Assis Brasil: Histórias e causos do Icuriã e o governador “Calça Curta”

O que vai ser relatado aconteceu pelas bandas do Icuriã. Faz tempo, ó. Foi uma época esquisita. Dizem que a comunidade estava muito populosa.

 Por Itaan Arruda 

Gente demais. Era preciso organização. Tudo estava complicado: faltava água; esgoto passando na frente dos casebres; escola com professor semi-analfabeto; sem uma benzedeira decente para sarar feridas e aliviar encostos. Até um crime aconteceu, com promessa de revanche por parte da família do Pinté. Ninguém esperava por Governo que, até aquele momento, poucas vezes tinha aparecido por lá. Para espanto de alguns que ironizavam. “Aqui é tão espatifado que, mesmo sem Governo, a gente não consegue dar ordem às coisas”. Ao que alguém sentenciou. “Era preciso organização”, lembra um dos primeiros “governadores” do local, o líder Antônio Calça Curta em entrevista a uma jovem historiadora. “Era preciso fazer política”.

Mas, fazer política sem Governo, pra quê? Isso lá tem sentido? O governo estava ausente da Vila Icuriã. A essas indagações, Calça Curta respondia como quem honra o bigode que não tinha. “Eu quero cuidar desse povo”, prometia. “Ponho minha vida nisso”. De fato, Antônio Calça Curta melhorou a vida de muitos. Não de todos, que não está aqui se falando de um deus. Mas, a vida melhorou. Era fato.

Mandou buscar canos do quartel do Exército na Vila Assis Brasil e botou água limpa dentro; criou uma canalização para jogar esgoto longe das cabaceiras do rio. Até um boticário mandou trazer da capital.

“Pra evitar ‘barriga’ em menino novo”. Antônio Calça Curta conquistou o povo do Icuriã. Veio até um retratista da capital acompanhado de um doutor das letras para fazer reportagem esticada-elogio-sa no periódico oficial. Era um novo fenômeno: moço, bem apessoado, sorriso fácil, trato gentil. Mas, contrariasse o diabo do homem que os beiços vinham pelas canelas. Era um lundum horrível. “Eu tinha que ser daquele jeito”, recorda Calça Curta, agora já velho. “Se não fosse do meu jeito, seria do jeito de quem? Ali na vila, depois de mim só tinha bicho e mato. Alguém tinha que decidir as coisas. E eu decidi que tinha que ser eu”, disse, quase em tom de saudade.

Com a popularidade de Calça Curta em alta, uma esquisitice começou a acontecer na região. De repente, os desafetos naturais que um homem opinioso constrói ao longo da vida desapareceram. Tudo no vilarejo passou a ter uma tranquilidade incomum. O “governador” da Vila Icuriã passou a contar com uma cordialidade consensual. Não havia embate.

A política praticada por Calça Curta era a política do consenso. Tudo tinha que ser por consenso. Ou era unanimidade, ou não valia. De uma hora para outra, a Vila do Icuriã ficou conhecida como a “referência regional”. A Vila era “modelo para isso”; “modelo praquilo”. Calça Curta se justifica para a estudante. “Mas, minha filha, não éramos nós quem falávamos. Eram os homens do governo que a partir daquele momento, não saiam de lá”.

De alegria em alegria, a Vila Icuriã foi definhando. Descobriu-se que as mudanças implantadas por Calça Curta endividaram de tal monta a comunidade que não havia dinheiro que pagasse. Muita gente começou a fugir subindo os descendo o rio. Em menos de um mês, quase a Vila se transforma em um lugar fantasma. Uma tristeza medonha se enraizou. Só Calça Curta ficou por lá. Buscou guarita em Assis Brasil depois que um grupo de peruanos saqueou o que restava de valor. Orgulhoso, Calça Curta deu um muxoxo subindo o barranco. “Gente ingrata. Não sabe reconhecer quem sempre deu a vida por esse lugar”.

AssisBrasil

A chuva e suas lembranças que deixava as ruas da cidade de Assis Brasil um lamaçal

Um dia chuvoso daqueles conhecidos do inverno acreano. Muita água escorria pelas ruas de barro vermelho deixando a cidadezinha um lamaçal só.

