para que o Quero Ler possa ser um sucesso, não estão descartadas parcerias com outras ações de governo: “A gente tem uma grande possibilidade, que é usar programas como o Asinhas da Florestania para levar a alfabetização às áreas mais distantes. É uma estratégia, porque o mesmo professor que vai trabalhar com as crianças pode atender os adultos”, disse.

Programa Quero Ler

O programa de erradicação de analfabetismo Quero Ler, sob a coordenação do professor Evaldo Viana, subsecretário de Alfabetização, já havia chegado, desde sua implantação, a quatro municípios acreanos: Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Feijó. E no início deste ano a outros quatro: Brasileia, Xapuri, Epitaciolândia e Sena Madureira.

Agora em março, com a abertura de mais 1.022 turmas, atingirá os 22 municípios acreanos, contemplando mais de 12 mil novos alunos. Somente em Tarauacá, são mais 101 novas turmas, contemplando mais 1.425 jovens e adultos.

Cada etapa tem duração de cinco meses, com três horas-aula por dia. A partir daí, o aluno está capacitado para dar continuidade aos estudos: “O aluno sai com o domínio da escrita e da leitura, pronto para ingressar na EJA [Educação de Jovens e Adultos]. Além de erradicar o analfabetismo no estado, o programa trabalha a autoestima dos alunos”, observa a professora Augusta Rosas, coordenadora-geral do Quero Ler.

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