Prefeitura de Brasiléia, realizou atividade cultural com muita música, poesia, teatro

A prefeitura de Brasiléia, através da secretaria de Cultura, realizou no domingo, 23, o Domingo no Praçauma atividade cultural com muita música, poesia, teatro e venda de comidas típicas, na praça Hugo Poli.

 Da Assessoria PMB 

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O principal objetivo é ocupar os espaços públicos com cultura e arte para que a população tenha uma opção de lazercom qualidade, e ainda possa movimentar a venda de comidas típicas e artesanato.

A primeira edição contou com a participação de dois grupos da Universidade Amazônica de Pando, que apresentou um ballet folclórico regional com o tema“ O Seringal”, e um de teatro sobre  “El canto de losJichis”.

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O grupo do Centro de Idosos também marcou presença com uma apresentação carnavalesca contagiante.

“Esse é um momento de muita alegria para todos nós, poder participar dessa atividade tão linda que movimenta nossa cidade”, disse SaidaJafuri,coordenadora do centro

O projeto será realizado uma vez por mês na praça, o delegado aposentado, José Alves, recitou poesias de sua autoria.

“Eu sou a favor que estes eventos culturais aconteçam em nosso município. Isso tira nossos jovens do mundo das drogas das coisas ruins, e torço para que outros eventos sejam realizados com artistas locais” , falou.

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Os cantores Rogerlan, e a dupla Ian e Luan também mostraram seu talento. A companhia de teatro Treme Terra, de São Paulo, mostrou seu trabalho sobre a cultura negra, pela primeira vez no Acre.

“Vimos que o Acre tem bastante cultura, tem uma história lindíssima. Brasiléia,um município vizinho da Bolívia, que é rica em cultura também,  essa rede entre os países é importante, e deve ser fortalecida cada vez mais. Estamos aqui para  apresentar nossa cultura, mais além disso aprender com o povo da Amazônia sua história e cultura,  tanto brasileira quanto boliviana”, disse João Nascimento diretor da Companhia.

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O secretário de Cultura, Raimundo Lacerda,falou sobre a importância do projeto.

“Nossa população merece um momento como esse, e a cada mês queremos oferecer mais espaço para quem a faz cultura no município,que são os nossos artistas locais”, falou.

A Prefeita, Fernanda Hassem, também prestigiou a programação.

“Nosso primeiro Domingo na Praça, foi um sucesso com muita música, poesia, dança, teatro e comidas típicas. As famílias prestigiaram, e nós só temos que agradecer à todos, e vamos continuar garantindo a realização desses eventos”, finalizou a prefeita.

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Abertas inscrições para Curso de violão na Secretaria de Cultura em Brasiléia

Começou na secretaria de Cultura as inscrições para o curso de violão, que terá duração de 6 meses, e será ministrado pelo professor Abel Araújo de Lima.

Violão

As inscrições serão feitasaté o dia 9 de maio, no horário de expediente das 7h às 12h, e das 14h às 17h na sede da secretaria.

Essa será a primeira atividade desenvolvida pela escola de Música Sonart que ao longo do ano terá uma programação especial para toda a comunidade.

Para o secretário de Cultura, Raimundo Lacerda,esse é um momento novo para a cultura do município.

“Nossa missão é que a comunidade tenha uma agenda cultural com muitas atividades, e vamos começar com esse curso de música.

A prefeita, Fernanda Hassem, acredita na cultura e vai investir na área, eu quero convidar a comunidade para participar desse curso”, disse o secretário.

Agenda-

Escola de MúsicaSonart

Atividade -Curso de Violão

Local- Centro Cultural

Endereço- Rua Vitória Salvatierra, Bairro Ferreira da Silva

Secretaria de Cultura em Brasileia

Indígenas cultivam a tradição da agricultura na Amazônia

Na margem direita da rodovia BR-364, em Tarauacá, é possível chegar a uma das menores terras indígenas (TI) da Amazônia.

Produção de milho na Aldeia Pinuya

Produção de milho na Aldeia Pinuya (Foto: Sérgio Vale)

A Aldeia Pinuya, da TI Colônia 27, do povo Huni Kuin, mostra força na renovação da terra e cultural. Existindo há apenas 44 anos, em uma área de 305 hectares, a comunidade transformou uma antiga fazenda degradada em uma florescente aldeia, com tradições e uma produção exuberante.