 Texto: Jerry Correia 

Naquela época pouquíssimas ruas do município eram pavimentadas. Por isso quando descia a chuva forte, a lama tomava de conta. Era muito comum ver as pessoas saírem de casa com sacolas plásticas amarradas nos sapatos. Parece brincadeira, mas era uma saída para não sujar o calçado na hora de ir trabalhar ou passear.

Diferente dos adultos, a criançada adorava quando caia uma chuva bem forte e demorada. Meninos e meninas ganhavam as ruas enlameadas para se divertir com as mais diferentes e inocentes brincadeiras. Começava com a brincadeira da “pira”, depois a da “sandália”, tinha também o “31 alerta”, e finalmente tudo terminava em uma grande ladeira de barro vermelho bem molhada que se transformava em um enorme escorregador. Era ali que a criançada perdia a noção do tempo e só voltava para casa debaixo dos gritos das mães preocupadas.

A chuva me faz lembrar aquele monte de gente na beira do rio admirado com a “cabeça d’ água”. Era quando as águas do velho rio Acre subiam rapidamente depois de alguns dias de chuva nas cabeceiras.

De repente o sino badalava na curva do salão do Sr. Alonso. Era o Major Salino. A maior embarcação que trazia óleo diesel para manter funcionando o gerador de energia da cidade.

Todo mundo na beira do rio fascinado com as águas e o movimento no porto. Era um sobe e desce no barranco liso. Poucos trabalhando e muitos olhando e jogando conversa fora.

Para subir o barranco escorregadio com os camburões de 200 litros de óleo diesel só mesmo na força bruta. Era aí que aparecia o pequeno Aprígio com seu boi de arraste. Todos ficavam admirados com a coragem e maestria do pequeno menino que dominava tão grande e forte animal. Descia até a beira do rio, amarrava o camburão na zorra e ordenava que o boi puxasse a carga até subir o barranco. Fazia isso durante todo o dia até descarregar o enorme batelão do Major Salino.

Chegava à beira do rio o caminhão do Kate carregado de botijão de gás. Rapidamente os homens começavam a atirá-los barranco abaixo. O trabalho se transformava em diversão. A criançada chegava pra perto e ficava admirada vendo as botijas rolarem até o rio. Lembro perfeitamente do barulho que fazia quando uma botija tocava a outra lá embaixo do barranco.

O porto era o local mais movimentado e divertido da cidade. Tinha uma velha e quebrada escadaria. Do lado ficava a marcenaria municipal e bem atrás a famosa movelaria do Olegario, Aluísio e Sr. Valdir. O local era mais frequentado do que o mercado municipal. Na verdade a grande especialidade dos proprietários e dos frequentadores era colecionar garrafas vazias de 61 da cana arriada. De longe se ouvia as gargalhadas do Olegario e do Sr. Valdir que entre um prego e outro, diziam eles, “uma dose pra calibrar os nervos”. Sr. Valdir, o mais velho dos três amigos continua alegrando a cidade com suas risadas contagiantes, enquanto Olegário e Aluísio partiram para outra vida deixando boas lembranças.

A chuva nos traz boas recordações…

Antiga movelaria (Foto: abaixo) dos amigos Olegário, Aluísio e Valdir.

A chuva e suas lembranças em Assis Brasil

A primeira ponte em Assis Brasil: A estradinha e a passarela saindo de Iñapari

Hoje no município de Assis Brasil tem uma das mais imponentes pontes do Estado do Acre que faz fronteira com a cidade de Iñapari no Peru.

 Por Jerry Correia 

A estradinha e a passarela em Assis Brasil

É a Ponte Binacional Brasil-Peru, inaugurada em 2006 pelo presidente Lula. A obra custou quase 30 milhões de reais e concretizou o sonho de integração física com o país vizinho Peru.

Mas antes disso a primeira ponte que ligava as cidade de Assis Brasil e Iñapari (PE) era essa mostrada na imagem acima. A estrutura improvisada só durava os meses de verão, quando o Rio Acre fica bem seco.

