Presidente Dilma Rousseff decide nomear o ex-presidente Lula ministro da Casa Civil

Lula tentará organizar medidas para a retomada do crescimento e também para reaglutinar a base de sustentação do governo no Congresso.

Numa decisão de alto impacto, a presidente Dilma Rousseff decide nomear o ex-presidente Lula em seu gabinete, fazendo parte do núcleo duro do governo. Lula deve ser nomeado ministro da Casa Civil ou da Secretaria de Governo.

Nesta posição, e também como candidato à presidência da República em 2018, Lula tentará organizar medidas para a retomada do crescimento e também para reaglutinar a base de sustentação do governo no Congresso.

A oposição deverá criticar decisão, que dá ao ex-presidente o foro privilegiado e o retira do alcance da força-tarefa paranaense. Lula, no entanto, poderá ser investigado na Lava Jato pelo STF.

Mais cedo, já anunciava o ressurgimento do apelo para que o ex-presidente passe a integrar o time de ministros.

Nota da redação: a informação publicada anteriormente, sobre sua ida para a Casa Civil, não está confirmada.

Lula

Fonte: brasil247.com

Leia a íntegra do depoimento de Lula à PF em 14/03

Em 14 de março de 2016, procedo à transcrição das declarações colhidas ns autos nº 5006617-26.2016.404.7000, oitiva realizada em 04/03/2016, às 08:00 horas, no Aeroporto de Congonhas, São Paulo/SP.

 Fonte: institutolula.org 

Lula

TERMO DE TRANSCRIÇÃO 

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – PARTE 1

Delegado da Polícia Federal:- O endereço do escritório do doutor Roberto?

Defesa:- Como?

Delegado da Polícia Federal:- Endereço do escritório do doutor?

Defesa:- Rua Padre João Manoel, 755, 19º andar.

Delegado da Polícia Federal:- 755?

Defesa:- 755.

Delegado da Polícia Federal:- 19º. O telefone do escritório para contato se quiser?

Defesa:- 3060.3324.

Delegado da Polícia Federal:- 11 3060-3324, perfeito. A doutora Valeska vai participar também ou não?

Defesa:- Não, vai ficar fora.

Delegado da Polícia Federal:- Ok.

Defesa:- Quem?

Defesa:- A Valeska. Só nós dois. Eu posso gravar o depoimento?

Declarante:- Cadê a minha?

Delegado da Polícia Federal:- Pode.

Defesa:- Vê se a Valeska quer entrar.

Declarante:- Cris, vê se o Morais tem um lencinho de papel para mim.

Não identificado:- Morais, você tem um lenço de papel?

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – PARTE 2

Delegado da Polícia Federal:- Podemos começar, então, senhor Presidente?

Declarante:- Estou pronto.

Delegado da Polícia Federal:- Bom, nós vamos dar início agora ao seu termo de declarações gravado em áudio e vídeo, a qualquer momento ele vai estar à disposição do senhor, da sua defesa, um DVD com o áudio desta audiência, do qual nós só vamos fazer um termo constando que as perguntas e as respostas foram gravadas em áudio e vídeo e à disposição dos senhores. Então hoje, no dia 4 de março, às 8 horas da manhã, estando presente o senhor Luiz Inácio Lula da Silva com seus advogados, identificados no termo de declarações, eu, Luciano Flores de Lima, Delegado de Polícia Federal, acompanhado do Delegado da Polícia Federal Ricardo Hiroshi, dos agentes Prado e Gabriel, acompanhado dos senhores Procuradores da República, doutor Orlando e doutor Julio, damos início ao termo de declaração passando a fazer as seguintes perguntas: qual era a sua vinculação com o IPEC, Instituto de Pesquisa e Estudos de Cidadania, antes da alteração da denominação para Instituto Inácio Lula da Silva? Antes, desculpe, me desculpe, antes eu só gostaria de deixar registrado que, como o senhor está na condição de investigado, o senhor não é obrigado a responder as perguntas que eu vou lhe fazer, o senhor só responde se quiser e o seu silêncio não vai lhe prejudicar por conta apenas do silêncio, está bem? Por gentileza, a pergunta, qual era a sua vinculação com o IPEC, Instituto de Pesquisa e Estudos de Cidadania, antes da alteração da denominação para Instituto Inácio Lula da Silva?

Declarante:- O instituto é de 1992, eu era o presidente do instituto até virar Presidente da República, acho que até 1 ano antes eu saí da presidência do instituto, e chamava-se Instituto da Cidadania, no instituto a gente produzia projetos, o projeto “Fome Zero” foi produzido no instituto, o projeto “Minha Casa Minha Vida” foi produzido no instituto, nós produzimos propostas de segurança pública, propostas para a juventude, proposta de educação, lá eu criei uma coisa chamada “Governo Paralelo”, logo depois que eu perdi as eleições para o Collor, e quando eu deixei a presidência eu decidi voltar para lá porque era o lugar que (inaudível).

Delegado da Polícia Federal:- Qual a atividade exercida pelo Instituto Luiz Inácio Lula da Silva?

Declarante:- Qual a atividade exercida pelo instituto agora? A atividade minha, a primeira, é difundir as políticas públicas bem sucedidas no meu mandato, que foram muitas, a ideia era você trabalhar muito com o continente africano, muito com o continente latino-americano, sobretudo para você levar as experiências na área de educação, na área do Bolsa Família, na área do PAA que é a compra de alimento, na área do programa Luz Para Todos, ou seja, a ideia fundamental era convencer os governantes dos países mais pobres que o Brasil que era possível a gente resolver os problemas dos pobres se a gente colocasse os pobres no orçamento da União, que você tem no orçamento da União o Ministério da Justiça, Polícia Federal, Ministério Público, Poder Judiciário, e você não tem os pobres, então na hora que você coloca o pobre dentro do orçamento você começa a fazer a economia andar, foi isso que nós fizemos, e o instituto serve para divulgar isso, andar pelo mundo mostrando exatamente o que a gente conseguiu fazer no Brasil, porque a grande novidade no mundo é as pessoas saberem como é que nós conseguimos elevar 40 milhões de pessoas à classe média e como é que nós conseguimos tirar 36 milhões de pessoas da pobreza absoluta, esse é o grande segredo do mundo.

Delegado da Polícia Federal:- Quando o senhor tirou 36 milhões de pessoas da pobreza absoluta, qual era a população do Brasil?

Declarante:- Era 200 milhões de habitantes.

Delegado da Polícia Federal:- Então mais de 15%…

Declarante:- Ou 198, 199, uma coisa assim, a população de 10 anos atrás, era 200 milhões de habitantes.

Delegado da Polícia Federal:- Então o senhor afirma que mais de 15% vivia na pobreza absoluta?

Declarante:- Era aproximadamente 15%, era aproximadamente 54 milhões de pessoas.

Delegado da Polícia Federal:- Na pobreza absoluta?

Declarante:- Aí quando nós tivemos o estudo em 2003, dados do IBGE, nós tínhamos por volta de 54 milhões de pessoas vivendo na extrema pobreza no Brasil.

Delegado da Polícia Federal:- Então, mais de 1/4o da população brasileira nessa época…

Declarante:- Eram pessoas que viviam na pobreza, ganhavam menos que, eu não sei se eram 2 dólares por dia, 1 dólar por dia, e nós conseguimos fazer essa revolução fazendo com que chegasse um pouquinho de dinheiro na mão do pobre desse país.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. E para que o senhor fizesse isso, o seu instituto atingir esses objetivos, o senhor conta com que fonte de renda no instituto?

Declarante:- Doações, sim.

Delegado da Polícia Federal:- Doações sem contrapartida?

Declarante:- Sem contrapartida.

Delegado da Polícia Federal:- E a despesa, qual é a saída de…

Declarante:- Aí não sei, querido.

Delegado da Polícia Federal:- Não, não, eu não pergunto números, o senhor autoriza que seja gasto…

Declarante:- Eu não autorizo porque eu não, no instituto hoje eu sou só presidente de honra e você sabe que se um dia você for presidente de honra da Polícia Federal aqui você não representa mais nada, ou seja, então o presidente de honra é um cargo de honra só, eu não participo das reuniões da diretoria, eu não participo das decisões, porque o instituto tem uma diretoria própria.

Delegado da Polícia Federal:- Nos últimos 10 anos quem decide pelo Instituto Luiz Inácio Lula da Silva?

Declarante:- Nós últimos dez anos o instituto ficou, ficou, o instituto começou a funcionar mais fortemente agora quando eu deixei a presidência, ele funcionava muito antes de eu deixar a presidência, antes de eu ser presidente, no tempo que eu fui presidente ele ficou morno, o último projeto nosso acho que foi o Projeto da Juventude, e voltou agora à atividade, quando eu deixei a presidência.

Delegado da Polícia Federal:- E, quando o senhor deixou a presidência, quem dirigia no sentido de autorizar despesas, investimentos feitos pelo instituto?

Declarante:- Não, quem é o presidente do instituto é o companheiro Paulo Okamotto.

Delegado da Polícia Federal:- Desde quando?

Declarante:- Desde agora, desde que eu deixei a presidência.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. E é ele quem autoriza tanto a receber doações, quanto a efetuar pagamentos e investimentos?

Declarante:- Ele e a diretoria.

Delegado da Polícia Federal:- Quem faz parte da diretoria?

Declarante:- Da diretoria faz parte a companheira Clara Ant, faz parte do ex-ministro Luiz Dulci, faz parte o ex-ministro Paulo Vanuchi, faz parte o companheiro Celso Marcondes que é jornalista, esses são os diretores do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E eles fazem votação ou o que o senhor Paulo Okamotto decidir está decidido?

Declarante:- Não, todos decidem, discutem, aí não, não, não pergunte para mim que, que, eles discutem como qualquer diretoria discute qualquer coisa, aprovam, desaprovam, decidem o que vai executar, o que não vai executar.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. O senhor tem algum conhecimento se eles podem efetuar pagamentos a qualquer título, por exemplo, se resolverem fazer curso para quem trabalha no instituto em um determinado país, para pagar as despesas, ou se é possível reformar um imóvel com um dinheiro recebido de doações do Instituto Lula?

Declarante:- Eu penso, eu não sei no instituto especificamente, mas eu tenho consciência que eles devem fazer o que manda a lei que regula as fundações e os institutos.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Qual a função que o senhor exercia na condição de presidente de honra do Instituto Luiz Inácio Lula da Silva?

Declarante:- Eu era, na verdade eu era a fotografia do instituto, eu era a cara do instituto, era não, eu sou a cara do instituto, o instituto está ali por minha causa, o do Clinton só existe por conta dele, o do Kofi Annan só existe por conta dele, qualquer instituto só existe em função da cara da pessoa que dá o nome, o Instituto Mandella existe por causa do Mandella, então o instituto vai existir, eu não sei se vai persistir quando eu morrer, mas enquanto eu existir está lá o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E o senhor participa de eventuais reuniões da diretoria para ajudar na decisão de…?