Em um terreno acidentado, característico da região, as 38 famílias trabalham na plantação de banana, milho, abacate, mandioca, criação de abelhas e peixes, bem como na elaboração do artesanato. Cada um desses elementos, além de subsistência da população e uma possibilidade de renda, é símbolo do resgate cultural que os povos indígenas do Acre vivem.

“Só tem uma coisa que faz a gente viver, que é ter coragem e determinação”, declara Maná Huni Kuin, uma das lideranças da Pinuya, professor, ex-vereador da cidade e presidente da Organização dos Povos Indígenas do Rio Tarauacá (Opitar). Ele está há 35 anos na aldeia e conta, enquanto passeia pelos terreiros, um pouco da história do local.

Surgida com a chegada de três famílias Huni Kuin, em 1972, a TI foi demarcada e homologada, em 1991, com 105 hectares de extensão. Com o Plano de Mitigação da BR-364, no ano de 2002, mais 200 hectares foram comprados pelo governo do Estado e incluídas no território.

Com a grande degradação do local, usado apenas para pasto e sem nenhuma cobertura vegetal, o igarapé que cortava o local secou. Maná e outras lideranças percorreram o país e o mundo em busca de alternativas para o problema da água, e conseguiram uma barragem.

Mas a solução, com o tempo, foi sendo descoberta pelos próprios moradores: o reflorestamento. “Nós começamos a morar em um local totalmente degradado, hoje já estamos no meio da floresta. Reconstruímos este local e estamos ajudando o país e o mundo a se desenvolverem”, afirma Maná.

renascimento da floresta aumenta com a criação de abelhas

O renascimento da floresta aumenta com a criação de abelhas (Foto: Arison Jardim)

Da subsistência para o mercado

A mudança foi grande. Foram plantadas diversas frutíferas, além das plantas medicinais da tradição, e construídos 14 açudes com várias espécies de peixe. Com a evolução positiva do solo e do bem-estar, o cultivo em geral foi se estendendo. Além da mandioca, o milho é produzido anualmente e se torna uma possibilidade de renda, além da subsistência.

“Tem mercado para o milho, a gente consegue vender na cidade a R$ 40 a mão de milho (50 espigas). Além de servir de alimento para a gente, serve também para alimentar as galinhas e peixes. O tambaqui gosta muito de milho”, explica o professor e líder da comunidade Txanamashā Inu Bake, conhecido também de Assis Kaxinawá.

Um grande exemplo da importância da agricultura familiar é seu papel como protetora de qualidades genéticas, passadas de geração em geração. Assis explica que o milho é plantado a partir de sementes tradicionais Huni Kuin. “A gente faz canjica, pão, caiçuma e vários tipos de comida com esse milho”, afirma.

A banana é outro produto comercializado. Depois da entrega de um caminhão, pelo governo do Estado, a Aldeia está podendo levar sua mercadoria até Rio Branco. Em 2013, o grupo levou a banana à Central de Abastecimento (Ceasa), na capital. Além disso, por anos, tem vendido para a merenda escolar por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal em parceria com o estadual. Em 2016, recebeu mais de R$ 19 mil com sua produção.

O governo do Acre realiza ainda diversas ações de fortalecimento da produção indígena, tendo investido mais de R$ 20 milhões desde 2011. Além disso, 13 comunidades indígenas participaram do PAA, movimentando mais de R$ 400 mil em 2016.

A Aldeia Pinuya é exemplo de agricultura familiar e de resistência cultural dos povos indígenas. Do canto e da dança ao cultivo de seus tradicionais roçados, transformaram a terra, revivendo uma floresta. “O reflorestamento trouxe muita coisa importante. Não tínhamos o que comer nem água para beber e estamos vendo a terra sarar. A saúde dela é germinar todas as sementes que plantamos”, afirma Assis.

Roçado, com milho e mandioca, de índios isolados do Humaitá

Roçado, com milho e mandioca, de índios isolados do Humaitá (Foto: Sérgio Vale)

A ancestralidade contemporânea

“A agricultura está na cultura indígena”, afirma José Meirelles, indigenista e sertanista que trabalhou por anos com os povos que vivem em isolamento voluntário na floresta. Durante o recente primeiro contato de um desses grupos, em 2014, na base de proteção do Rio Xinane, em Feijó, Meirelles teve a oportunidade de trocar algumas experiências de cultivo, constatando o interesses deles pela agricultura.