A primeira metade da ponte era uma velha balsa de metal de propriedade da Prefeitura de Assis Brasil. A outra metade era construida com madeira da região.

Tudo improvisado, mas serviu pra muita gente e ajudou manter os laços de amizade entre brasileiros e peruanos.

A estradinha e a passarela

Saindo da cidadezinha de Iñapari no Peru, logo depois de cruzar a Ponte Binacional, bastava seguir à direita, descer sobre a linda passarela (ou ponte suspensa) e continuar uma prazerosa caminhada em uma estradinha de tijolos com dois metros de largura.

Pronto, chegava em Assis Brasil. Isso mesmo, chegava…não chega mais; pelo menos por aquele caminho que foi esquecido.

A estradinha e a passarela

Conheça a família linguística Pano que habitavam no rio Ucayali, no Peru

Na região do médio rio Ucayali, no Peru, habitavam vários grupos da família linguística Pano.

 Texto: Fátima Ferreira 

Povo Jaminawá 7

A arte oral e musical Jaminawá é muito rica, com belos cantos xamânicos conhecidos por poucos. Foto: Jerry Correia

Lá estavam os Xixinawá (gente do quati), Kununawá (gente da orelha-de-pau), Sharanawá, Yawanawá (gente do queixada), Mastanawá (gente do socado), Bashonawa (gente da mucura), Sharanawá (gente povo bom) e Yawanawá (gente do queixada). Esses grupos, que eram conhecidos como grandes guerreiros, realizavam expedições para guerrearem entre si e com outros grupos da região.

Com a chegada dos caucheiros peruanos tiveram o primeiro contato com a sociedade branca, obrigando a formarem um só grupo com a denominação de Jaminawá, e assim dificultando ou mesmo em alguns momentos tornando impossível a convivência, pois as diferenças eram grandes, deixando uma característica marcante que é a divergência interna. Com a circulação de ferramentas de metal, as redes interétnicas de intercambio e a provável disseminação de vírus como o da varíola, provocando epidemias, levaram à morte inúmeras pessoas e até mesmo povos.

Com toda essa pressão o povo Jaminawá foi empurrado para o Juruá, alguns se engajando nas atividades de caucheiro e outros fugindo do contato, onde mais tarde realizaram uma enorme migração para o Moa (o não afluente do Juruá), mas um outro menor, do rio Yaco e outra entre os rios Yaco, Purus e Tahuamanu.

De lá um grupo de mais de cem Jaminawá debilitados por repetidas epidemias se instala no seringal Petrópolis. Informes da FUNAI descrevem uma situação de desorganização do grupo e exploração econômica. É estabelecido nesse ano um posto indígena, quebrando o monopólio do seringal. Com esse apoio, os Jaminawá se instalam rio acima, na área Mamoadate, que congrega duas aldeias Jaminawá (Betel e Jatobá) e uma Manchineri (Extrema). 

Primeiramente recrutados para trabalhar em seringais sob domínio do patrão Estevão Meirelles, e mais tarde tornando-se caçadores para o comércio de pele de animais silvestres, já com o patrão Cariolano. Trabalharam ainda de mateiros florestais, servindo aos patrões nas aberturas de estradas de seringa e varadouros de escoamento de produtos e também como extratores de seringa e caucho. Sempre mantiveram a agricultura de subsistência, servindo até de mão-de-obra nos grandes roçados dos patrões. Exerciam também a função de remadores e varejadores nos barcos dos senhores dos barracões.

Anos depois mudaram para o seringal Senegal, de onde saíram para a cabeceira do rio Acre, onde já se encontrava morando um grupo de Jaminawá, na época liderado por José Correia, formando a aldeia Ananaia, que se tornou a principal daquela terra indígena.

Essa perambulação deixa claro uma característica marcante desse povo, que é o seminomadismo, revelado nas freqüentes mudanças, e as dispersões de famílias, quase sempre motivadas pelas divergências internas.