Declarante:- Algumas, algumas, eu não gosto de participar das decisões.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Com que frequência o senhor tem participado nos últimos 5 anos?

Declarante:- É raro, é raro, porque eu não gosto de participar da reunião de diretoria.

Delegado da Polícia Federal:- Por que?

Declarante:- Porque eu trabalho com a ideia que os diretores têm que ter muita autonomia com relação a mim. Como eu sou uma figura muito forte, se eu participo das reuniões, ou seja, dá a pressão que o que eu falar vira lei, então eu não participo que é para eles tomarem as decisões que entenderem corretas para o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Na qualidade de presidente, Paulo Okamotto exercia que tipo de função, que tipo de atividade?

Declarante:- Coordenava o instituto, coordena as atividades do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Quantas sedes têm o instituto, quantas sedes, ele existe em quantos lugares?

Declarante:- Só em São Paulo, só naquele lugarzinho ali.

Delegado da Polícia Federal:- No lugarzinho, o senhor se refere à sede identificada como instituto?

Declarante:- Identificada. E a casa é alugada, encostada.

Delegado da Polícia Federal:- Junto, né. O Instituto Lula é locatário de um imóvel situado na Rua Domício Afonso da Gama, nº 57, na Vila Damásio, São Bernardo do Campo, ele usa essa sede, ele aluga de alguém essa sede?

Declarante:- Primeiro, eu não sei onde fica a Rua Damásio.

Delegado da Polícia Federal:- Mas em São Bernardo do Campo existe alguma sede do Instituto Lula?

Declarante:- Acho que não.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor não saberia?

Declarante:- Eu acho que não existe não, pelo que eu sei não.

Delegado da Polícia Federal:- E por que pode existir sem o seu conhecimento ou existiria sem seu conhecimento?

Declarante:- Não, não deve existir. Eu estou estranhando a sua pergunta porque eu não sei se existe.

Delegado da Polícia Federal:- E no bairro Pinheiros, no bairro Pinheiros, ao lado de um batalhão da polícia militar?

Declarante:- O bairro Pinheiros não é onde, não é…

Delegado da Polícia Federal:- Desculpe, é Ipiranga.

Declarante:- Pois é, mas é lá mesmo que nós temos.

Delegado da Polícia Federal:- Lá existe uma sede que o senhor se referiu, identificada…

Declarante:- Existe uma casa alugada perto do batalhão.

Delegado da Polícia Federal:- Do lado do batalhão, né?

Declarante:- Do lado do batalhão.

Delegado da Polícia Federal:- Exatamente. O que funciona naquela sede?

Declarante:- Funciona uma parte da sede porque o instituto lá é pequeno.

Delegado da Polícia Federal:- E por que lá não é identificado como Instituto Lula, essa sede ao lado do batalhão, lá não existe placa que indicam que é o Instituto Lula?

Declarante:- Mas nem no instituto existe placa.

Delegado da Polícia Federal:- Ok, não tem também identificação, tá certo. Lá existe um local, o senhor saberia dizer o que exatamente tem nessa sede?

Declarante:- Lá funciona a assessoria de imprensa, lá funciona o blog do instituto, lá funciona a presidência do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. O senhor conhece Jair Francisco Sapurani?

Declarante:- Deve ser o proprietário que alugou a casa.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor tem alguma relação com ele?

Declarante:- Não. Quando eu era presidente, eu lembro que ele era assistente (inaudível), mas não tenho relação de amizade com ele.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor disse que nessa sede, ao lado da polícia militar, funciona a diretoria, assessoria de imprensa.

Declarante:- Funciona a presidência.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. E na outra sede, a mais conhecida, o que funciona lá?

Declarante:- Vou pegar um café aqui, deixa eu pegar um café.

Delegado da Polícia Federal:- Isso. Se o senhor quiser, vamos ajudar, vamos colocar o cafezinho aqui mais perto da gente, para a gente também poder se servir.

Declarante:- Qual era a pergunta?

Delegado da Polícia Federal:- O senhor descreveu quais são os setores do Instituto Lula que funcionam naquela sede ao lado da polícia militar, e aquela outra sede, a mais conhecida, quais são os setores do Instituto Lula que funcionam lá?

Declarante:- Lá tem a minha sala, tem a Clara Ant que é diretora que funciona lá, tem o Luiz Dulci que é o ex-ministro que funciona lá, tem o ministro Paulo Vanuchi que funciona lá e tem os funcionários que trabalham.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Como é que são feitas, como é que são colhidas as doações por empresas para o Instituto Lula?

Declarante:- Como qualquer outra empresa ou qualquer outro instituto, ou você recolhe fazendo o projeto ou você recolhe pedindo dinheiro.

Delegado da Polícia Federal:- Quem tem essa função de pedir dinheiro em nome do instituto?

Declarante:- A direção do instituto, isso é feito em qualquer instituto, isso vale…

Delegado da Polícia Federal:- Alguma pessoa em específico?

Declarante:- Isso vale, não, deve ser o tesoureiro e o diretor financeiro do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Quem são?

Declarante:- Hoje eu acho que é o Celso Marcondes, mas isso funciona como qualquer instituto, do Fernando Henrique Cardoso, do Sarney, do Bill Gates, do Bill Clinton, do Kofi Annan.

Delegado da Polícia Federal:- Há 5 anos atrás, quem tinha essa função de pedir doações a empresas em nome do Instituto Lula?

Declarante:- Sempre o diretor financeiro.

Delegado da Polícia Federal:- Cinco?

Declarante:- Sempre o diretor financeiro.

Delegado da Polícia Federal:- Quem foram os diretores financeiros nos últimos 8 anos?

Declarante:- Nos últimos 8 anos, não tinha diretor financeiro nos últimos 8 anos.

Delegado da Polícia Federal:- Desde que começou a ter o diretor…

Declarante:- Nós tivemos, tivemos acho que a companheira Clara Ant por um período e depois o Celso.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Em que período seria a senhora Clara Ant, em que período ela…

Declarante:- Eu acho que depois que nós voltamos.

Delegado da Polícia Federal:- Nós voltamos?

Declarante:- Da presidência.

Delegado da Polícia Federal:- Em 2011, janeiro de 2011?

Declarante:- em 2011.

Delegado da Polícia Federal:- Ela começou a exercer essa atividade de diretoria financeira?

Declarante:- Eu não sei se ela começou a exercer, aí eu não tenho certeza, pode perguntar pAra ela.

Delegado da Polícia Federal:- Ela era sua assessora no palácio do planalto?

Declarante:- Ela era deputada estadual, ela era dirigente do PT, ela foi dirigente e fundadora da CUT e ela era a pessoa que trabalhava as informações do governo na presidência da república.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. O senhor lembra qual era o salário dela quando ela passou a trabalhar no instituto?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Do diretor financeiro em geral do instituto?

Declarante:- Não, é tudo igual, não tem acho que de diferença naquele…

Delegado da Polícia Federal:- Em torno de quanto mais ou menos?

Declarante:- Não sei.

Delegado da Polícia Federal:- É comum as empresas procurarem espontaneamente o Instituto Lula para oferecer doações?

Declarante:- Não. Aliás, eu não conheço ninguém que procura ninguém espontaneamente para dar dinheiro, nem o dízimo da igreja é espontâneo, se o padre ou o pastor não pedir, meu caro, o cristão vai embora, vira as costas e não dá o dinheiro, então dinheiro você tem que pedir, você tem que convencer as pessoas do projeto que você vai fazer, das coisas que você vai fazer. Lamentavelmente, no Brasil ainda não é uma coisa normal, mas no mundo desenvolvido isso já é uma coisa normal, ou seja, não é nem vergonha, nem crime, alguém dar dinheiro para uma fundação, aqui no Brasil a mediocridade ainda transforma tudo em coisas equivocadas.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor chegou a procurar alguma empresa para pedir dinheiro para esses projetos no Instituto Lula?

Declarante:- Não, porque não faz parte da minha vida política, ou seja, eu desde que estava no sindicato eu tomei uma decisão: eu não posso pedir nada a ninguém porque eu ficaria vulnerável diante das pessoas.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor nunca pediu dinheiro em nome do instituto?

Declarante:- Não, e pretendo não pedir nos últimos anos que eu tenho de vida.

Delegado da Polícia Federal:- Era só o diretor financeiro que pedia ou mais alguém fazia esse tipo de pedido?

Declarante:- Deve ter mais gente que pedia, aí teria que perguntar para quem conhece.

Delegado da Polícia Federal:- Para quem o conhece?

Declarante:- Deveria perguntar para quem conhece.

Delegado da Polícia Federal:- Que seriam os diretores financeiros?

Declarante:- O Paulo Okamotto, pode perguntar para o Paulo quem é que pedia.

Delegado da Polícia Federal:- Qual era a função do Paulo?

Declarante:- O Paulo é o presidente do instituto, o Paulo coordena o instituto, coordena as reuniões, o Paulo coordena as decisões do instituto, o papel de presidente.

Delegado da Polícia Federal:- Também pede dinheiro para o instituto?

Declarante:- Eu acho que pode pedir, não sei se pede, mas eu acho que pode pedir.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor não lembra, porque o fluxo financeiro do instituto é grande, então eventualmente pode…

Declarante:- Ele é menos do que eu precisava.

Delegado da Polícia Federal:- Não, sem entrar nesse mérito, mas eventualmente uma doação grande ela deve ser comemorada…

Declarante:- Não havia comemoração.

Delegado da Polícia Federal:- Não, não, não, no sentido de que uma empresa, num instituto que tenha uma determinada finalidade, eu acredito que uma doação grande inserida é chegada com bons olhos, ou seja, essa notícia é transmitida, eu falei isso para lhe perguntar, o senhor lembra do senhor Paulo Okamotto comemorando, dando uma boa notícia para a diretoria de que eventualmente tenha recebido uma quantia suficiente para um determinado projeto?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Não?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Tem um valor mínimo de doação, tem alguma definição?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- É dado recibo?

Declarante:- É, porque tudo tem que ser legalizado, se a pessoa dá o dinheiro eu acho que a pessoa quer comprovação que doou.

Delegado da Polícia Federal:- E é por transferência ou em reais?

Declarante:- Não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Qual era o montante médio anual de recurso auferido?

Declarante:- Ah, não sei, não pergunte para mim essas coisas financeiras porque eu não cuido disso.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Não teria nem ideia de quanto…

Declarante:- Nem no instituto e nem em casa eu cuido disso, em casa tem uma mulher chamada dona Marisa que cuida e no instituto tem pessoas que cuidam.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor não faz nem ideia?

Declarante:- Não faço ideia.

Delegado da Polícia Federal:- De quanto entra em dinheiro?

Declarante:- E faço questão de não fazer ideia.