Depois da agitação dos primeiros dias de contato, os indígenas começaram a se mostrar mais interessados em trocar informações sobre sua vivência. Meirelles relata algumas interações: “Teve um velho que veio conversar, falou que me observava cuidando das plantas anos atrás, na Base do Xinane. Ele perguntou se eu gostava mesmo de cultivar e disse que a mandioca que eu plantava não era boa, iria então buscar umas de seu roçado para eu experimentar”.

Cinco dias depois, o velho apareceu com uma cesta com milho, mamão, pimenta e mandioca. O sertanista relata que as espécies que ele pôde ver são bastante diferentes das cultivadas no resto do estado e país. “O milho deles, quando maduro, é possível comer cru, é mole. O mamão tem a cor de goiaba por dentro, é muito saboroso”, explica.

Meirelles, observando durante várias vezes no ano os “isolados do Humaitá”, grupo recém-fotografado, percebeu um modo diferente de realizar o plantio. “Eles derrubam as árvores no espaço que será o roçado no mês de maio e, sem utilizar o fogo, plantam o milho. Depois que tiram essa colheita, lá por agosto, é que fazem uma queimada na área e plantam outras culturas, como mandioca”, explica o indigenista.

Meirelles conta ainda que, além de não deixarem um “pé de mato” invasor no roçado, esses grupos, isolados de qualquer estudo técnico, fazem o tipo de cultivo indicado para a região por várias teorias: o Sistema Agroflorestal (SAF – consórcios de culturas agrícolas com espécies arbóreas que podem ser utilizados para restaurar florestas). “Nesses roçados tem tudo junto: milho, mamão, mandioca, batatas, algodão, pau-de-flecha e pode ter até mesmo algumas plantas medicinais”, acrescenta, atestando em seguida que “produzir é coisa de índio”.

Nessas tradições, está a prova de que a agricultura familiar é uma realidade na cultura indígena desde tempos imemoriais. Contra qualquer preconceito, os povos indígenas, isolados ou não, provam que trabalho e conhecimento não faltam em uma aldeia saudável. Maná Huni Kuin reafirma o tamanho que a natureza é para seu povo e para o mundo: “Valorizamos a vida natural. Acreditamos que todo o ser humano que come, bebe e tem vida, se sustenta do que nasce na terra”.

cultivado pelos índios isolados

É possível observar uma grande variedade de plantios cultivado pelos índios isolados (Foto: Ricardo Stuckert)

Sobre os isolados

O Acre tem em seu território duas linhas da história passando ao mesmo tempo. De um lado, grupos indígenas que estão retomando suas tradições e fortalecendo seus aspectos culturais, buscando viver em um mundo contemporâneo que exerce várias pressões. E de um outro, grupos que resolveram manter-se isolados de um contato com povos brancos ou mesmo de outros indígenas, mas que são retrato vivo da história da ocupação da Amazônia, com tradições únicas e desconhecidas pelo mundo.

Até o momento foi confirmada a presença de quatro grupos distintos de isolados no Acre. Três deles possuem malocas e roçados em duas TI, Kampa de Isolados do Rio Envira e Riozinho do Alto Envira, um outro grupo é nômade. Um desses grupos, os Sapanawa, realizou um primeiro contato, buscando ajuda, com indígenas ashaninka e servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), em junho de 2014 na Aldeia Simpatia da TI Kampa e Isolados do Alto Rio Envira.

 Veja o Vídeo 

Texto: Arison Jardim || Fotos: Arison Jardim, Pedro Devanir e Sérgio Vale || Diagramação: Adaildo Neto

Campanha de Turismo na Amazônia será durante encontro de governadores

O Fórum Permanente de Comunicação Pública Governamental da Amazônia apresentou a proposta ao MTur.

 Por Márcia Moreira 

Parte da campanha que promoverá o turismo na Amazônia será apresentada pelo Ministério do Turismo (MTur), no dia 5 de maio, durante o Encontro dos Governadores da Amazônia, em Rondônia.

A proposta da divulgação partiu de uma solicitação do Fórum Permanente de Comunicação Pública Governamental da Amazônia, que reúne as secretarias de comunicação da Amazônia Legal. Em audiência com os representantes, foi criado um grupo de trabalho entre os comunicadores e gestores de turismo.