No verão, época das praias, costumam realizar passeios para visitarem seus parentes distantes, sem pressa de retornar. Conta-se também o fator cultural, quando da morte de um membro da família nuclear mudam-se a fim de afastar as lembranças do falecido.

A liderança antigamente era um grande caçador, provedor incomum, que tinha o dom da oratória, mantinha várias mulheres, além de ter o poder da persuasão na comunidade, mediando conflitos internos e externos e não temendo forças ocultas. Para isso conhecia as regras de sua tradição. Também não temia tomar o shori (ayahuaska), que para eles é um remédio. Acreditam que tomar shori traz saúde ao corpo, mas podem também aplicar o bagaço do cipó sob as partes doentes do corpo. O shori também tem um lado lúdico, que permite ver ou viajar. Essas sessões são organizadas pelo koshuit (pajé), uma espécie de doutor, que detém o poder sobre a vida.

A economia é baseada principalmente no cultivo da macaxeira e banana, na caça e na pesca. Cada família nuclear possui seu roçado, se tornando economicamente autônoma, mas não exclui relações de reciprocidade entre as unidades familiares, pois a carne e o peixe são distribuídos para toda a comunidade.

A cultura material passa por uma revitalização, onde a cerâmica, a tecelagem e a cestaria têm sido os artesanatos mais enfatizados. A arte oral e musical Jaminawá é muito rica, com belos cantos xamânicos conhecidos por poucos. Homens e mulheres têm seus cantos, que descrevem os sentimentos do autor e as peripécias de sua vida.

Desde de 1990, o povo Jaminawá vem passando por um estado de crise. Um fator complexo de difícil explicação até mesmo para os próprios Jaminawá, resultando na vinda de famílias inteiras para as periferias das cidades, principalmente da capital. A realidade da cidade logo se apresenta como uma competição diária para garantir a sobrevivência, fazendo com que passem a viver um tempo diferente e difícil. 

Atualmente rumam em direção a uma reestruturação social, política e cultural, processo desencadeado pela necessidade de fazer uma reflexão sobre sua situação. Na assembléia realizada em meados no ano de 2001, reuniram-se todas as comunidades Jaminawá, resultando na criação da Organização das Comunidades Agro-Extrativistas Jaminawá (OCAEJ).

 Fotos: Jerry Correia 

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Rio Branco se prepara para receber a primeira Hackathon Smart Cities

Os detalhes do evento foram discutidos durante reunião no gabinete do prefeito Marcus Alexandre na quinta-feira (13).

A primeira maratona de desenvolvimento de aplicativos para dispositivos móveis e soluções inteligentes para a cidade de Rio Branco já tem data marcada para acontecer. Os detalhes do evento foram discutidos durante reunião no gabinete do prefeito Marcus Alexandre na quinta-feira (13).

O encontro contou a participação do Superintendente do Sebrae/AC Mâncio Cordeiro, da Diretora Técnica do Sebrae, Sídia Gomes, do Diretor do Instituto de Tecnologia de Informação e Inovação (ITEC), Mafran Almeida, do chefe do Departamento de Pesquisa e Inovação do ITEC, Jeferson Barroso, e de representante do gabinete do senador Jorge Viana.

Realizado pela Prefeitura de Rio Branco, SEBRAE/AC, Governo do Estado e a Startup Buscar Peças e parceria da CONECTE Bem Aceleradora, Casa Urbana Coworking e Uninorte, o evento acontecerá durante a Expoacre 2017, de 28 a 30 de junho.

Serão quarenta e oito horas de maratona em que os participantes terão o desafio de desenvolver soluções inteligentes que possam ser disponibilizadas aos moradores da capital. Ainda durante o evento serão realizados campeonato de jogos e palestras. São ao todo 50 vagas. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas online através do endereço eletrônico smartrb.com.br.

marcos alexandre

Com informações Ac24horas

Semana do Cinema Possível realiza mostra de trabalhos textuais na Ufac

Mostra textual discutiu conflitos de fronteira e identidade de gênero por meio de filmes.