Delegado da Polícia Federal:- Como são destinadas e aplicadas essas doações?

Declarante: Não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Quem decide o senhor falou sobre quem aplica e tal, então seria a diretoria?

Declarante:- A diretoria.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor recebe uma remuneração pelo instituto?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Existe algum museu sendo construído, reformado?

Declarante:- Teria se o Ministério Público tivesse deixado, porque nós entramos com o pedido, o Kassab nos deu um terreno ali próximo à região da Estação da Luz, onde está fazendo… Aquela região do crack lá, a cracolândia, o Kassab nos deu o terreno que a gente queria fazer o Memorial da Democracia, o Ministério Público de São Paulo entrou com um processo e está suspenso até agora, então não tem; eu pensei em levar para a universidade, mas aí resolvi deixar lá.

Delegado da Polícia Federal:- E foi enviado algum recurso para a África para eventualmente ajudar na miséria ou fome, alguma coisa assim?

Declarante:- Não, não.

Delegado da Polícia Federal:- Aqui no Brasil foi…

Declarante:- Que eu saiba não.

Delegado da Polícia Federal:- E aqui no Brasil?

Declarante:- Deixa eu lhe falar, o instituto não é uma ONG, o instituto não é, eu tomei uma decisão que o instituto não seria uma ONG, nós não vamos fazer um instituto que “Ah, mandar 10 milhões para cuidar não sei do que, não sei aonde”, não, não é esse o papel do instituto, o papel do instituto é tentar mostrar para as pessoas que é possível pescar, o papel do instituto é ensinar as pessoas a pescar os mesmos peixes que nós pegamos no Brasil, mostrar que é possível um país se desenvolver, evoluir, gerar emprego, gerar renda, melhorar a vida de todo mundo, melhorou a vida da Polícia Federal pra cacete no meu governo, melhorou a vida dos catadores de papel pra cacete, melhorou a vida do pequeno produtor rural como nunca melhorou nesse país, então o que nós fazemos é mostrar o que acontece, o que é possível fazer num país, esse é o papel do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

Declarante:- E o meu papel pessoal, porque eu faria isso independentemente de instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Mudando um pouquinho de assunto agora, o senhor conhece a empresa G4 Entretenimento e Tecnologia Digital?

Declarante:- Eu não conheço, mas eu sei que acho que é do, o meu filho acho que era sócio dela, G4.

Delegado da Polícia Federal:- Qual filho?

Declarante:- O Fábio.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor sabe quais as atividades exercidas por ela?

Declarante:- Não sei. Esse negócio de game, não me pergunte nada que eu sou analfabeto.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor saberia dizer, ele já comentou com o senhor quantos empregados, ele dá emprego para quanta gente lá, quantas famílias sobrevivem dela, não sabe dizer?

Declarante:- Não, cada um cuida do seu nesse país.

Delegado da Polícia Federal:- Mas, assim, mais de 5, mais de 20?

Declarante:- Eu não sei, querido, não tenho a menor noção.

Delegado da Polícia Federal:- E o senhor sabe onde ela se situa?

Declarante:- Não. Aliás, eu nunca fui.

Delegado da Polícia Federal:- Além do seu filho Fábio, seria um dos sócios dela, quem seriam os outros sócios?

Declarante:- Não sei, querido.

Delegado da Polícia Federal:- E ela já recebeu valores do Instituto Lula?

Declarante:- Se prestou serviços, não recebeu benefícios, recebeu pagamentos, eu não sei se prestou serviços, mas se prestou serviços recebeu, todo mundo que presta serviços para o instituto recebe.

Delegado da Polícia Federal:- E o senhor sabe se ela prestou algum serviço?

Declarante:- Não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor conhece a empresa Flex BR Tecnologia Ltda.?

Declarante:- Essa eu faço questão que você conheça.

Delegado da Polícia Federal:- Eu não conheço.

Declarante:- Eu não conheço, quero que você conheça, eu não conheço, quero que você vá conhecer.

Delegado da Polícia Federal:- Por quê?

Declarante:- Porque é uma peça de ficção, eu não conheço, não sei onde fica, eu sei que vocês estão investigando ela porque eu vi no relatório, Deus queira que vá muita gente da Polícia Federal lá para ver, e ver o que ela já produziu na vida.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor acha que é positivo ou negativo o que ela produz?

Declarante:- Não, deixa vocês investigarem que é melhor. Eu só espero que depois que investigarem me deem um atestado de estar dizendo a verdade sobre cada coisa, só isso.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor afirma que nunca ouviu falar nessa empresa?

Declarante:- Se eu não ouvi falar? Se eu não tivesse ouvido falar eu teria ouvido aqui na petição que me mandaram aqui, porque tem escrito nela.

Delegado da Polícia Federal:- Não, mas assim, antes de ter…

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Não, nunca, não tem conhecimento, ok. Obviamente, então, o senhor saberia falar alguma coisa entre ela e o Instituto Lula, alguma relação entre elas?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Em relação a Camargo Correa, Construtora Camargo Correa, que relação ela pode ter com o Instituto Lula?

Declarante:- Nenhuma.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor tem conhecimento se ela fez doações ao Instituto Lula?

Declarante:- Até saiu na imprensa que ela fez.

Delegado da Polícia Federal:- E o senhor sabe dizer quem pediu as doações para ela?

Declarante:- Eu vou repetir, deve ter sido ou o tesoureiro do instituto ou algum diretor do instituto, ela deu para o instituto acho que a metade do que ela deu para o Fernando Henrique Cardoso, metade, deveria ter dado mais, mas deu menos.

Delegado da Polícia Federal:- E quem é o tesoureiro do instituto?

Declarante:- Olha, eu vou repetir aqui, ou é o Celso Marcondes ou é a Clara Ant, se não for nenhum dos dois é o presidente do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Ok.

Declarante:- Se não for o presidente do instituto…

Delegado da Polícia Federal:- O Paulo Okamotto então pode ser tesoureiro também, ele pode exercer a função de tesoureiro também?

Declarante:- Quem?

Delegado da Polícia Federal:- O Paulo Okamotto.

Declarante:- É que o presidente é a maior autoridade do instituto, é a maior autoridade do instituto, então mesmo coisas que a tesouraria faça muitas vezes têm que passar por ele, é assim até no Corinthians.

Delegado da Polícia Federal:- Então é possível, por exemplo, que o próprio Paulo Okamotto ou a Clara Ant tenham pedido doações a qualquer empresa, entre elas a Camargo Correa?

Declarante:- É possível, é possível.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. O mesmo se aplica à OAS, ou seja…

Declarante:- A todas.

Delegado da Polícia Federal:- Odebrecht?

Declarante:- A todas.

Delegado da Polícia Federal:- Andrade Gutierrez?

Declarante:- Aos bancos…

Delegado da Polícia Federal:- À UTC?

Declarante:- Todas, todas, todas.

Delegado da Polícia Federal:- Queiroz Galvão…

Declarante:- Todas.

Delegado da Polícia Federal:- Enfim, todas essas fizeram doações ao Instituto Lula…

Declarante:- Não sei se todas fizeram.

Delegado da Polícia Federal:- Não sabe?

Declarante:- Não sei, querido.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

Declarante:- Você perguntou da, da…

Delegado da Polícia Federal:- Camargo Correa…

Declarante:- Da Camargo Correa, eu disse que a imprensa já deu que a Camargo Correa tinha doado dinheiro para o instituto e disse que ela doou metade do que doou para o Fernando Henrique Cardoso, o restante…

Delegado da Polícia Federal:- O senhor saberia dizer quem na Camargo Correa seria o interlocutor da Camargo Correa para fazer doação, ou da OAS?

Declarante:- Não sei. Não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Alguém da OAS, alguém da Andrade Gutierrez, que a gente possa verificar porque passou por essa pessoa?

Declarante:- Eu já disse para você que a mim não interessa discutir esses assuntos, não me interessa.

Delegado da Polícia Federal:- Em razão das doações ao Instituto Lula, o senhor já gestionou pelos interesses dessas empreiteiras em contratos e financiamentos?

Declarante:- Não entendi a pergunta. Dormiu pouco essa noite?

Defesa:- Não, dormi bem.

Delegado da Polícia Federal:- Em razão das empresas que doaram valores para o Instituto Lula, como essas, Camargo Correa, OAS ou qualquer uma outra, o senhor já chegou a fazer gestão para que elas fizessem algum contrato com a administração pública federal?

Agente da Polícia Federal:- A hora que precisar interromper para comer alguma coisa, então. Já está tudo aqui, o Morais trouxe.

Declarante:- O que vocês têm aqui para comer?

Delegado da Polícia Federal:- Não, pode dar uma olhadinha aí, pode abrir, o que achar que é bom…

Defesa:- O pior é que tem os outros todos olhando aí…

Delegado da Polícia Federal:- Não, a gente tomou café, o ex-presidente no fim saiu sem café e tem todo o direito aí de se alimentar.

Defesa:- E pode parar se quiser.

Declarante:- Eu não quero só um pãozinho.

Delegado da Polícia Federal:- Então vou aproveitar para pegar um cafezinho também.

Declarante:- Então eu vou escolher o misto quente.

Defesa:- Deveria ter pego outro.

Declarante:- Não, é a mesma coisa, vou comer um misto quente… O senhor quer?

Defesa:- Não, obrigado.

Declarante:- O senhor tomou café em casa?

Defesa:- Comi alguma coisinha no caminho.

Declarante:- Tem pão de queijo aqui, olha, quem quiser pão de queijo.

Delegado da Polícia Federal:- Acho que trouxeram para todos.

Declarante:- Não, foi para todos, não foi só pra mim.

Delegado da Polícia Federal:- Doutor, eu vou passar para o senhor um mandado de intimação para uma audiência, uma audiência que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva deve comparecer em São Paulo mesmo, no Fórum, enquanto eu continuo as perguntas o senhor olha se está tudo ok, depois a gente só pega a assinatura.

Defesa:- Está bom.

Delegado da Polícia Federal:- A via dos senhores e depois pegar o ciente. O senhor fique à vontade, quando a gente for recomeçar o senhor só me avisa.

Declarante:- Você sabe que…

Defesa:- Está desligada, né?

Delegado da Polícia Federal:- Não.

Defesa:- Mas só lembrar o seguinte, continua ligado isso daqui.

Declarante:- Se quiser continuar, pode continuar, eu sei falar de boca cheia.

Delegado da Polícia Federal:- Não, não, eu só não quero atrapalhar o seu café.

Declarante:- Na fábrica a gente trabalhava em horário corrido, você tinha meia hora para comer, então era uma desgraça, você comia falando, então…

Defesa:- Quem tirou tanta gente da miséria tem direito a comer também.

Delegado da Polícia Federal:- É verdade.

Declarante:- É leite, isso é chá, né?

Delegado da Polícia Federal:- Isso aqui é chá.