A ideia é que, ainda este ano, seja lançada a campanha nacional e internacional sobre o potencial turístico da região. “Quando o governo federal aceitou essa proposta que veio do fórum, compreendeu que cada estado da Amazônia tem potencial. Essa campanha vai possibilitar que tenhamos um aumento no número de turistas, pois é conhecendo que é desperto o interesse das pessoas de ver aquele lugar pessoalmente”, afirma a secretária de Turismo e Lazer do Acre, Rachel Moreira.

A titular estadual de Comunicação e vice-coordenadora do Fórum, Andréa Zílio, destaca que esta é uma grande conquista dos secretários da Amazônia: “Ficamos muito felizes com esse resultado e esperamos realizar outras atividades por meio do Fórum que sejam igualmente exitosas, diante do apoio que estamos tendo dos governadores da Amazônia. O governador Tião Viana, por exemplo, foi um entusiasta dessa iniciativa e também está feliz com o resultado”.

Turismo

Acre celebra valorização e inclusão de povos indígenas em políticas públicas

Por mais de 500 anos, os povos indígenas, que primeiro povoaram o território brasileiro, viveram marginalizados, excluídos de políticas públicas e viram usurparem suas terras e direitos.

 Por Nayanne Santana 

Acre celebra valorização e inclusão de povos indígenas

Yawanawás estão entre os 16 povos indígenas que vivem no Acre (Foto: Sérgio Vale/Secom)

No Acre, onde se registram 16 povos indígenas, distribuídos em 36 terras, o governo busca reduzir os efeitos das injustiças socioeconômicas cometidas em terras brasileiras.

O Estado é um dos pioneiros no país a ter, na estrutura de governo, uma Assessoria Especial dos Povos Indígenas. Zezinho Kaxinawá, gestor da assessoria, ressalta que o destaque vai além e chega aonde se faz necessário – as aldeias.

“Na gestão do governador Tião Viana, temos avançado na educação, turismo, cultura, habitação, produção e saneamento básico, entre outros setores. Hoje, os povos celebram seus festivais em suas terras. Isso é a valorização cultural indígena. Há 20 anos, isso não acontecia”, pontua o assessor especial.

Empoderamento cultural

Zezinho Kaxinawá reforça que, com o fortalecimento cultural que o governo promove valorizando, por exemplo, os festivais promovidos em aldeias e a inclusão nas políticas públicas, surgiu também o empoderamento dos povos. “Os povos não buscavam reconhecimento por causa do preconceito. Agora, a gente vê entusiasmo e orgulho da parte indígena. O próprio governador Tião Viana prestigia os festivais”, completa.

Para celebrar as conquistas nesta semana em que se comemora o Dia do Índio, ações de promoção e valorização da cultura indígena têm sido realizadas nas aldeias.

Na aldeia Morada Nova, em Feijó, e na terra indígena Katukina-Campinas estão sendo promovidas atividades culturais com danças, comidas típicas indígenas e jogos. Em Tarauacá, com o apoio da Assembleia Legislativa do Estado (Aleac), será promovido um ato em alusão ao Dia do Índio.

Na quinta-feira, 20, em Rio Branco, haverá um seminário de educação indígena que contará com palestra do doutor em educação Gilberto Dalmolin, especialista em povos indígenas, educação intercultural e educação ambiental.

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Companhia de Teatro Treme Terra se apresenta em Brasiléia

O grupo de Teatro Treme Terra é fruto das atividades de formação artística sócio-culturais promovidas no Morro do Querosene, na cidade de São Paulo.

A Prefeitura de Brasiléia através da Secretaria de Cultura, vem dando vida a cultura do município, nesse início de gestão já foram realizadas, apresentação de teatro, musicais e exposição da artistaplástica, Neca Sam que expôs seus quadros no Centro Cultural de Brasiléia.

E no dia 23, terá mais uma apresentação Cultural as16h, na Praça Hugo Poli no Centro de Brasiléia, desta vez com apresentaçãodo grupo de Teatro Treme Terra, que surgiu em 2008, com o propósito de valorizar, pesquisar e difundir a Cultura Negra. O grupo é fruto das atividades de formação artística sócio-culturais promovidas no Morro do Querosene, zona oeste da cidade de São Paulo, e contribuipara a descentralização da produção de dança contemporânea na cidade

Inspirada na mitologia dos orixás, composta por coreografias e músicas que dialogam com o universo africano e suas influências sobre as outras culturas existentes na grande metrópole, O Treme Terra vem se apresentar em Brasiléia financiando pelo Ministério da Cultura, governo do Estado do Acre, e com o apoio da Prefeitura de Brasiléia.