 Por Bleno Caleb 

Em seu penúltimo dia de atividades, a Semana do Cinema Possível, realizou nesta sexta-feira, 14, no centro de convenções da Universidade Federal do Acre (Ufac), a mostra de trabalhos textuais com apresentação de artigos e análise crítica de obras audiovisuais.

Ao todo, foram quatro grupos de trabalho divididos em memória, identidade, educação e comunicação livre.

Durante as apresentações, estudantes e pesquisadores refletiram sobre identidade de gênero, conflitos de fronteira entre Acre e Bolívia, estereótipo da princesa nos filmes da Disney, produção de documentário sobre questões ambientais, entre outras temáticas.

Os filmes nacionais “Aquarius” (Kleber Mendonça Filho, 2016) e “Que horas ela volta” (Anna Muylaert, 2015) estavam entre os objetos analisados.

Para o estudante de mestrado em Letras da Ufac Samyr Farias, a Semana do Cinema Possível é uma oportunidade para debater questões relacionadas ao cinema e à identidade de gênero.

Ele analisou o filme “A garota Dinamarquesa” (Tom Hooper, 2015) pela perspectiva da performance de gênero e da teoria queer. “A sexualidade e a identidade de gênero são culturalmente construídas.”

Cinema possível

Veriana Ribeiro, presidente do Cineclube Opiniões e coordenadora-geral da semana, conta que o projeto teve início com uma campanha na Catarse, plataforma de financiamento coletivo, mas não obteve a quantia necessária para sair do papel.

“A expressão audiovisual é uma arte muito cara o que demanda soluções criativas para contornar a falta de estrutura. Com as parcerias, o projeto ficou melhor do que o planejado”, conta.

A primeira edição da Semana do Cinema do Possível é realizada pelo Cineclube Opiniões, com apoio de instituições parceiras e patrocínio da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour, por meio do Fundo Estadual de Cultural.

A proposta é promover o diálogo entre amantes do cinema e produtores audiovisuais de Rio Branco para exibir suas obras. A semana é composta por palestras, oficinas, debates e apresentação de trabalhos científicos.

cultuta

Espetáculo A.m.a.d.a.s traz Elizabeth Savalla neste fim de semana para capital

Apresentação traz monólogo comandado pela atriz global com mais de 40 anos de carreira.

Lidando com temas como a passagem do tempo, insegurança, imposições sociais sobre padrões estéticos e questões de gênero, o monólogo “A.M.A.D.A.S.” chega à Capital neste sábado (15), no Teatro da FAAO. No comando do espetáculo, a atriz global Elizabeth Savalla, com mais de 40 anos de carreira entre teatro, TV e cinema.

O título é uma sigla para “Associação de Mulheres que Acordam Despencadas”. Na peça, Elizabeth interpreta Regina Antônia, mulher na casa dos 50 que, um belo dia, percebe as mudanças que a idade causou no seu corpo, dando sequência a um monólogo que aborda de forma bem-humorada a rotina de Regina e o contexto social que ela está inserida, no qual as cirurgias plásticas, botox, silicone e corpos de academia são muito valorizados.

Para piorar a situação, na véspera do seu aniversário, a personagem encontra uma amiga de infância que era muito desejada na época por todos. Mesmo sendo três anos mais velha que a protagonista, vinte anos depois – à custa de muito botox, silicone e exercícios físicos – parece ser de uma geração posterior à da protagonista.

As apresentações acontecem no sábado (dia 15, às 20h) e no domingo (dia 16, às 19h30). Os ingressos estão disponíveis nos pontos de venda Laundromat Lavandeiria, Outlet Via Lara (Via Verde Shopping) e Porto.Com (Bosque), e estão divididos em plateia A (R$ 120 inteiro, R$ 60 meio) e plateia B (R$ 100 inteiro, R$ 50 meio).

Para mais informações, ligue para 98422-3874.

atriz

Com informações Contilnet

Shane Kaya: Um povoado em busca de suas raízes

Existe um povo nos arredores do município de Feijó, distante aproximadamente 364 km da capital Rio Branco, que vive um tempo de resgate cultural, construção e sustentabilidade.