Defesa:- Eu acredito que já houve uma carta precatória em São Paulo, o senhor sabe dizer se é a mesma?

Delegado da Polícia Federal:- Olha, eu não faço a mínima ideia do que é isso aí, só chegou para mim agora o mandado da intimação, não sei nem da onde veio direito, não tive tempo de ler.

Defesa:- Há um réu numa ação penal que arrolou o senhor como testemunha, o réu José Carlos Bumlai, e ao que me consta já chegou a intimação, mas parece que o juiz aqui que preside o processo fez encaminhar ele diretamente uma nova intimação. O estranho é que veio na verdade sem precatória, mas a forma como chegou, quem é que encaminhou isso aqui, esse documento?

Delegado da Polícia Federal:- Chegou no e-mail do colega aqui da nossa equipe dizendo “Olha, chegou uma ordem judicial pedindo para que tu intimes o ex-presidente Lula”.

Defesa:- Então, é porque eu não estou vendo é o seguinte, quer dizer, há procedimento que se deve observar, então…

Delegado da Polícia Federal:- Talvez isso até favoreça o próprio intimando…

Defesa:- É, na verdade eu prefiro sempre observar o procedimento legal.

Delegado da Polícia Federal:- Então, mas eu costumo dizer sempre “A ordem judicial a gente cumpre e não questiona”, então eu estou cumprindo uma ordem judicial.

Defesa:- Para mim o procedimento é importante.

Delegado da Polícia Federal:- Não, claro, mas eu acho que se o senhor…

Defesa:- Eu gostaria na verdade de saber a origem, porque eu não posso assinar um documento que veio sem carta precatória…

Delegado da Polícia Federal:- Não, eu estou declarando aqui no audiovisual que esse documento chegou por e-mail para a nossa equipe policial, a origem foi…

Defesa:- Tem o número do processo?

Delegado da Polícia Federal:- Está aqui. A 13ª vara federal encaminhando um mandado de intimação, agora, neste momento, eu passo a dar ciência ao senhor Luiz Inácio Lula da Silva que existe uma petição número 5007401-06.2016.404.7000, Paraná, esse é o número do processo, o requerente é o Ministério Público Federal e o requerido é a senhora Marisa Letícia e o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, Mandado de Intimação, doutor Sérgio Fernando Moro, Juiz Federal da 13ª Vara Federal, manda a quaisquer autoridades policiais a quem este for apresentado que em seu cumprimento procedam a intimação do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, qualificação, para que compareça na sede da Justiça Federal em São Paulo, situada na Avenida Ministro Rocha Azevedo, 25, na sala de videoconferência 1, décimo quinto andar, para audiência de instrução que será realizada por videoconferência no dia 14 de março de 2016, as nove e meia da manhã, ocasião em que será ouvido como testemunha arrolada pela defesa de José Carlos Costa Marques Bumlai, acerca dos fatos descritos na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal nos autos da ação penal 5061578-51.2015.404.7000. Então é apenas um mandado de ordem para uma testemunha, agora se o senhor acha que o procedimento não é correto, aqui não é o momento para o senhor alegar porque eu apenas estou cumprindo um mandado, mas eventualmente o senhor pode peticionar nos autos se o senhor entender que não…

Defesa:- É que me causou surpresa porque foi expedido, pelo que me consta, uma carta precatória, então eu não entendi só a, a…

Delegado da Polícia Federal:- Mas, como eu lhe falei, eu realmente não tenho conhecimento.

Defesa:- A sistemática que foi adotada, há uma duplicidade de atos processuais, até porque é um pouco inusual, mas tudo bem.

Delegado da Polícia Federal:- Mas, assim, como o processo é eletrônico, o processo eletrônico…

Defesa:- A gente vai, vou checar, vou checar.

Delegado da Polícia Federal:- Isso, eu realmente não tenho conhecimento.

Defesa:- Eu tenho o código verificador ali, né.

Delegado da Polícia Federal:- Não, não, não, é que o processo é eletrônico, eles vão saber exatamente se está havendo duplicidade, só precisa assinar.

Ministério Público Federal:- É comum, doutor, principalmente quando não é réu, expede-se a precatória, às vezes tentam por telefone, então é um procedimento para tentar realmente alcançar a pessoa, foi atrás e não obteve aquele sucesso, é mais para tentar achar a testemunha.

Defesa:- Na verdade, a precatória foi expedida e já foi cumprida, então é isso que me causou uma certa estranheza.

Ministério Público Federal:- Não deve ter retornado ainda.

Defesa:- É, pode ser, pode ser.

Ministério Público Federal:- Não deve ter retornado e aí o juiz deve ter tomado essa precaução “Olha, tenta também levar ao conhecimento…”…

Delegado da Polícia Federal:- Então, antes da gente começar só pega o ciente do ex-presidente.

Não identificado:-Aqui no…

Delegado da Polícia Federal:- Isso, essa aqui é nossa via e essa é a deles.

Não Identificado:- Essa aqui é a de vocês?

Delegado da Polícia Federal:- Isto.

Não identificado:- Faz o favor, aqui do lado…

Declarante:- Tem que assinar aqui?

Defesa:- Isso, só colocar ciente.

Não identificado:- 4 de março…

Defesa:- 04/03/2016 e a assinatura do senhor…

Declarante:- Estou fazendo uma coisa remunerada, o acordo de dar esse depoimento que eu vou dar…

Não identificado:- Só rubricar a primeira aí, faz favor, só rubricar. Obrigado.

Defesa:- Essa é uma intimação filmada?

Delegado da Polícia Federal:- É.

Declarante:- Estou pronto.

Delegado da Polícia Federal:- Ok. Então, a partir desse momento, o Coronel Morais passa a estar presente como testemunha, assim como o agente Almeida, apenas para constar. O senhor conhece o senhor José de Filippi Júnior?

Declarante:- Conheço.

Delegado da Polícia Federal:- Qual a relação do senhor com ele?

Declarante:- A relação é de petista, ele foi prefeito de Diadema, foi secretário de Diadema, foi secretário da prefeitura de São Paulo, foi deputado federal.

Delegado da Polícia Federal:- Extraindo essa questão partidária, política, qual é a relação que o senhor tem com ele?

Declarante:- Uma relação pessoal boa.

Delegado da Polícia Federal:- Qual a relação que ele tem com o Instituto Lula?

Declarante:- Ele foi diretor do instituto nos anos, no começo do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E desde quando…

Declarante:- Hoje nenhuma.

Delegado da Polícia Federal:- Desde quando ele não tem mais relação com o instituto?

Declarante:- Ah, desde que eu deixei o instituto, acho que desde que eu fui eleito Presidente ou, ou, eu não sei preciso a data, mas eu penso que ele teve função no instituto até o começo do meu mandato, depois acho que ele deixou, acho que ele deixou, hoje ele não tem nenhuma função.

Delegado da Polícia Federal:- Seria quando mais ou menos?

Declarante:- Ah, eu não sei, querido, precisar a data.

Delegado da Polícia Federal:- Nos últimos seis anos ele exerceu…

Declarante:- Não, acho que não.

Delegado da Polícia Federal:- Ele foi presidente do instituto?

Declarante:- Foi.

Delegado da Polícia Federal:- Lembra quando?

Declarante:- Não me lembro, deve ter sido logo que eu deixei o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Ele também poderia estar nos últimos anos fazendo pedido de doações para o Instituto Lula, mesmo tendo se desvinculado do instituto?

Declarante:- Para o instituto eu não sei, eu sei que ele foi coordenador da minha campanha em 2006.

Delegado da Polícia Federal:- E ele poderia estar pedindo também para o Instituto Lula, além da campanha?

Declarante:- Aí não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Depois de 2006, ele teria algum pedido em nome do Instituto Lula, continuou exercendo alguma função?

Declarante:- Não, não acredito porque o instituto estava quase paralisado.

Delegado da Polícia Federal:- Em 2006?

Declarante:- É.

Delegado da Polícia Federal:- Então, digamos que até 2011, quando o senhor reativou, digamos assim, o Instituto Lula, ele não deveria estar pedindo doações para o Instituto Lula?

Declarante:- Não deveria, acho que não.

Delegado da Polícia Federal:- E depois de 2011 ele não estava mais…

Declarante:- Acho que não.

Delegado da Polícia Federal:- Exercendo qualquer função, é isso, ok.

Declarante:- Acho que ele foi eleito deputado federal em 2010, não foi?

Defesa:- Não sei, acho que foi sim.

Delegado da Polícia Federal:- Ele foi prefeito de Diadema?

Declarante:- Foi três vezes prefeito de Diadema, foi secretário de Diadema, foi secretário de obra, foi secretário da saúde aqui em São Paulo, o melhor prefeito que nós tivemos em Diadema.

Delegado da Polícia Federal:- Com a empresa LILS Palestras, o José Fillipi tem alguma relação?

Declarante:- Não tem.

Delegado da Polícia Federal:- Nunca teve?

Declarante:- Nunca teve.

Delegado da Polícia Federal:- Então ele nunca teria autorização para pedir ou fazer agendamento de palestras, tratar qualquer valor de remuneração a palestras?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Isso o senhor afirma com certeza?

Declarante:- Tem 99% de possibilidade que ele nunca tratou disso.

Delegado da Polícia Federal:- Pelo menos com a sua autorização?

Declarante:- É.

Delegado da Polícia Federal:- Em relação à LILS?

Declarante:- Nunca, eu nunca fui fazer uma palestra a convite do Fillipi.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

Declarante:- Nunca conversou comigo sobre isso.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Na condição de tesoureiro da sua campanha de 2006, o senhor tem conhecimento de que construtoras ele teria pedido dinheiro, na qualidade de tesoureiro da sua campanha em 2006 o senhor tem conhecimento para quais construtoras, grandes construtoras do Brasil, ele teria pedido doações para a campanha?

Declarante:- Deve estar na justiça eleitoral, deve estar no relatório apresentado e aprovado pela justiça eleitoral.

Delegado da Polícia Federal:- E com relação à UTC Engenharia, o senhor lembra?

Declarante:- Não lembro. Não me pergunte qual empresa individualmente, a não ser que a gente requeira aí o relatório apresentado pelo PT.

Delegado da Polícia Federal:- Isso a gente tem acesso, mas se o senhor puder lembrar…

Declarante:- Deixa eu lhe falar uma coisa, um Presidente da República que se preze não discute dinheiro de campanha, se ele quiser ser presidente de fato e de direito ele não discute dinheiro de campanha.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Uma doação de 2,4 milhões feita pela UTC Engenharia, o senhor não tomou conhecimento?

Declarante:- Nem essa e nem outras.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

Declarante:- Mas se ela doou deve estar registrado na justiça eleitoral.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor já ouviu falar, tomou conhecimento de uma possível doação feita pela UTC ao partido dos trabalhadores, em razão de contratos celebrados com a Petrobras, como se fosse uma espécie de, por exemplo, comissão, o senhor já ouviu falar nisso?