“Já tivemos uma grande agenda de cultura em nosso município, é agora vamos trazer um grande espetáculo do grupo Treme Terra com o espetáculo Terreiro Urbano com dança, teatro uma grande apresentação. A prefeitura está apoiando a vinda deste grupo para alavancar ainda mais a nossa cultura, e queremos convidar toda a população. Teremos ainda várias apresentações de artistas locais, venda de comidas e artesanato”, disse o Secretário de Cultura Raimundo Lacerda.

Agenda Cultural-

Evento- Espetáculo Terreiro Urbano- Treme Terra de São Paulo

Local- Praça Hugo Poli

Hora- 16h

Companhia de Teatro Treme Terra se apresenta em Brasiléia

Rio Amônia: Um dia com o povo Ashaninka da Aldeia Apiwtxa

Navegando pelo Rio Amônia, encontramos o povo Ashaninka da Aldeia Apiwtxa, vilarejo que fica a três horas de barco do município de Marechal Thaumaturgo, no Acre.

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A cada curva do rio, a impressão que tive é de que estava no cenário de um filme em que eu era o grande aventureiro. Ali, barrancos alcançam facilmente a altura de um prédio na cidade e, muito esporadicamente, surge uma habitação, onde sempre há alguém na janela olhando e timidamente acenando.

A cada “batida” do motor, vai sendo esquecida a noção de tempo. Apenas a contemplação de tudo aquilo que está à frente se torna importante.

Enfim, o som do motor vai diminuindo e o que se vê em seguida são pessoas que aguardam bem no alto dos barrancos. Pelas silhuetas, percebe-se uma mudança de vestimentas, língua e adereços. É a certeza de que chegamos na Apiwtxa.

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Com suas longas kusmas, sua roupa tradicional, os moradores desse lugar possuem semblante expressivo e um aperto de mão firme. Era com eles que eu iria passar os próximos três dias. Após instalar-me e tomar um banho, descansei daquela jornada cansativa e prazerosa.

Na primeira manhã, acordei bem cedo para passear pelo povoado. A primeira cena que vi foi a de quatro crianças, talvez irmãos, numa atividade envolvente, em que estavam todos muito empenhados. Enquanto uma tentava incessantemente acender o fogo com um isqueiro, outra preparava uma panela com mandiocas já descascadas, e outra ainda trazia um tatu já limpo, pronto para ser assado.

Mais adiante, em cada casa por onde passei, alguém desempenhava algum papel, principalmente mulheres e crianças. Percebi que naquele lugar as pessoas são discretas, desfrutam seu lar com a família e, pelo capricho observado nas habitações, terreiros, plantas e árvores, são muito trabalhadores e prezam por um ambiente preservado.

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Coca Ashaninka

Na varanda de sua casa estava Wewito Piãko, deitado em uma rede, mascando folha de coca, um hábito conhecido pelos moradores andinos, que geograficamente se localizam próximo à Apiwtxa.

Chamou-me a atenção a maneira como Wewito fazia uso das folhas, diferente do que eu já havia usado na Cordilheira dos Andes. Além delas, mistura-se um cipó, e um preparado branco parecido com polvilho, que é armazenado numa pequena cabaça. O cipó é o txamayro, e esse pó branco é o ishiko. Enquanto a mescla torna-se um pouco amarga na boca, adiciona-se um pouco de ishiko à mistura com um “aplicador” de madeira cônico, tornando doce o sabor. Wewito ressalta que, sozinhas, nenhuma das três substâncias tem sabor doce, mas que, combinadas, proporcionam esse efeito. O mais interessante é como o ishiko é adquirido.

Por meio de um processo de torração de uma pedra encontrada em igarapés distantes, desidrata-se essa peça, depois dissolve-se num recipiente com água e, depois da evaporação, é retirado o pó, semelhante ao processo de extração do sal da água do mar, ou de minério.

Assim como nos Andes, a coca é utilizada para disfarçar a fome, a sede, e tirar o desânimo, assim como dar uma “injeção” de energia em caso de trabalho braçal, ou em longas caminhadas de caça.