Um povoado em busca de suas raízes

Estes são os Shanenawas, uma etnia que viveu a mesma história de muitas outras no estado do Acre, graças a rápida ocupação da Amazônia em função do extrativismo e exploração do caucho. Eram utilizados para o fornecimento de mão de obra e insumos para os seringueiros na região.

Além disso, os Shanenawas “fugiram” da sua região de origem, o rio Gregório, por conta de conflitos com o povo Yawanawa, o que fez com que eles migrassem pra região do rio Envira e assumissem a identidade dos Katukina a fim de se “camuflarem” e não se indisporem com os Yawanawa mais uma vez. Porém ao longo dos anos, os Shanenawa foram reafirmando sua identidade original.

Hoje este povo vive um novo tempo de lembranças, preservação do meio ambiente e resgate de sua cultura. O cacique Nay Nawá saiu das proximidades do centro de Feijó, e percorreu sete quilômetros da BR 364 em direção a Cruzeiro do Sul, e entrou numa área de floresta, que segundo ele, que é agente ambiental, “era apenas floresta secundária”, e junto com sua família, começaram um novo desafio: criar uma nova aldeia.

E foi assim, com facões e instrumentos comuns, abriram uma picada na mata, e em 2014 fixaram morada onde hoje é o povoado Shane Kaya, um lugar com igarapés, grandes morros, e de muita fertilidade.

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Celebração cultural

Desde 2015 os Shanenawas mobilizam toda a aldeia para realização de uma grande festa no terreiro. Amãytí Mãnã Runukeneya é a frase que recebe quem visita o grande terreiro de chão batido, que em tradução livre significa “terreiro da jiboia colorida”. A jiboia é considerada um animal sagrado para várias comunidades indígenas.

Aqui não entram comidas artificiais, bebidas, e tudo o que consumimos é produzido aqui. Temos sustentabilidade na produção de frutas, verduras e queremos ter uma vida saudável que.

Este festival, realizado no dia primeiro de julho, dura exatamente 24 horas e reúne participantes de outras comunidades. Ao todo, participaram cerca de 200 pessoas. Umas de perto, outras de lugares mais distantes, como os próprios Shanenawas, Huni Kui, e também Yawanawas do Rio Gregório.

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Nay Nawá disse que o festival foi criado exatamente para promover o resgate cultural, as trocas de linguagens, tradições, danças e músicas, uma vez que o palco se torna um show de artistas de toda a parte.

Orgulhoso do seu feito, Nay Nawá afirma: ”Aqui não entram comidas artificiais, bebidas, e tudo o que consumimos é produzido aqui. Temos sustentabilidade na produção de frutas, verduras e queremos ter uma vida saudável que proporciona a longevidade de nossos antepassados”.

O Cacique enquanto dizia isso, segurava um tubérculo chamado “Niá Yuxu”, que significa “Batata em pé”, e se parece muito com a mandioca, se come cru, tem um leve sabor adocicado, porém, segundo ele, ninguém preservou a cultura deste alimento, e apenas ele possui uma plantação, que é guardada a “sete chaves”.

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No almoço, mingau de banana, farinha, verduras, e peixe feito exatamente como os índios faziam antes de usarem panelas. Cozido no interior da taboca, ou bambu e, às vezes, na folha da bananeira, este feitio, ou prato se chama “Kawa“. Ele reafirma: “tentamos fazer um resgate em cada detalhe, desde a língua que vinha sendo perdida, até na maneira de cozinhar”.

Após a pausa para o almoço, voltamos para Manã Runukeneya, o terreiro que não para um segundo sequer durante esse dia de festa.

Mais música, mais dança e tudo regado ao “Matxu”, mais conhecido como caiçuma, uma bebida fermentada feita da mandioca produzida ali mesmo, por eles, e que é acondicionada num tronco de palmeira, para que quem estiver ali se sirva à vontade.