Declarante:- Eu não acredito nisso, eu não acredito, em muita coisa que eu vejo na imprensa sobre Lava Jato eu não acredito.

Delegado da Polícia Federal:- Ok, mas o senhor ouviu falar nisso antes da Lava Jato?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- E com relação ao contrato que a UTC Engenharia firmou para o Comperj, o senhor sabe se houve alguma doação para o partido dos trabalhadores em razão disso?

Declarante:- Não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor conhece João Henrique Worn?

Declarante:- Quem?

Delegado da Polícia Federal:- João Henrique W.O.R.N, então pode ser Vorn, Worn.

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor não sabe então dizer qual a relação dele com o José Fillipi?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor sabe se o José Fillipi costuma usar um serviço de táxi com o mesmo taxista?

Declarante:- Serviço de que?

Delegado da Polícia Federal:- Táxi, táxi…

Declarante:- Eu não sei, querido.

Delegado da Polícia Federal:- Não sabe se ele anda de táxi?

Declarante:- Não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Sabe se tem algum taxista que é amigo dele?

Declarante:- Não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Não?

Declarante:- A nossa amizade não chega a tanto.

Delegado da Polícia Federal:- Por isso que eu perguntei qual era a sua relação com ele, o senhor disse que era uma relação boa…

Declarante:- Como é que eu vou saber como ele anda?

Delegado da Polícia Federal:- Mas é que às vezes tem pessoas que a gente conhece que sabe que só anda de táxi.

Declarante:- Espero que ele tenha carro, que ele dirija.

Delegado da Polícia Federal:- É, é, está certo.

Declarante:- Aqui em São Paulo também andar de táxi é uma preferência hoje.

Delegado da Polícia Federal:- Pois é. O senhor conhece Rogério Aurélio Pimentel?

Declarante:- Conheço.

Delegado da Polícia Federal:- Qual a relação que o senhor tem com ele?

Declarante:- Ele trabalhou como segurança desde 1989.

Delegado da Polícia Federal:- Segurança?

Declarante:- Segurança na minha campanha presidencial, depois ele foi trabalhar na presidência da república, foi auxiliar a dona Marisa, depois que eu deixei a presidência da república ele foi trabalhar no SESI.

Delegado da Polícia Federal:- E com o Instituto Lula, ele tem alguma relação?

Declarante:- Nenhuma.

Delegado da Polícia Federal:- Nenhuma? Ele costumava frequentar o Instituto Lula?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Não? O senhor tem conhecimento, o Instituto Lula nunca pediu nada para ele, e ele também nunca trabalhou para o Instituto Lula, nunca pediu em nome do Instituto Lula?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- O Aurélio tem algum apelido?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Não?

Declarante:- Não, que eu saiba não.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor, quando tiver alguma intervenção…

Defesa:- Ah tá, não, foi só pra…

Delegado da Polícia Federal:- Alguma complementação. Rogério Aurélio Pimentel fazia contato com empresas potencialmente para serem doadoras do Instituto Lula?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- E com a LILS Palestras?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Também não. Da mesma forma que não tinha nunca autorização para pedir doações ou agendar palestras, ele nunca trabalhou para a LILS?

Declarante:- Nem pra pedir, nem pra dar, não tem nenhuma relação.

Delegado da Polícia Federal:- Paulo Cangussú André, o senhor conhece, Paulo Gangussú André?

Declarante:- Paulo?

Delegado da Polícia Federal:- Paulo Cangussú André, acho que André é o sobrenome.

Declarante:- Paulo Cangussú?

Delegado da Polícia Federal:- Talvez o senhor possa conhecer por apelido ou alguma coisa?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Obviamente, então, o senhor não vai dizer se ele tem algum relacionamento com o senhor ou com o Instituto Lula pelo nome.

Declarante:- Paulo Cagussú eu não conheço, aliás é a primeira vez que eu vejo esse nome Cangussú.

Delegado da Polícia Federal:- É, pode ser Paulo André, Paulo André já é um nome…

Declarante:- Paulo André, Paulo André é um menino que trabalha com o Paulo Okamotto.

Delegado da Polícia Federal:- Isto.

Declarante:- Ele é um menino que cuida da infraestrutura, das viagens, de hotéis.

Delegado da Polícia Federal:- Relacionadas ao Instituto Lula?

Declarante:- Instituto Lula.

Delegado da Polícia Federal:- Com palestras?

Declarante:- Não, palestras não, infraestrutura de viagens minhas, se eu for para Brasília é o Paulo André que cuida de avião, se eu for para um hotel é o Paulo André que cuida do hotel, é isso que ele faz.

Delegado da Polícia Federal:- Sempre com recursos do Instituto Lula ou da LILS?

Declarante:- Sempre com recursos do Instituto Lula ou da LILS, depende de quem vai fazer o evento.

Delegado da Polícia Federal:- Ele então é o seu secretário?

Declarante:- Não, ele trabalha para o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E por que ele presta serviços para LILS?

Declarante:- Ele não presta serviços para LILS.

Delegado da Polícia Federal:- É que o senhor acabou de dizer que quando o senhor vai fazer uma palestra ele que marca…

Declarante:- Ele não presta serviço pra LILS, ele presta serviço para o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Mas o senhor vai fazer uma palestra pela LILS, o senhor disse que ele que marca…

Declarante:- Quando eu vou fazer uma palestra pela LILS, o instituto, Clara Ant ou qualquer diretor é que cuida disso.

Delegado da Polícia Federal:- Então o Instituto Lula cuida das suas palestras também?

Declarante:- De algumas, de algumas.

Delegado da Polícia Federal:- E a receita dessas palestras vai para o instituto ou para a LILS?

Declarante:- Ela fica na LILS e vai ser utilizada quando todas as empresas que vocês estão destruindo nesse país não puderem contribuir mais financeiramente, o dinheiro vai ser utilizado para manter o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Então os mesmos tesoureiros, pessoas que trabalham para o Instituto Lula também prestam serviços para a LILS?

Declarante:- Eles não prestam serviços para a LILS. Deixa eu lhe falar uma coisa, a LILS é uma empresa que foi criada apenas para dar norma jurídica às palestras que eu faço, quando alguém quer contratar a LILS alguém liga diretamente lá para o Instituto, liga para mim, liga para o Paulo, liga pra Clara, liga para todo mundo, certo? Eu montei o escritório da LILS para cumprir norma jurídica, só isso.

Delegado da Polícia Federal:- Ele funciona na mesma sede do instituto?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Qual é a sede dele?

Declarante:- Não, ele não tem sede, na verdade eu coloquei o endereço no apartamento meu para receber correspondência, mas chega…

Delegado da Polícia Federal:- E quem trata dessas palestras, trata dos valores que devem ser contribuídos, quem faz tudo isso?

Declarante:- As pessoas, quando mandam carta, as pessoas mandam carta diretamente para o instituto, para a LILS via instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E quem faz essa operação, o secretariado do senhor, vê a sua agenda “Olha, vou fazer”.

Declarante:- Tem agenda minha no instituto…

Delegado da Polícia Federal:- Quem faz isso?

Declarante:- O Marco Aurélio faz minha agenda, a Clara Ant cuida da minha agenda, é a diretora responsável de cuidar de todas as minhas atividades sindicais, políticas, do instituto, tudo passa…

Delegado da Polícia Federal:- E o Paulo André também?

Declarante:- Tudo passa pela mão dela. O Paulo André é apenas a questão de infraestrutura, “Ah, preciso alugar num quarto num hotel”, “Preciso alugar um avião”, precisa fazer outra coisa é com o Paulo André.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. E com relação às doações, ele também fazia contato com empresas?

Declarante:- Não, não. Eu não acredito, porque ele é um funcionário do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Ainda é?

Declarante:- Eu não acredito porque ele é um funcionário do instituto, ele não cuida dessas coisas.

Delegado da Polícia Federal:- Ou seja, ele ainda é funcionário do instituto?

Declarante:- Deve ser, é funcionário sim.

Delegado da Polícia Federal:- Hoje é ele…

Declarante:- Ele trabalha diretamente ligado ao Paulo Okamotto.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – PARTE 3

Delegado da Polícia Federal:- O senhor conhece, então, a Clara Ant, como o senhor já falou, qual a relação dela com o senhor?

Declarante:- A Clara Ant é fundadora do PT, deputada estadual e trabalha comigo há 25 anos.

Delegado da Polícia Federal:- Com o Instituto Lula o senhor também já falou, que ela ainda está lá, obviamente ela deve frequentar o Instituto Lula, qual seria essa frequência que ela comparece ao…

Declarante:- Quem?

Delegado da Polícia Federal:- A Clara Ant.

Declarante:- Todo santo dia, das 10 às 7, às 8 da noite, todo santo dia.

Delegado da Polícia Federal:- Ela faz contatos com as empresas que são doadoras, colaboradoras?

Declarante:- Não, não faz não.

Delegado da Polícia Federal:- Com relação à LILS, ela faz então contatos, como o senhor falou, acabou de falar?

Declarante:- Ela recebe…

Aécio e Alckmin são vaiados, sendo chamados de corruptos e ladrões de merenda escolar

A criminalização da política atinge todos. Assim é que surgem os apolíticos e viram heróis”, diz a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Dois presidenciáveis tucanos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Geraldo Alckmin, que esperavam ser aclamados pela população neste domingo, foram surpreendidos com a reação hostil dos manifestantes.

Ambos foram recebidos com vaias, sendo chamados de corruptos e ladrões de merenda escolar, em referência ao escândalo do desvio de recursos da merenda escolar na gestão de Alckmin.

Mais cedo, Alckmin recebeu, na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes, uma comitiva formada por senadores e deputados da oposição. Em entrevista coletiva ele disse que “é preciso virar a página”. 

“Precisamos virar essa página. Precisamos de uma solução rápida para retomar o crescimento”.

A deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB, avaliou que a recepção aos tucanos serve como lição. “É para esses políticos da oposição verem que tipo de manifestação apoiam e financiam. A criminalização da política atinge todos. Assim é que surgem os apolíticos e viram heróis”, disse a comunista.

Alckmin e Aécio são hostilizados em passagem na avenida Paulista

Alckmin e Aécio são hostilizados em passagem na avenida Paulista

Fonte: brasil247.com

Coluna Direto do Planalto

“Em meio a pitís e arrogância é preciso ter jogo de cintura para bem informar à sociedade”

Escrito Por Mariano Maciel

Pití   

Às vezes é preciso muito jogo de cintura para exercer o sagrado e democrático direito de bem informar à sociedade o que se passa no meio político. Mais difícil ainda é o direito de exercer a tão propalada liberdade de expressão, uma vez que gestos arrogantes, pitís e ataques de estrelismo são armas utilizadas por determinadas pessoas na tentativa de intimidar jornalistas.

* Fica a dica, xiliquento.