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Cuidados com a pintura e artesanato

Numa das principais casas da Apiwtxa, encontrei seu Antônio Ashaninka, cacique da aldeia, muito concentrado num delicado processo, sentado no assoalho de palmeira de sua residência.

Cuidadosamente, ele estocava a pasta de urucum, que serve para pinturas tradicionais, em recipientes feitos de bambu, vedados com uma tampa de palha de milho, chamado pototsi: uma peça tão bem trabalhada que nos remete a algo vindo da cultura oriental.

Um a um, seu Antônio, sempre vestido com kusma e amarentsi, um chapéu de penas e fibras muito bem construído, preenchia os gomos de bambu com a ajuda de uma fina tala de buriti.

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Contemplação da morada

Caía a noite e já era hora de voltar ao acampamento, gentilmente cedido pelas lideranças de lá.

Sentado diante de sua casa, estava Moisés Piãko, fumando em seu poarentsi, um lindo cachimbo entalhado. Tentei ser o mais discreto possível, pois não queria interferir naquele momento íntimo daquele líder, que olhava em volta como se admirasse todo o trabalho feito pelo seu povo, numa vasta área farta de árvores e fruteiras.

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Texto e fotografias por Diego Gurgel || Designer Adaildo Neto

Funtac desperta atenção do Brasil para os óleos da Amazônia

Há 29 anos a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) realiza experiências inovadoras, com foco no desenvolvimento da ciência e da tecnologia no estado.

 Por Rayele Oliveira 

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Óleos vegetais da Funtac são 100% naturais da floresta amazônica (Foto: Diego Gurgel/Secom)

Os experimentos têm atraído o olhar de diversos estados do Brasil a cada evento de que a Funtac participa, seja de cunho científico-tecnológico ou das áreas de cosméticos e gastronomia.

Só no Laboratório de Produtos Naturais (LPN) da instituição, há trabalhos nos campos da pesquisa e manipulação de pelo menos 15 espécies de óleos naturais amazônicos.

Buriti, murmuru, açaí e patauá, entre outros, são alguns exemplos de espécies com as quais a fundação desenvolve o trabalho de capacitar famílias de comunidades extrativistas do Acre para a extração e coleta, com o objetivo de tornar todas as cadeias produtivas de oleaginosas rentáveis e comerciais.

É Panc – a Amazônia descobre a Amazônia

Nesta semana, a diretora-presidente da Funtac, Silvia Luciane Basso, esteve em Belém (PA), acompanhada pela diretora de gastronomia no Acre, Patrycia Coelho, para participar do encontro que teve como um dos realizadores o Instituto ATÁ e reuniu pesquisadores, estudantes, chefs e mateiros, para discussões que envolvem a ciência, o saber tradicional e a gastronomia.

O tema “Plantas Alimentícias Não Convencionais da Amazônia” deu origem ao evento intitulado “É Panc – a Amazônia Descobre a Amazônia”, que promoveu, inclusive, a degustação de pratos inusitados.

Entre os participantes estavam o jornalista fundador da ONG Amigos da Terra e membro do Centro de Empreendedorismo da Amazônia Roberto Esmeraldi e o renomado chef de culinária Alex Atala, que incluiu em suas receitas o óleo de patuá e a castanha do Acre.

A novidade com a utilização dos produtos acreanos ficou por conta da maionese de manteiga de murmuru feita por Atala.

“Foi muito gratificante ver o entusiasmo de todos os que estavam presentes com o que apresentamos sobre o Acre e ouvir sobre as impressões das experiências culinárias que utilizaram ingredientes da nossa Amazônia. Foi um encontro bastante enriquecedor em todos os sentidos”, frisou a diretora-presidente da Funtac Silvia Basso.

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Patrycia Coelho (D) e a diretora da Funtac com o chef Alex Atala (E) e Esmeraldi (Foto: Cedida)

Feira de economia solidária será realizada com temática da Páscoa

A economia solidária pode ser definida como uma alternativa de geração de trabalho e renda, que também cumpre função social.

 Por Rayele Oliveira 

Em alusão ao feriado cristão que comemora a ressurreição de Cristo, a Secretaria de Pequenos Negócios (SEPN) realiza a Feira de Economia Solidária da Semana Santa, na Praça da Revolução, em frente ao Quartel da Polícia Militar.