Proporciona a longevidade de nossos antepassados

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Festa e espiritualidade

Cai a noite e os Shanenawas e convidados continuam a festa até o amanhecer, porém com um ritmo mais lento, para a comunhão dos participantes em volta da fogueira em um lindo ritual Ayahuasqueiro, onde a música e o colorido do bailado dos homens, mulheres e crianças ali presentes deixam a noite mais iluminada, e bordada com estrelas.

“Shava shava!” é o grito de celebração, uma expressão usada para celebrar, como “Haux Haux!” É como dizer “Viva!” em nossa língua.

Como a festa não parou até as oito horas da manhã seguinte, foi possível ver o encontro da noite com o dia, onde as estrelas insistiam em permanecer até o último minuto antes de se despedir, assim como eu, que demorei a dizer “tchau” pra todos os novos “txais” e amigos que conheci neste lindo encontro.

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Texto e Fotografias de Diego Gurgel || Diagramação de Adaildo Net

Organização espera 20 mil pessoas na 18ª edição do Festival do Açaí em Feijó

Produtores de açaí devem participar de workshop na abertura do evento. Na festa, marcada para os dias 11, 12 e 13 de agosto, prefeitura e cooperativa pretendem criar 'Selo do Bom Açaí'.

A 18ª edição do Festival do Açaí no município de Feijó, no interior do Acre, vai ser realizada nos dias 11, 12 e 13 de agosto. A organização espera que ao menos 20 mil pessoas compareçam na festa que vai contar com shows da banda Rabo de Vaca, da dupla Yago Santhiago e Thiago Brava.

As bandas locais Boca Mel, Trio Furacão, Arregaçaê e Alamo Kário também se apresentam.

Conforme a Prefeitura de Feijó, na abertura do evento, no dia 11 de agosto, todos os produtores de açaí vão participar de um workshop para aprender mais sobre as técnicas de manuseio do fruto.

As técnicas devem ser ministradas por equipes do Sebrae-AC, Universidade Federal do Acre (Ufac) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A organização destaca ainda que a prefeitura fez uma parceria com uma cooperativa de produtores de açaí para criar o “Selo do Bom Açaí”, como, segundo a gestão, já foi feito em Belém, no Pará.

Festival do Açaí em Feijó

Chefe acreano ganha Prêmio internacional de reconhecimento gastronômico na Bolívia

Santos ganhou três premiações com o prato “Risoto Acreano”, apresentado durante o Congresso. Natalino ganhou Prêmio internacional de reconhecimento gastronômico.

Natalino ganhou Prêmio internacional de reconhecimento gastronômicoO 1º Congresso Integração Culinária Do Vale – Valorizando Nossos Sabores, realizado nos dias 7,8 e 9 de julho, em Cochabamba, na Bolívia, contou com a participação de chefes renomados de diversos países como Itália, Coreia, México, Espanha, Argentina, Bolívia e Brasil.

A organização do evento convidou pessoalmente os representantes de cada país, e o acreano Natalino dos Santos foi quem representou o Brasil.

Considerado o chefe mais novo da Região Norte, com apenas 21 anos de idade e oito anos que trabalha com gastronomia, Santos ganhou três premiações com o prato “Risoto Acreano”, apresentado durante o Congresso.

Risoto AcreanoSantos ganhou o Prêmio da Associação Colombiana de Chefes de Cozinha, como reconhecimento de mérito gastronômico, ganhei também um troféu pela Associação Integração Culinária Del Vale e uma medalha de reconhecimento da Arte e Sabor Culinário da Bolívia

O jovem contou que viveu grandes experiências ao lado de chefes renomados de outros países e que se sente muito feliz com o reconhecimento do seu trabalho em um evento mundial.

“Pra mim foi uma verdadeira honra representar o Brasil nesse Congresso a nível mundial, e o maior prêmio que eu ganhei sem dúvida foram as experiências vividas os aprendizados e principalmente, ter tido contato com grandes chefes reconhecidos mundialmente dentro da gastronomia. Eu só tenho a agradecer a oportunidade, onde fiz muitas amizades e estou muito feliz por ter trazido essas premiações ao meu estado, o qual eu representei”, disse.

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Encontro reuniu chefes de vários paísesFonte: Contilnet.com