Som automotivo  

Sena Madureira se prepara para o 1º Encontro de Som Automotivo, neste final de semana, na praia do Amarílio.  A equipe da Prefeitura providencia os preparativos finais para a instalação das tendas, a limpeza e o melhoramento do local, para que os banhistas e freqüentadores da praia possam desfrutar do evento.

Apoio do PMDB     

Em nota, a bancada do PMDB na Câmara saiu em defesa do presidente da Casa, Eduardo Cunha, acusado de envolvimento na Lava-Jato. A nota critica os que “açodam a defender teses que ferem o princípio da presunção da inocência, destacando que este princípio é cláusula pétrea da Constituição Federal que todos os deputados juraram defender.

Vem mais

Há quem diga que, se Eduardo Cunha vier a ser afastado da presidência da Câmara, nada será tranqüilo. Isso porque, o vice-presidente Waldir Maranhão, do PP, também está entre os citados no escândalo da Lava-Jato.

Sucessão em Rodrigues Alves  

De Rodrigues Alves vem a informação que o governo estadual perdeu um excelente aliado na disputa à sucessão do prefeito Burica.  Tião Viana não teria dispensado a atenção necessária ao pré-candidato Sebastião Correia, dividindo com ele a preferência pela Íria do PSB.

* Dizem que com o retorno de Sebastião Correia ao PMDB, o PT perde a chance de permanecer mais quatro anos administrando a cidade.

BR 364  

Senadores Sérgio Petecão e Gladson Camelí abraçaram definitivamente a causa da BR 364. Todas as semanas eles são recebidos no Ministério dos Transportes e pelos diretores do Dnit.

* O temor de Gladson é com a chegada do período invernoso que pode causar mais prejuízos e estragos à rodovia federal que representa a redenção do povo do Juruá.

Apoio à Brasileia

Nesta semana quem recebeu irrestrito apoio dos senadores Gladson e Petecão foi o prefeito Everaldo Gomes para a obtenção de recursos para as obras de recuperação de Brasileia, atingida pela cheia histórica do rio Acre, no início do ano.

Frase

“Não podemos ter a Operação Lava-Jato como um soluço que não gere frutos para o futuro” – Sérgio Moro, juiz federal, em palestra no Tribunal Regional Federa da 4ª Região.

Mariano Maciel do planalto

As opiniões expressadas em Colunas não refletem necessariamente a opinião do Jornal. Todo conteúdo é de inteira responsabilidade de seus autores. Este conteúdo é publicado Por Mariano Marciel

Coluna: Romerito Aquino

Seis debatedores confabulando o golpe contra Dilma no Canal Livre, na BandNews.

Por Romerito Aquino

Em que ponto chegou a “democracia” no Brasil?

Na noite desta segunda-feira, 17/08, assisti a grande parte do programa “Canal Livre”, veiculado pelo canal fechado da BandNews.

Ali, Boris Casoy comandava um debate por um grupo formado de um representante do Datafolha, um filósofo e três outros jornalistas.

Confesso que o que vi e ouvi naquele programa me deixou deveras estupefato. Todos os seis debatedores estavam confabulando, e por consequência propagandeando, a necessidade do golpe contra o mandato da Dilma Rousseff. Uma presidenta que não faz nem 10 meses foi eleita legítima e democraticamente reeleita por mais de 54 milhões de cidadãos e cidadãs brasileiros.

Como jornalista atuando há 38 anos na capital da República, inclusive em jornais como Jornal do Brasil e O Globo, me restou um misto de pena, tristeza e nojo de ver que a grande imprensa brasileira se reduziu mesmo ao chamado Partido da Imprensa Golpista (PIG).

Tal absurdo ocorre no momento exato em que a imprensa internacional, como acabou de fazer em editorial nesta segunda-feira o  The New York Times, o maior jornal dos Estados Unidos, já está condenando o golpe contra a presidenta Dilma e a jovem democracia brasileira.

Romerito

As opiniões expressadas em Colunas não refletem necessariamente a opinião do Jornal. Todo conteúdo é de inteira responsabilidade de seus autores. Este conteúdo é publicado e autenticado diretamente por Romerito Aquino

Coluna do Mario Roberto

EQUÍVOCOS E MITOS DA MATEMÁTICA

“Não se aprende matemática, faz-se”. J.C. Sanches Huete

Por Mário Roberto Machado Torres

A matemática está presente em nossas vidas, em nosso cotidiano, em nosso mundo. O Nosso universo é matemático, onde números, situações, os problemas, o raciocínio, o pensar, o calcular, se localizar, estimar, medir, abstrair, ler e compreender informações são ferramentas básicas para o exercício da cidadania e a inserção do ser humano no mundo. Para ler e compreender nossa realidade necessitamos do conhecimento matemático, pois cada vez mais a sociedade utiliza de conhecimentos científicos e recursos tecnológicos dos quais os cidadãos precisam se apropriar para viver melhor.

A matemática sempre esteve presente em minha trajetória. Está fortemente ligada com minha formação. Dentro e fora da escola, mantemos uma boa relação. Ainda muito jovem lecionei essa disciplina em escola pública, por 10 anos. Cheguei a estudar licenciatura em matemática na UFAC, não chegando a concluir o curso (foram 5 semestres). Em seguida conclui o curso de pedagogia, passando a atuar como professor das disciplinas pedagógicas do extinto curso de magistério e coordenação pedagógica. Interesse-me pelo ensino da matemática, especificamente das séries iniciais do ensino fundamental, quando passei a estudar mais sobre o assunto. Foram nesses estudos, aliados a experiência de sala de aula, que foi vindo à luz alguns equívocos e mitos em torno dessa bela e dinâmica ciência.

A matemática é uma criação da mente humana. Foi criada e vem sendo desenvolvida pelo homem em função de necessidades sociais. Não apenas por um único homem, mas por povos em diferentes épocas e lugares. A matemática que temos hoje é o resultado das contribuições de todos os povos desde a antiguidade.

Vários foram os mitos criados ao longo de sua trajetória. O principal deles é que a matemática é difícil de aprender. A matemática é a mais antiga das ciências, por isso é difícil. Já caminhou muito, já sofreu rupturas e reformas. Caminhou muito justamente por ser fácil.

Um outro mito é o de concebê-la como exata, pronta e acabada. Quantas vezes ouvimos que 2 + 2 = 4 e sempre será. Contudo se assim ela o fosse, ainda estaríamos contando usando pedrinhas. A história da matemática é fascinante e dentre outras coisas nos revela a sua grande evolução no decorrer dos tempos. Cada povo com sua matemática. Ela não é estática, é dinâmica e assim devemos concebê-la, como uma ciência em construção.

Outro grande mito é o de que a matemática é para poucos, para mentes brilhantes, para grandes gênios. Todos têm a capacidade para aprender, nascemos com potencial a ser desenvolvido. O que existe são ritmos diferentes. Desse mito decorre outros como: mulher não aprende matemática; que a matemática é um dom. Já pensou isso! Antes de nascer somos “escolhidos” para saber uma coisa ou outra. Essa é uma ideologia muito consistente em nosso meio, principalmente nas escolas. Costumeiramente ouvimos pessoas dizer que não conseguem aprender matemática, que são incapazes, contrariando todos os estudos sobre o cérebro humano.

O problema reside justamente no ensino da matemática. È equivocado, inadequado, professores que complicam, pois se acham diferenciados. As pessoas costumam classificar como inteligentes aqueles que têm “facilidade” em aprender matemática. Afinal que matemática é ensinada nas escolas?

Praticamente a matemática tem-se resumido, principalmente na educação básica, ao ensino de procedimentos e regras de cálculos. Percebe-se o afastamento da matemática da realidade, dando a impressão que a mesma é de outro mundo (separação do mundo das idéias do mundo físico, como Platão dizia). Não se ensina conceitos, ensina-se a memorização de definições que logo são esquecidas (logo após as provas). O ensino baseia-se predominantemente apenas no livro didático; exige-se somente a memorização, não a operativa, mas a mecânica e repetitiva; o método mais utilizado é a exposição de modelos e exemplos; não há atividades lúdicas (aproveitando a natureza da criança) nem materiais concretos (a criança somente raciocina quando pode manipular os objetos a que seu raciocínio se refere. Ela só consegue abstrair em outras fases da vida); não se respeita às respostas dos alunos e espera-se a resposta desejada; exige-se rapidez no raciocínio, como se fosse uma competição, onde o bom aluno é aquele que responde primeiro; a linguagem usada é imprecisa e vaga; não há desafio; não se apresentam situações variadas; não há incentivo para as crianças desenvolverem estratégias; os problemas apresentados só existem na escola, não são familiares e buscam constantemente a operação ou conjunto de operações na resolução do problema sem relação lógica, porque se têm a concepção de que é preciso fazer sempre “alguma operação”; a atividade central da aula é a instrução; a relação professor-aluno é vertical, separando quem sabe matemática (quem ensina) e quem não sabem (quem aprende).

Com esses equívocos no ensino da matemática, os mitos são reforçados e cada vez mais fortalecidos, fazendo com que muitas pessoas tenham aversão sobre a matemática e assim excluindo-as do pleno exercício da cidadania, pois sem a matemática, a compreensão de nosso mundo fica prejudicada. Não esqueçamos também que a matemática contribui para bagagem cultural das pessoas e, portanto, seu ensino deve transformar-se em processos de descobertas por parte dos alunos.

Coluna do Mario Roberto

As opiniões expressadas em Colunas não refletem necessariamente a opinião do Jornal. Todo conteúdo é de inteira responsabilidade de seus autores. Este conteúdo é publicado Por Mário Roberto Machado Torres.

Coluna do Jacks Aroldo

Aquí também tem “SAÚDE” de primeiro mundo

Por Jacks Aroldo

É triste, é lamentável o que estamos vendo ocorrer em Brasiléia. É de ir às lágrimas com a situação relatada por uma população em busca não só de medicação, mas de sua sobrevivência.

Uma prefeitura governada por um partido que prega a igualdade, o socialismo e a democracia como gosta de falar o Sr. Aldemir Lopes presidente municipal do PMDB, e na verdade vemos é um partido pequeno, mesquinho feito de pessoas menores ainda.
Chega a ser patética, para não dizer outra coisa, o argumento da Secretaria Municipal de Saúde e das pessoas compradas para defender este poder ou se manter nele, estes atrasos já são corriqueiros.

Não dá para entender como uma Prefeitura que nos últimos dois anos e meio gastou só na compra de medicamentos mais de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), só com as empresas MARKA, MEDPLUS e ODONTOPLUS, informação postada no Portal Transparência, não consegue manter em estoque uma quantidade mínima de medicamentos que salva vidas.