De quinta-feira, 13, até o domingo, 16, das 16 às 22 horas, os feirantes terão variedade de bombons, trufas e ovos de chocolate, entre outras opções artesanais como sugestões para presentear.

A última semana da Quaresma é um momento em que os empreendedores de economia solidária encontram para faturar renda extra, já que o fluxo de pessoas que prestigiam as feiras é maior durante feriados.

Economia Solidária no Acre

De acordo com o secretário de Pequenos Negócios, Henry Nogueira, o governo já investiu neste setor cerca de R$ 20 milhões em seis anos.

“É importante frisar que cada empreendimento representa famílias que estão tendo a oportunidade de mudança de vida. No Acre, já são cinco mil famílias envolvidas nas feiras em diversos segmentos, o que significa a movimentação de mais de R$ 2 milhões por mês”, frisa.

Feira da pascoa

Governo e MPAC ampliam parceria que beneficia Sistema Socioeducativo

Governo e MPAC ampliam parcerias que beneficiam jovens do Sistema Socioeducativo, nos processos de reinserção social.

 Ana Paula Pojo 

O governador Tião Viana recebeu na Casa Civil, na noite desta segunda-feira, 10, o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), Oswaldo Lima D’Albuquerque, para um diálogo sobre novas parcerias que beneficiam jovens do Sistema Socieducativo, nos processos de reinserção social.

Participaram da agenda, a chefe da Casa Civil, Márcia Regina Pereira, a corregedora-geral de Justiça do MPAC, Katia Rejane Rodrigues, o procurador de Justiça, Celso Jerônimo de Souza, o promotor Francisco José Maia da Promotoria de Infância e Juventude e o representante do Centro de Apoio Operacional do Controle Externo da Atividade Policial e Fiscalização de Presídios (Caop), promotor Bernardo Albano, e outros membros do MPAC.

A relação institucional entre executivo e Ministério Público Estadual existe há bastante tempo, e dentro da área de socioeducação, o MPAC já trabalha programas semelhantes junto à vice-governadoria, num projeto musical voltado para meninos do socioeducativo.

“Com as recentes contratações de novos agentes para o socioeducativo e o sistema penitenciário, nós vamos ampliar as parcerias com o Ministério Público em relação aos jovens do socioeducativo nas questões de estudos, possibilidade de estágios e capacitações, que nos permitirão avançar de modo integrado para outras parcerias com novas instituições, a fim de promover a reinserção desses jovens na sociedade”, pontuou Márcia Regina.

O procurador-geral de Justiça disse que o trabalho integrado vem ao encontro do que o órgão vem debatendo na questão, não só do controle do sistema, mas para permitir que o MPAC trabalhe medidas que impactem na ressocialização, que é o objetivo principal de todo o trabalho que o órgão faz nessa área.

“Nós procuramos sempre manter essa parceria em diversas áreas. Agora em relação ao sistema socioeducativo, queremos parabenizar o esforço que o governo do Estado fez, a partir da contratação de mais de 200 agentes socioeducativos, que permitiu também o reforço do sistema prisional com 140 agentes penitenciários”, destacou Lima.

A implementação de políticas essenciais

A corregedora-geral Katia Rejane, também parabenizou os esforços do governo na implementação de políticas essenciais nos processos de ressocialização destes jovens.

“É com esse esforço que nós podemos implementar as políticas necessárias, que o estatuto da criança e do adolescente visa. Precisamos realmente de pessoas que estejam lá, comprometidas, como é o caso desses agentes que estão entrando agora, com esse espírito de trabalhar as políticas públicas necessárias dentro do centro  socioeducativo fazendo essa interface com a sociedade”, ressaltou.

O representante do Caop, promotor Bernardo Albano disse que este trabalho demonstra o compromisso do governo com a infância e a juventude. “De igual modo, ficamos felizes com a chegada de novos agentes penitenciários para reforçar também a segurança nas unidades penitenciárias”, destacou Albano.

O promotor de Justiça, Francisco José Maia, da Promotoria de Infância e Juventude falou sobre a importância desta interlocução entre executivo e MPAC, além de outras parcerias, cujo objetivo é unânime.

“Outra notícia boa é cessão de um espaço por parte do judiciário para darmos continuidade às ações socioeducativas e de semiliberdade. São ações voltadas para arte e lazer, que são importantes nesse processo de ressocialização destes adolescentes em conflito com a lei”, reiterou Maia.

Aula de violão