E o que nos deixa mais triste e revoltado é vê esta mesma Prefeitura gastar milhões com propagandas (enganosas), contratos nada ortodóxicos com escritórios advocatícios, locação de dezenas de carros, folha de pagamento acima do percentual exido por lei etc. Só para ficar em alguns exemplos. E o mais lamentável de tudo isto é que você não vê uma vírgula se quer dos nossos nobres vereadores “omissos e submissos” em defesa do nosso município.

Chegou a hora de repensarmos politicamente Brasiléia, só isto não basta, temos que começar por nós mesmos, temos que rever nossa postura diante do atual quadro que se encontra nossa cidade, rever nossos valores, pois sem uma participação ativa de nossa sociedade estamos fadados a outros governos iguais ou piores do que este.

O QUE O TORNA UM CIDADÃO?

Possuir um título de eleitor, CPF e RG, pagar seus impostos em dia? Infelizmente não, o termo “CIDADÃO” é bem mais complexo, profundo e requer bem mais que isto…

…O que nos torna cidadãos é exatamente a capacidade de nos indignar com situações como esta que estamos vivenciando em Brasiléia, cidadão é aquele que se importa com sua comunidade, que cobra serviços, que denuncia o erro, e cobra seus direitos!

O ministério público acolhe todas as denúncias, qualquer cidadão pode e deve denunciar tais irregularidades, as denúncias podem ser feitas pela internet ou pessoalmente e não é necessário se identificar, você pode denunciar de forma anônima, o que não podemos e não devemos é nos calar diante de tantos abusos, isto seria mais que omissão, seria cumplicidade, quando temos conhecimento de um crime e não o denunciamos estamos ainda que de maneira indireta , compactuando com os infratores.

Então, sejamos cidadãos conscientes, comprometidos com nossa cidade, vamos romper o silêncio e mostrar às autoridades competentes qual é a real situação de nosso município. Se cada um fizer sua parte, teremos em breve uma melhor qualidade de vida para todos, teremos nossos direitos respeitados, nossa dignidade preservada e a consciência tranquila de um cidadão que cumpriu o seu papel, que deu sua contribuição para melhorar nossa cidade, nosso país!

Jacks Aroldo

As opiniões expressadas em Colunas não refletem necessariamente a opinião do Jornal. Todo conteúdo é de inteira responsabilidade de seus autores. Este conteúdo é publicado e autenticado diretamente por Por Jacks Aroldo

Coluna do Dr. Valadares

A LIBERDADE DE IMPRENSA COMO FATOR DEMOCRÁTICO

Por Francisco Valadares Neto

Em conformidade com as disposições legais previstas na Constituição Federal de 1988, certo que a liberdade de imprensa é um dos pilares do estado democrático de direito na medida em que proporciona a todos acesso a informação, inibindo quaisquer formas de arbitrariedades estatais.

É que, ao contrário do que outrora ocorria, inexiste em nosso país interferência do poder público (salvo daqueles que não tem compromisso com a veracidade dos fatos apurados e divulgados) na divulgação de informações a população, pena de, diga-se, inibição da formação do pensamento social.

Em sintonia com as afirmações anteriores, revela anotar que a Constituição Federal de 1988 enuncia diversas normas sobre o tema das liberdades de informação e de expressão, dentre as quais podem ser destacados os seguintes dispositivos: “Art. 5º (…) IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; (…) V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral, ou à imagem; (…) IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica ou de comunicação, independentemente de censura ou licença; (…) XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;”.

Tangente aos meios de comunicação social e da liberdade de imprensa, a Magna Carta vigente dedica artigo específico (art. 220) a conferir-lhes tratamento privilegiado, nos seguintes termos: “Art. 220 . A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. §1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV. §2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”.

De outra banda, também de natureza jus-fundamental tem-se o direito da personalidade, por seu atributo de proteção da honra objetiva e subjetiva, previsto no artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal de 1988, verbis: “Art. 5º (…) X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; (…).”.

Analisando os dispositivos constitucionais acima transcritos, sem maiores esforços, conclui-se que, salvo quando contenha intento difamatório, injurioso ou calunioso, qualquer matéria jornalística é expressão de democracia na medida em que tem como único e exclusivo objetivo narrar fatos repassados por terceiras pessoas.

Afinal, qualquer informação que exponha o nome, honra e imagem de qualquer pessoa, por divulgação ilegal e irresponsável e desprovidas de veracidade, devem ser os noticiantes responsabilizados, vez que não se traduz no verdadeiro espirito informativo da imprensa.

Considere-se ainda que, além dos cunhos informativos das noticias, as noticias veiculadas por órgãos de imprensa e jornalistas sérios servem para preservação de interesses públicos, em especial que os princípios legais capitulados no artigo 37, da Constituição Federal de 1988 não restassem infringidos, vez que qualquer ente administrativo e seus agentes devem atuar em conformidade com princípios éticos aceitáveis socialmente e que qualquer atitude que se desvie desse fim.

O caráter das informações, insista-se, devem ter o condão principal de informar o público em geral, sem omitir fatos, em razão da consagrada liberdade de expressão, onde não se busque a intimidação dos órgãos de informação por meio de pedidos incabíveis de indenizações.

Afinal, conforme ensina o saudoso Geraldo Ataliba (República, Igualdade e Ampla Defesa – O caso Folha, artigo publicado na Revista dos Tribunais, vol. 661, págs. 235/237) “O direito à informação não se realiza onde não haja uma imprensa livre, dotada de condições objetivas e subjetivas inquestionáveis de liberdade.”

Em conclusão, salvo excessos e matérias veiculadas sem qualquer suporte fático ou jurídico, a liberdade de imprensa é um eficaz instrumento da democracia, com ela se pode conter muitos abusos de autoridades públicas, motivo pelo qual, há muito tempo a defesa desse direito fundamental é considerada prioridade no âmbito da sociedade.

Francisco Valadares Neto, brasileiro, divorciado, nascido em 12 de março de 1971, na cidade de Galiléia/MG, é filho de Francisco Luiz Valadares e Solange de Souza Fagundes, graduado Bacharel em Direito pelo Instituto Luterano de Ensino Superior de Ji-Paraná (ILES/ULBRA), exercendo, desde 2001, a profissão de advogado na República Federativa do Brasil. Concluiu, em 2004, pós-graduação em Direito Público pela Faculdade Integrada de Pernambuco (FACIP), obtendo o título de Pós-Graduado em Direito Público. Iniciou, em 2007, Curso de Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad Del Museo Social Argentino, na cidade de Buenos Aires/Argentina. Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados junto ao município de Brasiléia/AC, em 2007, por iniciativa da Câmara Municipal Brasileense, foi condecorado com o título de “Cidadão honorário do Município de Brasiléia/AC” e, em 2008 e por iniciativa da Assembleia Legislativa do Estado do Acre, foi concedido ao mesmo o “Título de Cidadão Acreano”.

valadares

As opiniões expressadas em Colunas não refletem necessariamente a opinião do Jornal. Todo conteúdo é de inteira responsabilidade de seus autores. Este conteúdo é publicado Por Francisco Valadares Neto.

Coluna Folha de Urtiga

“Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição”.

Por Chiquinho Chaves

BOLA DA VEZ

O Ex-prefeito, Manoel Batista (Manoelzinho do PT), é o nome mais cogitado para prefeito de Assis Brasil, tanto dentro da FPA, quanto por parte dos eleitores até de oposição, que admiram a forma que Manoel conduziu a prefeitura nos oitos anos que esteve à frente.

SÓ INDICA

Manoelzinho confirma não ser mesmo candidato a prefeito por Assis Brasil em 2016, mas é sabido que ele tem o seu nome de preferência e deve começar a trabalhar esse nome internamente.

ANOTEM AI

O nome que todos em Assis Brasil pensam, que Manoel venha defender seja do Vereador Jerry Correia ou Neudo Lopes, mas estão todos redondamente enganados…Juninho Melo é o nome que será defendido pelo ex-prefeito.

CALO NO SAPATO

Chegou a pouco mais de dois meses em Assis Brasil, um locutor que presta serviço para a prefeitura em rádio peruana pela parte da tarde tirando o sono da FPA.

FPA NÃO DEIXOU BARATO

A frente popular por sua vez, iniciou um programa em uma outra rádio também no Peru, pela parte da manhã. Onde são feitos os relatos e principalmente as cobranças da população sobre a gestão tucana.

TOMA LÁ, DÁ CÁ

Pela manhã o programa da FPA, faz duras críticas à gestão de Betinho. E a tarde o então locutor vai lá e desfaz tudo que foi dito pela manhã e também faz duras críticas aos vereadores da FPA e ao governo do estado. Assim FPA e OPOSIÇÃO ficam na rádio peruana nesse: Toma lá dá cá.

PC do B

Lá em Assis Brasil, muitos pensam que os comunistas estão dormindo, estão muito enganados, o partido vem fazendo boas conversar e logo, logo irão surpreender a todos com boas lideranças que prometem somar e muito nas eleições 2016.

ESPERANDO A LIMPEZA

Em Epitaciolândia, os marceneiros do Polo Moveleiro estiveram reunidos com o prefeito André Hassem em busca de apoio para garantir a limpeza da área desse pequeno distrito industrial, a promessa do prefeito foi que vai manter o lugar salubre, quando virou as costas esqueceu de mandar os funcionários da obras fazerem a dita limpeza.

BRIGA NA POLITICA

Tenho ouvido nesses anos de jornalismo uma série de boatos envolvendo entreveros de políticos. Já ouvi dizer que Jorge Viana e Binho Marques quase foram as vias de fato, que Carlos Gadelha e Everaldo também por pouco não se abufelaram, e outros mais. Porém o último, foi de que por pouco a primeira dama da cidade alta quase estrangula o prefeito em seu gabinete na presença de muita gente. Como ambos tem vida pública é da conta de todo mundo e caiu na boca do povo. Mais um boato pra conta…

FOI PLANEJADO  

Encontro uma roda de amigos que teve participando da corrida de cavalos na Expolândia e confessam que o incidente causado com o cavalo do ex-prefeito Luiz Hassem parece coisa pensada e calculada, pois a prefeitura não tinha dinheiro para pagar a premiação. Para que ninguém chiasse foi dado o cavalo do maninzinho como vencedor.

VEREADORES NO RÁDIO

Colegas de bancada na Câmara de Vereadores de Epitaciolândia, Rubenslei (PRP) e Nego do Joãozinho (PTN), dois ex-jogadores de futebol, estrearam programa esportivo na rádio Jovem Pan, um programa que preenche lacuna nas programações radiofônicas na região, carente desde que Plácido Filho abandonou esse ramo.

OUTRO PARLAMENTAR COMUNICADOR

Por falar em vereador que envereda pela comunicação, em Assis Brasil, o bom parlamentar petista Jerry Correia também comanda um programa numa rádio internacional. A tônica do programa com o prefeito Betinho é: “Do pescoço pra baixo é canela”.

PAPO DE MULHER

Já que o assunto é Rádio, a boa audiência da Colega Josyane Silva nas manhãs da fronteira com seu Papo de Mulher é fantástica, a radialista fala a linguagem do povo e toca o que as pessoas querem ouvir…Parabéns Josy!

MAL DAS AVENIDAS

Moradores de Epitaciolândia começam a ficar de orelha em pé com o Prefeito André Hassem, é que em menos de 15 dias após ter anunciado a duplicação da Avenida Amazonas, o prefeito já reduziu o tamanho da obra em quase 500 metros. Se demorar mais vai ficar que nem a Avenida Marinho Monte em Brasiléia…Só na conversa!

AÇÃO CONJUNTA

Índices de assassinatos na região do Alto Acre reduziu em 80% nos primeiros seis meses de 2015, se comparados a 2014, fruto de um trabalho compartilhado entre policias Civil e Militar.

WHATSAPP

Tenho por iniciativa, não sair de nenhum grupo de Whatsapp que me adicionam, estou em 62 deles, mas nenhum é tão maluco quanto o que tem por nome PRA SENA AVANÇAR, o povo se trata tão gentilmente que vira e mexe vão parar na justiça. Até quem pula cerca é descoberto no grupo.

FORA DO PÁREO

Recebo a informação de Xapuri que o vereador Chiquinho Barbosa (PT), está fora de uma possível disputa interna pela vaga de candidato a prefeito da princesinha do Acre. “Sou candidato a reeleição e candidato a ver Xapuri avançar com a Frente Popular em 2016”, pontuou.

BRIGA DOS SETE

Xapuri é a cidade onde o PT tem o maior número de pré-candidatos a prefeito visando 2016, são sete no total: Bira Vasconcelos, Zilah de Carvalho, João Ribeiro, Selmo Dantas, Tião Aquino, Dirlei Bersch e Enilson Farias, a direção municipal do partido vai ter um pouquinho de dor de cabeça para chegar ao consenso no nome agregador.

SURPRESA

Dos nomes petista postos a direção municipal, Bira e Enilson, ganham simpatia interna e por incrível que pareça Enilson Farias que nunca disputou cargo eletivo desponta como o nome a ir para as ruas.

BEM NAS PESQUISAS

Porem Bira Vasconcelos, aparece em pesquisa de intensão de votos para prefeito de Xapuri, o povo da princesinha reconheceu que era feliz e não sabia. Bira aparece dando um baile nos demais adversários.

MAL NAS PESQUISAS

O atual prefeito de Xapuri Marcinho Miranda (PSDB), amarga rejeição elevadíssima, de cada 10 pessoas que se pergunta sobre a gestão de Marcinho, 07 falam negativamente. Se as eleições fossem hoje, ele ficaria em quarto lugar.

OPÇÕES I

O eleitorado xapuriense pode ter quarto opções para prefeito: PT, com Bira ou Enilson Farias | PSB com Erivelton Soares | DEM, com Ailson Mendonça e Marcinho Miranda se desejar concorrer à reeleição pelo PSDB.

OPÇÕES II

Em Brasiléia várias candidaturas surgem no atual momento, Everaldo Gomes deve concorrer à reeleição pelo PMDB- Joelso Pontes pelo PP, é um ponto de interrogação – O DEM articula uma via alternativa com Joaquim Lira ou Edson Braga e o PT vem com Marleuda Cavalcante ou Fernanda Hassem.

RECONHECENDO

Como em politica a gente tem que esperar até o anuncio final, vou me reservar, mas a própria Marleuda Cavalcante reconhece que o atual momento é amplamente favorável a Fernanda Hassem. Sem contar que é dificil crer que ela (Marleuda), abandone seus empreendimentos bem sucedidos para bater cabeça com uma prefeitura falida.

FALTA OFICIALIZAR

O PT em Brasiléia definiu que até o dia 13 de julho anuncia o nome que vai para disputa ano que vem, as chances de Fernanda Hassem ser a escolhida são de 99% por uma série de motivos: É jovem, se expressa bem, tem aceitação popular, e é a candidata da regional petista e do governador Tião Viana.

ELE ESQUECEU

Ouvi dia desses entrevista do Deputado Federal Flaviano Melo (PMDB), fazendo um relato sobre o atual momento de crise e escândalos envolvendo políticos. “Nunca vi coisa parecida nesses anos de política”, disse ele. Será que o Flaviano esqueceu dos escândalos da Conta Flavio Nogueira?

MARINHO MONTE

A visita de Flaviano Melo ao município de Brasiléia, trouxe um animo a militância peemedebista quanto ao gargalo dessa gestão chamado Avenida Marinho Monte, depois da passagem de Flaviano é comum os defensores afirmar que a Avenida será concluída esse ano.

NÃO COLA

Tenho ouvido do ex-secretário de Obras de Brasiléia Clécio Gadelha que quando esteve na pasta fez mais de 400 km de ramal e foi demitido da secretaria por ciúmes dos vereadores por que ele trabalhava demais.

ASSESSORES CALADOS

Comumente se ver perguntas de peemdebistas nas redes sociais, sobre quais as obras feitas pela ex-prefeita Leila Galvão nos seus oito anos à frente da prefeitura de Brasiléia e inexplicavelmente os assessores petistas ficam calados, como se ela nada tivesse  feito no município.

PIADA DE ANIVERSÁRIO

Se a imagem da gestão de Everaldo não era tão boa, caiu ainda mais depois do aniversário da cidade (03 de julho), data em que o município completava 105 anos de fundação o prefeito cancelou desfile cívico e trouxe um humorista para contar piadas na cidade. Para fazer jus a atual gestão do PMDB, no evento deu 15 pessoas.

Chiquinho Chaves

As opiniões expressadas em Colunas não refletem necessariamente a opinião do Jornal. Todo conteúdo é de inteira responsabilidade de seus autores. Este conteúdo é publicado e autenticado diretamente por Por Chiquinho Chaves.

Coluna do Dr. Valadares

Valadares faz homenagens a sua mãe: Solange de Souza Fagundes e parabeniza Brasiléia pelos 105 Anos

Em Janeiro de 1981, data em que minha família, conduzida por nossa genitora após aprovação em concurso público do extinto Banco Nacional de Habitação (BNH), chegou ao Estado do Acre para, posteriormente, fincarmos raízes no estado acriano e, sobretudo, na cidade de Brasiléia.

E, no aniversário de Brasiléia (que se encontra prestes a completar 105 anos de existência), me sinto na obrigação de falar de uma pessoa que, em seu curto período de convivência com os brasileenses (pouco mais de dez anos), tenho certeza contribuiu para o engrandecimento de nossa cidade, proporcionado aos jurisdicionados dignidade e esperança.

Poderia me dar por suspeito para falar de referida pessoa, mas não o farei, pois conheço, assim como meus outros irmãos (Fabiano, Patrícia e João Fernando), seus defeitos e virtudes, tendo certeza que aqueles são sufocados por seus inúmeros atributos (caráter, personalidade, justeza, objetividade, simplicidade, humildade, dentre tantos outros).

Assim, nesta data cívica, rendo minhas homenagens a minha mãe: Solange de Souza Fagundes.

Não reconhecerei apenas seus serviços prestados ao Poder Judiciário Acriano, mas, sobretudo, como pessoa: a mãe, a amiga e a companheira que até hoje faz parte de nossas vidas.

Como magistrada, tenho certeza, todos os brasileenses reconhecem os relevantes serviços prestados por ela na medida em que sempre buscou não somente a aplicação da lei pura e fria, mas, notadamente a justiça, vez que sempre procurou trilhar com sabedoria e conhecimento a tão valorosa atividade de juíza.

Procurou, com o apoio incondicional de outras entidades (públicas e privadas) e pessoas da sociedade civil, proporcionar aqueles descrentes com as politicas públicas um pouco de alento, levando a eles, dentre tantas outras atividades, o famoso projeto cidadão, oportunidade em que pessoas que sequer possuíam certidões de nascimento poderiam ter um nome, bem como proporcionava a eles direitos inerentes a própria pessoa humana (o direito mínimo de existirem legalmente), antes relegados a segundo plano, tais como: assistência judiciária, assistência médica, etc.

Como mãe, em poucas palavras, seria impossível descrever a força e determinação de uma mulher que, após separação de meu pai, saiu de sua cidadela em Minas Gerais (Galileia) e dirigiu-se ao estado do Amazonas e, após vender verduras em açougues para nosso sustento na cidade manauara, conseguiu com os estudos alcançar seus sonhos e, sobretudo, proporcionar a nós (filhos e netos) um futuro melhor.

Então, se pudesse resumi-la, diria assim: SOLANGE DE SOUZA FAGUNDES, fantástica mulher. Forte quando amiga, injetando-nos ânimo e determinação em todos e quaisquer momentos; advogada a proteger, defender os seus e, como juíza a analisar e julgar as atitudes dos mesmos, valendo-se de princípios que lhe são peculiares e inteligentes, em virtude de sua integridade, honestidade, decisão e, sobretudo, com seu impar senso de justiça. Por último, a mãe, a mesma e múltipla mulher, a que acolhe, afaga, aconchega, incentiva, orienta, cuida e infinitamente nos ama.

Foram anos de percalços e dificuldades, mas, encontramos em todo o Acre, notadamente na cidade de Brasiléia, aconchego e amizades até hoje duradouras apesar da distância.

Foi para ela (minha mãe) a primeira experiência na magistratura (e com certeza a mais importante), sendo para mim, até hoje, o local primeiro em que escolhi para exercer minha atividade profissional (a advocacia).

Não podemos – nem eu e nem ela – enumerarmos os inúmeros amigos que nesta cidade tão honrada fizemos pena de cometermos injustiças com aqueles que, ainda que mais timidamente e sem o convívio diário com nossa família contribuíram de forma efetiva para nossas vidas.

Afinal, foi nessa tão acolhedora cidade que, além de aprendizados profissionais, nossos familiares passavam seus dias, participando de todas as atividades, correndo e brincando por suas ruas, indo aos festivais de praias outrora realizados, estudando na então existente biblioteca municipal, enfim, convivendo com as famílias e comunidade brasileense.

O tempo passou, o destino traçou outras metas na vida de minha tão amada mãe, a qual, apesar de residir em outro estado brasileiro continua (e tenho certeza continuará para sempre) nutrindo o mesmo respeito pela cidade que adotou como sua e, em contrapartida, seus filhos a adotaram como cidadã.

A mim, em homenagem a toda a história de minha mãe e da cidade de Brasiléia, só me compete (e isso é extremamente prazeroso) continuar a exercer advocacia nela e, sobretudo, continuar a conviver com meus verdadeiros amigos.

Parabéns Brasiléia e obrigado povo brasileense por, juntamente com minha mãe, fazer parte de sua história e do convívio de seu povo, vez que, assim como a vida dela, tenho certeza que, mesmo diante de adversidades e percalços, o caminho percorrido é correto e orgulhoso.

valadares